Edano Lengombe: Ritual do Gado do povo Ambó

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O ritual acontece como uma forma de recuperação dos valores culturais.

Edano Lengombe: Ritual do gado do povo Ambó
Ndahuma e a familia a tendo a explicaçao Fotografia: Venancio Amaral

A população de Omalyata, na comuna de Evale, município de Kwanhama, Cunene, celebrou no fim-de-semana a festa Edano Lengombe, um evento cultural dos povos Ambós, que se realiza anualmente no final do período da transumância, e que visa a demonstração dos animais melhor nutridos.
Trata-se de um ritual que ocorre no período de Junho a Agosto, depois dos animais regressarem da zona de transumância, onde a disputa tem a finalidade de encontrar o detentor de melhor qualidade de gado da localidade.
Os animais são levados ao recinto do certame separados por idades, raças e sexo. Ali faz-se a avaliação do tamanho e da qualidade do animal em termos de peso, ganhando o pastor ou criador que tiver o maior número de animais em qualidade e quantidade.
O ritual acontece como uma forma de recuperação dos valores culturais mais antigos da região, perdidos durante a vigência do conflito armado, em particular nesta região do país.
Por regra, o período de pastagem vai de Agosto a Dezembro de cada ano, regressando as manadas após as primeiras chuvas.
Edano Lengombe é uma cerimónia tradicional, com valores culturais dos criadores de gado bovino do grupo etnolinguístico Ambós, que compõem as etnias Ovakwanyama, Ovambadja e Ovavale.
Gervásio Ndahuma, 42 anos, organizador da festa e detentor de mais de 400 cabeças de gado, asseguradas por 15 pastores, mostrou o seu potencial ganadeiro. No total, foram demonstrados 300 animais de diferentes raças e tamanhos, agrupados entre machos, vacas, novilhas e vitelos, que desfilaram por fases, onde o júri atribuiu a melhor classificação a dois machos e uma fêmea com pesos entre os 600 e os 800 quilos.
Os três animais reuniram, para além do peso, a robustez e a beleza. Como reconhecimento, a organização distinguiu os pastores tendo atribuído estímulos de uma quantia monetária de 24 mil kwanzas para o primeiro classificado, 12 mil para o segundo e 8 mil para o terceiro, pelo feito conseguido.
Segundo o organizador do certame, esta é a terceira vez consecutiva que se realiza o evento, depois do alcance da paz definitiva no país.
Gervásio Ndahuma prometeu organizar todos anos festas do género, como forma de incentivar a nova geração para preservação dos valores culturais. Lembrou que o gado representa a riqueza do povo Ambó e do povo do sul do país em geral.
O porta-voz da cerimónia, Atanasio Ndiliandike, disse que o Endano Lengombe é um ritual das comunidades locais, pois trata-se de uma competição de animais, é um símbolo com valores culturais da região.
Lembrou que é uma festa tradicional e das mais antigas, por isso é uma iniciativa louvável, num esforço das comunidades na busca da emancipação cultural e preservação da tradição dos povos que compõem o mosaico da cultura angolana.
Esclareceu que durante o desfile os animais são observados rigorosamente pelos mais velhos, atentos aos movimentos, procedimentos e outros aspectos tradicionais seculares.
Alguns aspectos a ter em conta, e que têm a ver com o ritual, começam desde o pátio (Olupale), passando pelo corredor que dá acesso ao curral, dirigido pelos mais velhos com reconhecida idoneidade.
A localidade Omalyata dista a 80 quilómetros de Ondjiva, e é uma região potencialmente agro-pecuária.

Efundula - festa da puberdade
Para além de Edano Lengombe, os povos Ambó celebram outras cerimónias tidas como importantes na região. Como exemplo, a festa da puberdade feminina denominada Efundula, preparada com antecedência de seis meses e realizada no período entre Novembro a Dezembro de cada ano. Normalmente, a festa decorre durante cinco dias.
Os pais, matam, a partir do segundo dia, um boi ou mais e, nalguns casos, os tios da parte materna da jovem também oferecem animais para serem consumidos no evento.
Se a jovem “onfuko”, denominação dada à pessoa que passa pela cerimónia de puberdade tiver compromisso matrimonial, ela sai da festa, após os cinco dias, directamente para a casa dos pais do seu noivo. Onde permanece durante dois dias, regressando depois para a casa dos pais a fim de, durante quatro dias, receber todas as instruções necessárias acerca de como cuidar do marido e dos seus parentes. Depois de todas as formalidades, a jovem noiva segue em definitivo para casa do marido.

DIONISIO DAVID | Omalyata

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