EBO memória e paisagem: A Arte Rupestre

Envie este artigo por email

Até recentemente eram conhecidos na região quase que meia dúzia de estações (ou sítios) de arte rupestre, a maior parte delas reveladas em 1971, das quais destacamos a de "Kijumba" ou "Lowanga" (numa aldeia do mesmo nome a cerca de 3 Km ao Sul da sede do Ebo); a de "Kumbira" ou "Bototo" (a poucos Km a ocidente do Ebo, no morro Kolowimbi, entre os bairros Kumbira e Ndongo); a de "Ndalambiri" ou "Lungu" (a cerca de 3 Km a noroeste da sede) e a de "Kayombo" (situado na aldeia Kaiombo).


EBO memória e paisagem: A Arte Rupestre

Porém, as potencialidades do território em matéria de arte rupestre (para além dos vários locais onde se pode encontrar vestígios líticos), permitiram revelar, recentemente, outras dez estações, numa acção de identificação do património histórico, cultural e natural desenvolvida pelo Ministério da Cultura com o contributo das suas comunidades, sendo estas: "Kizola" (na comuna de Kijumba e a cerca de 8 km da sede); "Kavonguengu" (a cerca de 14 Km a Este da sede, no bairro Hengu); "Kajuama" (a cerca de 8 km da sede, no bairro Bimbe); "Somwé" (a cerca de 25 Km da sede, no bairro do mesmo nome); "Kilowlwila" (numa e-fazenda no bairro Medunda ou Kisanji); "Kinjinge" ou "Kinjingue" ( na comuna de Kisanji); "Matembo Kawindi" (na comuna de Kisanji); "Morro Katete" (a cerca de 28 Km a Este da sede) e "Kibali" ou "Mbanza" (na comuna de Kisanji).

Com tal revelação calcula-se, actualmente, uma cifra de catorze locais ou estações de arte rupestre, com possibilidades, de existirem muitas outras ainda pelo interior do Ebo concorrendo com a região do Kuroca (província do Namibe) que até então era a região apontada com maior densidade de estações no contexto nacional.

É, na realidade, impressionante a quantidade de locais num espaço muito próximo entre si e compreendidos, no caso presente, no mesmo município, com pinturas e gravuras de temas diversificados; uns em abrigos mais ou menos profundos e outros nas bases dos morros (ao ar livre).

Os motivos predominantes correspondem em representações estilizadas de homens e animais, cenas de caça, tipóias de vários tipos e outras imagens dificilmente de serem decifradas. As cores variam muito, registandose uma predominância para o vermelho, branco e preto. Para C. Ervedosa (1980), podem ser seus autores os ferreiros e caçadores que, possivelmente, utilizavam no passado os abrigos para sua habitação ou oficinas.

Será importante referir que arte rupestre ou parietal angolana teve ou tem ainda uma relativa concentração na zona costeira, embora em boa verdade, essa distribuição pela zona litoral não corresponda, necessariamente, a uma zona privilegiada, mas sim, eventualmente, do facto desta pertencer à área do território, arqueologicamente mais e melhor estudada até ao momento.A (pouca) literatura produzida até aqui por estudiosos que se ocuparam à pesquisa arqueológica angolana refere que uma parte significativa da arte rupestre do nosso país conta com mais de 2 mil anos e, por conseguinte, anteriores ao período de fixação da população bantu no território e com muitas evidências de interacção com as comunidades das fases múltiplas da pré-história angolana.

O que quer dizer que essas pinturas e gravuras estão, ligadas às tradições históricas dessas comunidades, associadas às outras evidências como os achados arqueológicos, que, em conjunto constituem significativos testemunhos para o estudo e compreensão da evolução humana.

A maior parte das estações do Ebo tem contacto directo com as actuais populações. Mas, um aspecto importante dessa questão, é que muitos desses abrigos onde se pode encontrar arte rupestre, são considerados por essas populações, como seus santuários, ou seja o local onde materializam os cultos das pedras, das águas, dos astros e outras práticas tão peculiares do seu quotidiano e outras praxes em memória aos seus antepassados.

Daí que entendemos que estes locais ao serem considerados, ao longo dos tempos, como espaços sagrados dificilmente são revelados. Ou seja, os seus utentes ou detentores protegem esses locais e na maior parte das vezes mantêm-nos ocultos do conhecimento dos demais, sobretudo aos estranhos.

Conclui-se que embora haja no nosso país já numerosas estações de arte rupestre conhecidas e até protegidas por classificação como "Património Histórico-Cultural", estas podem constituir, apenas, uma ínfima parte daquilo que certamente pode existir e por se revelar.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos