Dia do Herói Nacional: A marcha, a navalha de Agostinho Neto

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Uma vintena de encontros será organizada pela Fundação António Agostinho Neto (FAAN), no país e no estrangeiro, de 10 a 17 de Setembro, no quadro da celebração, este ano, da Jornada do Nacionalista­ Mor angolano e do 90º aniversário do seu nascimento.

Esta teia surgirá das sessões de lançamento, em Luanda, e de apresentação, nas capitais de todas províncias do país, da impressionante obra em cinco volumes, intitulada "Agostinho Neto e a Libertação de Angola, 1949 ­ 1974, Arquivos da PIDE-DGS".

Este programa que mobilizará cerca de quarenta historiadores e especialistas assimilados, será completado por várias atividades de carácter social, educacional, artístico, desportivo e recreativo, cujo essencial terá lugar em Catete, vila natal do "Sekulo".

Assim, registar-se-ão a oportunas e vitais campanhas de educação rodoviária, aconselhamento e testagem voluntária sobre o silencioso VIH Sida, aulas abertas, nas escolas primárias, à volta da obra de Maria Eugénia Neto, "A trepadeira que queria ver o céu azul", projeções de filmes documentários, exibição de pecas de teatro, exposição de artes plásticas, concursos de fotografia e gastronomia tradicional.

Assistir-se-á a vários torneios e provas desportivos nas modalidades tais como as do basquetebol, ciclismo, futebol de salão, xadrez, demonstrações equestres e para-quedismo desportivo. Seguir-se-ão os inevitáveis espetáculos de música e de dança, as passeatas motorizadas e as marchas populares, uma das quais irá até ao Mausoléu do "Doutor".

QUÍNTUPLO MEMORIAL

Totalizando cerca de 5.000 páginas, o quíntuplo memorial, resultante de uma impressão de grande qualidade e de um sólido fabrico, encontra-se repartido em quadros cronológicos e é apresentado, em primus legitumus, por uma introdução geral da Presidente da FAAN, Maria Eugénia Neto.

Numa metodologia abertamente pedagógica, e que permite fazer leituras circunstanciadas dos documentos da Secreta portuguesa, inseriu-se uma notável retrospetiva histórica de autoria de São Vicente, intitulado "Agostinho Neto e a liderança da luta pela independência de Angola, 1945 -1975)".

Seguem, na senda desta dinâmica didática, uma generosa ilustração iconográfica com o desenho do "Kilamba" por António Domingues e dezenas de fotografias.

A contracapa da compilação reproduz a célebre tríptica fotografia, da Polícia Internacional (PIDE) do encarcerado, com cinco aprisionamentos e desterro para a ilha de Santo Antão, em Cabo Verde. O mapeamento da ação política, diplomática e militar do líder do Movimento dos Plebeus reforça a declinação pedagógica da coletânea.

Os comoventes documentos de arquivos da Polícia secreta lusa, cedidos pelo Arquivo Nacional da Torre do Tombo, constituem o essencial da obra e permitem compreender melhor, a partir de fontes primárias privilegiadas dos vinte cinco anos, a personalidade do "Mesene", o seu inquebrantável sentimento nacionalista, as suas démarches de audácia, prudência e inteligência políticas, assim como de estratégia diplomática.

Nota-se, entre as personalidades que apresentarão a compêndio, o historiador e perito da UNESCO, Simão Souindoula, que o fará, com Pedro Capumba, no dia 12 de Setembro, em Mbanza Kongo, na Província do Zaire.

O mesmo será apresentado na Itália por Mbeto Traça e em Portugal (Lisboa, Porto e Coimbra), poro Paulo Vicente "Nzaji".

Obra fundamental para a historiografia contemporânea de Angola, o monumental agrupamento arquivístico, ora editado, numa vontade absoluta de transparência histórica da Fundação do "Zambi Kilamba", constitui, para o país mais um suporte para um bom conhecimento da ação corajosa, durante um quarto de século, do Pai da Independência.



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