Dignificar as línguas angolanas

Envie este artigo por email

Instituto de Línguas Nacionais para se ocupar única e exclusivamente da investigação científica sobre as línguas nacionais de Angola.

Dignificar as línguas angolanas
José Pedro

Estão as línguas nacionais em perigo? A minha resposta é não. Esta questão só se coloca nos países plurilingues como são os casos dos países abordados na obra , Angola, Moçambique e Brasil, nomeadamente. Nos países monolingues esta questão não se coloca, na medida em que há apenas a existência de uma língua, logo, não há perigo nenhum.
Angola é caracterizada pela coexistência entre a língua portuguesa e as línguas nacionais, línguas maternas da maioria das nossas populações. Numa situação como esta, não pode haver supremacia e muito menos hegemonia de umas línguas sobre outras. E quando respondemos que em Angola as línguas nacionais não estão em perigo apresentamos as seguintes razões:
1.    A Constituição da República de Angola garante, dentre outros deveres fundamentais do Estado, «proteger, valorizar e dignificar as línguas angolanas de origem africana, como património cultural, e promover o seu desenvolvimento, como línguas de identidade nacional e de comunicação»;
2.    «O Estado promove e assegura as condições humanas, científico-técnicas, materiais e financeiras para a expansão e a generalização da utilização e do ensino de línguas nacionais;», através do Nº 2 do Artigo 9º da Lei de Bases do Sistema de Educação - Lei 13/01, de 31 de Dezembro de 2001);
3.    A criação do Instituto de Línguas Nacionais para se ocupar única e exclusivamente da investigação científica sobre as línguas nacionais de Angola e do estudo das suas tradições orais;
4.    A aprovação, a título experimental, dos alfabetos das línguas nacionais Kikongo, Kimbundu, Cokwe, Umbundu, Mbunda e Oxikwanyama, e as suas respectivas regras de transcrição, através da Resolução nº 3/87, de 23 de Maio de 1987 do Conselho de Ministros da República de Angola;
5.    A discussão, ao nível da Assembleia Nacional, para a aprovação de um Ante-Projecto de Lei do Estatuto das Línguas Nacionais.
Embora as nossas línguas nacionais não estejam em perigo, há a necessidade de uma melhor protecção jurídica e uma política linguística que se ajuste à realidade plurilingue do nosso país, onde o processo democrático é mais abrangente e participativo. Defendemos a tese segundo a qual aprende-se e comunica-se melhor nas línguas maternas.

Equilinguismo

A maioria da África negra é caracterizada pelo bilinguismo ou o plurilinguismo. O plurilinguismo é um fenómeno universal que não caracteriza somente a África.
Devemos combater os discursos que procuram colocar a diversidade das línguas nacionais como ameaça à unidade nacional, pois é possível a unidade na diversidade.
A melhor maneira de desenvolver e preservar a unidade linguística num país plurilingue, é  a adopção de uma política linguística baseada no equilinguismo, ou seja, no equilíbrio linguístico.
A utilização das línguas maternas permite uma maior participação da população no processo de desenvolvimento do país. Excluir as línguas nacionais do processo de desenvolvimentoé excluir os falantes dessas mesmas línguas dos assuntos do seu país.
Não estou a ver nenhum país de África, ou de qualquer outra parte do mundo, a desenvolver-se sem a participação das suas próprias línguas.

José Pedro

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos