Feira do Dondo: Espaço de coexistência da diversidade cultural

Envie este artigo por email

Realiza-se este ano, de 18 a 20 de Setembro a 5ª edição da Feira do Dondo naquela cidade (município de Kambambe, província do Kwanza-Norte).

FEIRA DO DONDO: Espaço de coexistência  da diversidade cultural
FEIRA DO DONDO:Espaço de coexistência da diversidade cultural

Como inovação, aFeira do Dondo pretende, ambiciosamente, ser um dos eventos de referência regional e até mesmo nacional, tendo para este ano, reforçado a aposta na promoção do turismo na região, tendo uma programação que contempla a participação demunicípios vizinhos da províncias de Luanda e Malanje, promovendo o aumento em oferta e qualidade.
Com uma ampla zona de expositores, a feira tem sabido manter a sua fama de montra viva do artesanato da região e igualmente uma oportunidade de negócio para as populações naquela região, sendo que além do artesanato estarão expostos (e à venda) nos stands produtos agropecuários assim como se farão presentes expositores industriais e produtoras literárias.
Na realidade, não se trata de uma simples feira, mas sim, de um grande festival com um vasto programacom diversificadas propostas de animação sócio-cultural com ciclo de palestras e de leitura, oficinas de formação, visitas guiadas ao património cultural, histórico e natural, exposições temáticas, apresentação de obras, cinema e oficinas de turismo e de revalorização dos monumentos classificados naquele município, preparadas pelo Ministério da Cultura e Governo da Província do Kwanza-Norte.
Os visitantes terão ainda contacto com a história dos vários locais de interesse histórico, cultural e turísticos da região, através de visitas guiadas às localidades de Kambambe, Masangano, Centro Histórico do Dondo, Nova Oeiras, Ilha de Ndalagombe, dentre outros locais, que permitirão aprender importantes lições de história e do passado.
A Feira do Dondo, é realizada anualmente e, nesta edição, foi incluído no pacote da programação da segunda edição do Festival Nacional de Cultura de Angola, “FENACULT 2014” promovido pelo Ministério da Cultura e contará com uma “animação itinerante” proporcionada pelos denominados “Comboios Culturais” que percorrerão por várias partes do país de 30 de Agosto a 20 de Setembro do corrente ano.

Feira do Dondo, história
A Feira do Dondo, no passado, foi um importantíssimo entreposto comercial, porque a única via de penetração para o interior era o rio Kwanza e o porto principal era Dondo que ligava o comércio do Norte ao do Sul de Angola. Sal, sal gema, peixe seco, café, óleo de palma, artefactos de metal, eram, dentre muitos outros, os produtos que a população comercializava nessa feira.
Por volta de 1583 que Paulo Dias de Novais, ao iniciar a sua marcha pelo Rio Kwanza rumo à descoberta das fantasiosas minas de prata em Kambambe, entra em contacto directo com o famoso povoado ou entreposto comercial, ou seja, a célebre feira fluvial do Dondo que, ao ser já de grande interesse económico para as populaçãoafricana, veio a ser também, para Portugal. Colonos portugueses passaram a controlar o seu movimento mercantil, sobretudo com o incremento de um novo produto: os escravos.
Os negociantes e colonos portugueses organizaram na região um intenso tráfico de escravos que era facilitado pela ligação entre o Kwanza e o Atlântico. Mas, outras vezes, os escravos eram encaminhados para Luanda em caravanas!
Pelo incremento dado à actividade esclavagista, comercial e portuária, Dondo registará, consequentemente, uma gradual densidade demográfica, constituída pela população africana e portuguesa ao mesmo tempo que se desenvolve um aglomerado de características propiciadas pelo incentivo dessas mesmas actividades que perduraram até perto do século XX.
Mais tarde, entre finais do século XIX e princípios do século XX a via fluvial acabará por ficar para trás e os processos de comunicações ao se tornarem mais eficientes, além de outras de carácter social e humano acabaram por triunfar. Consequentemente a feira e a cidade acabaram em decadência.
A sua realização hoje resulta da necessidade da sua reconstituição histórica, promovendo o conhecimento sobre a importância que a antiga Feira do Ndondu, tinha para a economia das populações em Angola em épocas passadas e de promover o Turismo na medida em que Dondo é um centro de irradiação para atracção turística, rodeado de outros locais de memória. Referimo-nos aos santuários (Muxima, Masanganu e Rosário), à barragem de Kambambe, as famosas ruínas de Nova Oeiras, a pitoresca Vila de Kalulu, a pedra Laúca, as luxuriantes florestas de Kazengu e de Libolo, os impressionantes rápidos e cataratas assim com as tradições populares.
Todo esse património, de valor cultural (material e imaterial) e natural deve ter, efectivamente, um aproveitamento turístico.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos