Andaria descalço

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Andaria descalço pelas trevas do tempo, ouviria sonetos escondidos por detrás do arvoredo e o zunir do mar entrar-me pelo meio das pernas.

Uma escadaria que por ventura aparecesse, subiria ou desceria, conforme os casos, claro, ainda a sombra dos choupais despedidos neste outono de que ano nem me importa, imaginava serem umas vinte e três horas, sentia no brilho do luar que descia súbito contra os meus olhos ainda cansados.

Sei porque sinto. Por isso sei. O ponto mais próximo do sonho está a achegar, isto se conseguir, preparo as objetivas, tento vislumbrar com as minhas ânsias este silêncio arrumado num pasto, a um canto qualquer da minha alma.

Secar sob este sol as lágrimas desperdiçadas pelo hábito, "mais vale a pena chorar pelo que já perdemos", enquanto penso, atravesso um Danúbio, um Zaire, um Amazonas, um Nilo, invento-me acompanhado por batuques, cavaquinhos, guitarras, ou então, a eletrónica da atual moda de músicas sem sexo. Igual.


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