Dia da Cultura em Cabinda - Rosa Silva anuncia retoma do FENACULT - Ervanário Luís Sambo, uma figura incontornável

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A ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, anunciou recentemente em Cabinda, a retoma do FENACULT este ano em Angola, cuja primeira edição teve lugar em 1989.

A ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva e a governadora de Cabinda Aldina da Lomba

A foi dada já na parte final do seu discurso no acto central do Dia da Cultura Nacional, no Pavilhão Multiusos do Tafe.

Tal como no ano passado, durante a cerimónia oficial central houve lugar para homenagens. O grande homenageado daquela manhã foi o historiador João Claúdio Jime, mais conhecido por Clô Clô, que foi galardoado com um prémio de 500 mil kwanzas, pelo seu contributo como agente cultural na pesquisa do património regional.

Segundo apurou o jornal CULTURA, apoquentado por uma doença faz tempo, o referido agente cultural tem, assim, um "parti pris"(ponto de partida) para tratar-se e continuar a trabalhar em prol da sua actividade de pesquisa da realidade sócio-cultural da província mais setentrional de Angola.

Durante o acto exibiram-se três grupos de música e dança tradicional, com destaque para Kintueni, Mayeye e o músico Fuaba Tondo, efusivamente aplaudidos. A coreografia contagiante deste grupo que encerrou o espectáculo magnetizou a ministra e a governadora Aldina Dalomba, que se juntaram aos músicos e dançarinos num pé de dança.

Investimentos

A semana cultural foi marcada pelo lema "Pela preservação do nosso património material e imaterial, promovamos a investigação e o seu estudo", expressos nos programas de "Valorizaçao do património histórico-cultural, acesso à cultura, desenvolvimento das políticas culturais, programas culturais e municipais, apoio aos profissionais da cultura, formação, ensino e fomento das artes, investigação cientifica no domínio da cultura e das artes", sendo que neste domínio pretende-se corrigir a tendência da visão colonial da pesquisa do passado, para um olhar mais endógeno, reclamando-se um "volte face" metodológico.

Por sua vez, a propósito do investimento na Cultura, a governadora fez questão de destacar os programas e projectos que estão a ser desencadeados a nível do sector na província sob sua jurisdição, nomeadamente, a requalificação do Cemitério dos Nobres, a atribuição do estatuto de património cultural ao Palácio do Governo Provincial, Museu Regional, o Hospital Central de Cabinda, Escola Augusto Ngangula, Biblioteca Municipal, edifício Sagrada Esperança, Sede da Inspecção Escolar, entre outros estabelecimentos com valor museológico; patrimónios edificados a que compete o seu pelouro gerir e proteger, localmente, segundo rezam os despachos do MINCULT recentemente aprovados e lidos na ocasião, onde se apela, igualmente, à inclusão das comunidades para a protecção dos monumentos, com vista à preservação da nossa memória colectiva.

Discurso programático

Nesta senda da preservação do património cultural físico e espiritual insistiu a ministra da Cultura no seu discurso, ao sublinhar a efectiva materialização dos distintos programas de acção em que assenta a efectivação da política cultural angolana.

"A implementação destes programas ­ frisou ­ implica um conhecimento tanto das políticas como das estratégias que foram gizadas pelo Executivo a nível local, pois requer um envolvimento não apenas das instituições públicas como também da sociedade civil e agentes culturais".

A titular do MUNCULT entende que a recente legislação aprovada para a criação de incentivos fiscais à classe empresarial que se dispuser a apoiar os projectos culturais, é uma demonstração clara do empenho do Governo na busca de soluções viáveis para fazer acontecer as actividades culturais.

Neste particular o destaque vai para "o relevante papel desempenhado até ao momento pelos agentes culturais, enquanto parceiros privilegiados do Estado na implementação e colaboração no processo de execução das políticas públicas", pontualizou a ministra.

Desconcentração da gestão cultural

Nesta perspectiva reiterou o cumprimento das orientações do Chefe do Executivo na matéria, repisando que "Privilegiaremos neste exercício os programas culturais!", avançando que "daremos ênfase às necessidades dos jovens em todo o país e, nesse sentido, será prestada maior atenção ao processo em curso de desconcentração da gestão cultural, para que se cumpra com êxito o Programa Cultural Municipal previsto nas prioridades da política do Executivo para o Sector da Cultura em 2014. Este programa dará lugar a vários instrumentos jurídicos e de gestão e à criação da Agenda e do Roteiro Cultural de Angola."

