Canção do destino

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Vou onde me leva o vento da esperança e sigo o astro das existências incompletas.

A canção do destino oprime a humanidade com os choros dos crentes. Livro dos mortos, orações dos discípulos, o rio se afasta com a minha languidez. Oh palavra sagrada prolonga a tua liberdade até à raiz dos amores verdadeiros.

O mestre bêbado, o comandante louco, a minha ilusão absoluta de imitar os deuses, te oferta, oh mulher, levada pelo arrebatamento dos sonhos e a vertigem das delícias sensuais, a imortalidade condicional.

Miragem de todos os tempos, mar onde se bebem todas as paixões, composição natural do belo, Ah! Como o sol de todas as vidas e o sangue de todos os desejos, tu simbolizas os milagres dos dias! O teu prazer vencido, as tuas ambições reveladas e a tua sombra penetrada, encontras refúgio na alquimia dos sonhos.

Infelizmente, ocultei minhas lágrimas na pedra quando os teus olhos se abriram ao pavor trágico do declínio de coisas. Os rios vastos da fé inundam a minha alma afligida e tremulante no fluxo e refluxo do sonho como uma foice de ouro no fundo de uma queda de água. E sobre o meu corpo passam e repassam as águas da História.


(in `Les Résignations', tradução de José L. Mendonça)




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