Colóquio sobre a Cultura Nacional: Recomendações para reforço da política cultural

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O Colóquio sobre a Cultura Nacional, realizado no âmbito do FENACULT 2014, de 11 a 13 de Setembro no Palácio da Justiça, em Luanda, discutiu amplamente vários aspectos atinentes à cultura nacional, enquadrados nos painéis:

Recomendações para reforço da política cultural
À mesa dos trabalhos: Alexandra Aparício, Rosa Cruz e Silva e Jorge Gumbe

 “Implementação da Lei da Política Cultural e a sua Estratégia”;
“Produção Simbólica e Diversidade Cultural”; “Cultura, Cidadania e Direitos”; “Cultura e Desenvolvimento Sustentável”; “Ordenamento Territorial com Cultura Dentro: Luanda, Angola e o Sentido do Lugar”; “Territorializar a Cultura: Mapear e Activar as IndústriasCulturais e Criativas em Angola”.
Contribuíram com comunicações respeitados especialistas como, entre outros, Virgílio Coelho, Amélia Mingas, Genoveva Oliveira, Adriano Mixinge, Simão Souindoula, Luís Kandjimbo, José Luís Mendonça, António Fonseca e Américo Kuononoca.
Uma plateia ávida de conhecimentos, maioritariamente constituída por estudantes universitários e militares dos três ramos das Forças Armadas Angolanas, contribuiu para o debate com as suas perguntas, observações e comentários.
Dada a importância de cada uma delas, o jornal Cultura transcreve integralmente as conclusões finais do Colóquio sobre a Cultura Nacional:
- Promover a protecção e o respeito pela identidade Cultural Nacional;
- Realçar a questão da construção de uma Nação próspera baseada na identidade sociocultural do homem angolano a partir da riqueza do património
cultural nacional;
- Classificar, promover e preservar o património Cultural Nacional, material e imaterial;
- Propor o uso e a utilização de motivos culturais nacionais em indústrias, instituições e serviços, bem como em todas as áreas da vida e da actividade dos cidadãos;
- Dinamizar acções que ressaltem o papel da criação de gado no desenvolvimento da actividade agrícola, associada à causa da luta contra a fome e a
pobreza;
- Promover os valores da identidade cultural, através do sistema de ensino e educação das novas gerações voltada para a Cultura;
- Criar condições institucionais e curriculares para a inserção de programas de formação e conhecimento artístico e cultural no domínio das
ciências sociais, humanas e outras;
- Fomentar o desenvolvimento das expressões artísticas modernas da música, da dança, do teatro, das artes plásticas, do cinema e do audiovisual
através da formação artística;
- Reforçar os mecanismos de apoio aos artistas nacionais para incentivar o desenvolvimento económico justo e
sustentável;
- Preservar os valores perenes e positivos da cultura e da tradição ancestral, cerne da “memória colectiva”;
- Promover o empreendedorismo e o surgimento de empregos no domínio da actividade cultural directa e indirecta;
- Promover o acesso dos cidadãos ao consumo de bens culturais e incentivar o turismo cultural;
- Promover o acesso ao ensino e ao uso das línguas nacionais, corrigindo o défice provocado pela política de assimilação
colonial e pela situação de guerra que o país viveu;
- Utilizar de forma mais assídua e extensa as línguas nacionais na divulgação de programas económicos e sociais, quer de instituições públicas,
quer de instituições privadas e promover o uso das mesmas em todas as esferas da vida nacional;
- Propor acções relativas ao ordenamento territorial urbano, integrando espaços culturais;
- Criar uma plataforma de interacção e divulgação do rico e diversificado património cultural do país;
- Fomentar os aspectos profundos da Política da Cultura Nacional para Implementação da Estratégia da Política
Cultural em todo o país;
- Promover uma maior integração social do homem e uma melhor planificação das acções do Executivo, numa perspectiva da melhoria da qualidade
de vida das populações;
- Incitar cada comunidade a alimentar-se do seu passado, acolher contributos externos compatíveis com as suas características próprias
e a continuar o processo da sua própria criação;
- Preservar, enriquecer, desenvolver e consolidar um sentimento de identidade, orgulho e unidade nacional que constitua uma força vitalizadora
do processo de desenvolvimento;
- Enfatizar a necessidade de uma parceria entre a Cultura e a Educação como suporte do desenvolvimento sociocultural e económico de Angola, através da educação patrimonial como ferramenta da socialização do conhecimento;
- Prosseguir o estudo científico das línguas nacionais, conferindo-lhes dignidade institucional;
- Apoiar a criação literária e artística nos diferentes domínios, em todas as línguas faladas em Angola;
- Formar educadores patrimoniais qualificados capazes de produzir, reproduzir e transmitir conhecimentos;
- Criar novos museus como forma de materialização das práticas culturais;
- Reconfigurar acções de governação pública, que permitam a reconstrução das relações entre o estado e as comunidades locais que garantam um
desenvolvimento local sustentável, equilibrado e integrado;
- Incentivar a elaboração de projectos culturais a nível nacional, sustentados a partir de recursos locais;
- Sugerir que as equipas políticas e técnicas encarregues da gestão e do ordenamento do território e do urbanismo, sejam multidisciplinares, envolvendo especialistas de várias áreas;
- Sugerir a elaboração de um programa de revisão da toponímia das localidades do país, no sentido de haver uma maior inclusão dos aspectos ligados à nossa herança cultural, que é plural e rica, evitando-se o surgimento de topónimos estranhos às nossas idiossincrasias culturais;
- Sugerir a construção de espaços físicos que sirvam de locais de lazer e de educação cultural, através de tertúlias entre pessoas de diversas gerações; - Introduzir equipamentos sociais voltados ao lazer e a cultura em geral nas novas centralidades.

Revisitação teórica
A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, ao intervir na abertura realçou que “revisitar as problemáticas teóricas em torno da Cultura Nacional é um bom exercício que nos convida, de igual modo, a identificar as principais dificuldades que este importante Sector do Executivo enfrenta, para que possamos desenvolver os programas mais adequados, para corrigir e inverter as tendências que inibam o seu crescimento”.
Sublinhou que a Cultura como Factor de Paz e Desenvolvimento “deverá guiar os nossos trabalhos na perspectiva de que a mensagem que se pretende passar, sobretudo aos mais jovens, chegue directa ao nosso público alvo, e possamos doravante contribuir efectivamente para a coesão e unidade nacional, garantindo o respeito e valorizando as diferenças que compõem os diferentes extractos sociais de Angola”.
A sessão de abertura, animada pela intervenção musical dos Bantu Voice, contou com a presença de deputados da Assembleia Nacional, membros do Executivo, directores nacionais e provinciais da Cultura, adidos culturais e de imprensa das Embaixadas de Angola, membros das Forças Armadas Angolanas, da Polícia Nacional, docentes e discentes universitários e membros da sociedade civil.
O discurso de encerramento foi proferido pelo secretário de Estado da Cultura, Cornélio Caley.

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