A tónica da intervenção da ministra da Cultura centrou-se mais uma vez "nas acções em curso para a salvaguarda do património cultural (...) para a constituição dos dossiers de candidatura a património Mundial", realçando as diversas equipas dos projectos das Pinturas de Tchindu Hulo (Namibe), no Ebo (Kwanza Sul) e Mbanza Kongo (Zaire), "cidade a desenterrar para preservar".

Ela sustentou a multiplicação de acções formativas de curta duração, obtemperando "pugnar para que a Cultura se apresente regularmente nas nossas instituições culturais, manifestando desse modo, a força, a vibração da cultura nacional e, em particular, a contribuição que esta importante Memória da História do nosso país vem dando para o fortalecimento e a coesão nacional.

Entre as actividades que marcaram a quinzena cultural em Cabinda destacam-se o Concurso Radiofónico em Língua Fiote, em que participaram, através dos microfones da RNA, ouvintes interessados, a Feira de Artes e Cultura que contou com 12 expositores locais e oito oriundos de Luanda.

Do livro e do cinema

O jurista Aguinaldo Cristóvão, director do gabinete jurídico do MINCULT animou uma palestra sobre a "Legislação cultural vigente". No mesmo dia, houve a abertura de uma exposição fotográfica e documental sobre a história da província, seguida de oferta de livros à Biblioteca Municipal, bem como a estabelecimentos escolares locais. Já depois do acto central houve igualmente oferta de livros para crianças.

Tal como sublinhou no seu discurso horas antes, a ministra da Cultura voltou mais uma vez a frisar, na ocasião, a necessidade de se manter bem conservados os livros que vão engrossar a bibliotecas locais, dado que no passado o acervo desapareceu nalgumas províncias do país, depois do esforço feito pela sua aquisição, através da compra ou mesmo doações. A literatura infantil também foi marcante na véspera, com o lançamento dos livros de Roderick Nehone, que agora se abalança na escrita criativa para os mais novos.

Em se falando do livro e sua difusão, o MINCULT ofereceu às bibliotecas da província 200 títulos, adquiridos na feira do Livro da CPLP em Novembro último para estimular o gosto pela leitura do público cabindense, nomeadamente por parte dos mais jovens.

Os seminários sobre teatro e dança, gestão do património cultural edificado e a sua protecção, bem como a ortografia bantu e a organização e gestão de arquivos inaugurados a 7 de Janeiro encerraram as portas a 15 de Janeiro último, contando com a participação de quadros da Cultura de Cabinda, que irão ocupar-se doravante da estratégia de modernização e do reforço das instituições culturais atinentes do MINCULT, a nível provincial, com o recurso às novas tecnologias de informação à mistura.

Ainda no dia 8 retivemos a realização da missa em memória dos trabalhadores do sector já falecidos na província, a deposição de uma coroa de flores no Largo do Aeroporto, além do descerramento da placa de identificação do património cultural classificado, no local de embarcação dos escravos nos finais do séc. XIX, em Malembo. Tal cerimónia foi antecedida da classificação e da visita ao cemitério dos nobres (Mbuku Mbuadi), além dos edifícios em estilo holandês, todos elevados a património cultural. A quinzena contou também com um ciclo de cinema angolano em Cacongo, Buco Zau e Belize, enquadrado no abrangente programa cultural de levar a fruição da 7ª arte às populações da periferia urbana e rurais, tal como aconteceu no FIC Luanda.

Papel do ervanário

Luís Sambo Particularizando a sua intervenção em relação ao contexto cultural de Cabinda, a ministra da Cultura referiu que "olhando para o panorama da investigação científica do nosso passado recente, encontramos uma figura incontornável", destacando a figura de Luís Sambo "um testemunho a que podemos recorrer", insistindo que "há uma fonte onde devemos beber informação e inspiração (...) para tratamento das várias enfermidades dos angolanos."

A titular do MINCUL frisou também que Sambo "deixou também as suas marcas no desenvolvimento da música. Diremos que se trata de um Homem de Cultura, cujo exemplo teremos de seguir", enfatizando que "nos trilhos da nossa nobre figura angolana, o Dr. Luís Sambo, cujas raízes são de Cabinda, temos razões de sobra para perpetuar o seu legado, na perseverança, na dedicação ao trabalho, na convicção dos seus ideais, promovendo assim o amor à pesquisa e ao conhecimento."

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