EBO memória e paisagem: A Arte Funerária

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A arte funerária é, de facto, um outro elemento que reflecte a multiplicidade de elementos materiais intrínsecos às vivências das populações do Ebo.

Entre uma luxuriante paisagem com contrastes intensos de cor, entre os terrenos de cultivo e os afloramentos rochosos anunciam-se outros elementos de impacto cenográfico artístico e natural. Ocorre um outro elemento do seu rico acervo material e imaterial, paralelamente aos abrigos com pinturas e gravuras rupestres.

Encontramos diversas estruturas sepulcrais dispersas pelas vertentes ou no cimo das rochas, feitas de pedras sobrepostas onde estarão sepultados as autoridades tradicionais e outras pessoas.

Esses túmulos têm um valor simbólico muito grande, além da sua importância sob o ponto de vista artístico. A.Almeida & C.França (1960), A.Rodrigues (1968),C. Ervedosa (1980), dentre vários outros pesquisadores em matéria de arqueologia angolana, asseguram-nos que tratam-se de construções de sociedades bastante antigas.

De um extremo ao outro, encontramos no Ebo locais com uma densidade significativa dessas construções de arte funerária em pedras, sobretudo nas áreas chamadas "Lwanda-Ebo" e" Luxumbo", variando estas pela sua disposição, altura, formato e acabamentos. Uns são criteriosamente ornamentados mas outros nem tanto, mas, nem por isso menos belos ou interessantes.

Cremos que os seus níveis de acabamento assim como o seu tamanho corresponderão ao papel que o indivíduo teve enquanto em vida, junto das comunidades, o seu género e ainda a idade.

A eleição pelo local da sepultura (geralmente encontram-se no cimo dos morros) leva-nos a interpretar a conveniência da aproximação do finado aos céus onde a sua alma permanecerá ao lado de um ser supremo e ou dos seus antepassados, o que remete os túmulos para uma dimensão mais profunda e espiritual.

Nas sociedades antigas e mesmo muitas actuais, as montanhas são considerados lugares de poder, ligadas às muitas tradições religiosas, tornandoas em templos ou lugares de culto. As autoridades tradicionais muitas das vezes elegem esses lugares para a sua "eterna morada".

Os túmulos passam a ter um papel importante na intensificação do interesse despertado pela arte rupestre. Daí a pertinência da sua protecção enquanto bem patrimonial, independentemente de outros estudos que se venham a perspectivar no âmbito arqueológico, etnográfico e antropológico, uma vez que muitos dos locais onde estes exemplares se encontram localizados podem despertar outros interesses.

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