Fotos raras na Mediateca de Luanda: Agostinho Neto e sua família

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Exposição fotográfica patente na Mediateca de Luanda, até ao dia 10 de Setembro, no âmbito do FENACULT, mostrou o político e poeta António Agostinho Neto em várias situações de convívio, ao longo de várias décadas, com elementos da sua família: esposa, filhos, pais, irmãos…

Agostinho Neto e sua família
Agostinho Neto e sua família

Sui generis por isso mesmo, a exposição trouxe ao conhecimento dos jovens estudantes, a maioria esmagadora do público que frequenta a Mediateca, um Agostinho Neto nos raros momentos de repouso e desfrute familiar, despojado, em certa medida, das responsabilidades imediatas atinentes à condição de líder da luta pela emancipação nacional, primeiro, e do Estado angolano, depois.
As fotos, ao retratarem Agostinho Neto esposo, Agostinho Neto pai, Agostinho Neto filho, Agostinho Neto irmão, trouxeram à nossa memória uma figura tão humanamente simples como nós, como as que nos rodeiam no dia-a-dia, sem a aura épica da história, como habitualmente o herói nacional surge nas exposições fotográficas.
Talvez por isso tenham captado as atenções demoradas do público.
Primorosamente montada e arrumada, a exposição reuniu acervo fotográfico dos arquivos particulares de Maria Eugénia Neto, viúva, Irene Alexandra Neto, filha, Irene Agostinho Neto e Maria Ruth Neto, irmãs, e ainda, de Doris Blake. A Fundação Dr. António Agostinho Neto disponibilizou igualmente material fotográfico.
Tendo como eixo central a árvore genealógica de Agostinho Neto, a exposição incluiu vários painéis com textos elucidatórios. Um deles dizia: “Esta mesma família, unida por Agostinho Neto, foi por ele influenciada a obter uma educação sólida e uma protecção, a defender-se, produzir e lutar contra qualquer tipo de discriminação, dominação ou exploração do homem pelo homem, a ajudar os que mais precisam como aconteceu com o nosso auxílio aos povos da Namíbia, Zimbabwe e África do Sul que se tornaram finalmente livres, pois como sempre disse ‘Nós queremos que os homens sejam cada vez mais felizes para harmonia do Mundo’.”
Outro painel sublinhava que “os vários retratos em que podemos encontrar Agostinho Neto em família, apresentam claramente as diferentes facetas da sua educação para a valorização das pessoas ligadas por consanguinidade, parentesco ou mesmo amizade”.
Se o conceito de família em África já é, de per si, alargado, o de Agostinho Neto, segundo os organizadores, era muito mais alargado: “Quer antes, durante ou após o período da independência de Angola, por si proclamada a 11 de Novembro de 1975, Agostinho Neto, logo que se apercebe que o conjunto de pessoas que partilhavam o mesmo espaço territorial, as tradições e a história em comum, careciam de uma preocupação ainda maior, desviou- se um pouco da atenção à sua família, agrupando esta no leque dos cuidados que todo o conjunto de populares merecia, a que passou a chamar-se de família angolana que, de Cabinda ao Cunene iria consolidar-se como Um só Povo, Uma só Nação”.

Vem poeta, vem
(Ao poeta nacional de Angola)

Vem poeta vem, festejar o “verde das palmeiras
da ‘nossa’ mocidade”. Vem poeta, celebrar
a gota verde que amortece qual mola.
E se apaga, igual à rota
sem rumo ou como
a rosa espinhosa
(só ela)
se sustenta em silêncio
contra alguma
indiferença, mas
resignada
mente
de
pé!
Vem poeta, vem
Irradiar, irrigar
esta estepe
res
se
qui
da

Zango 3, Setembro de 2013
António Gonçalves
Do livro inédito
“Sobre Asas e Fios de Rosa”

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