Miguel Júnior: "A história militar é um campo do saber que a todos diz respeito"

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Diante dessa realidade, foi constituído um grupo de trabalho, composto de vários especialistas.

Miguel Júnior:
Miguel Júnior Fotografia: Paulino Damião

Foi lançada no passado dia 7 de Abril, no memorial Dr. António Agostinho Neto, a obra História Militar de Angola que resulta da iniciativa das Forças Armadas Angolanas.
A decisão para a concepção partiu da constatação de que as Forças Armadas Angolanas não tinham uma obra sobre o seu percurso militar quando a história de Angola é bastante rica neste domínio. Diante dessa realidade, foi constituído um grupo de trabalho, composto de vários especialistas, o qual foi encarregue da tarefa de redigir a presente obra.
Conforme destaca a introdução, esta obra não esgota o manancial de informações disponíveis a respeito da história militar angolana. “Neste sentido há muito a fazer”, sublinhou o coordenador da pesquisa, tenente-general Miguel Júnior. “O trabalho que temos diante de nós é árduo e implica conhecimentos sobre historiografia militar, estudos de guerra e de segurança. Ao mesmo tempo, ele exige a entrega de todos quantos se disponibilizem para o efeito”, acrescentou, a dado passo da sua intervenção..
Miguel Júnior apelou a que se preste maior “atenção à nossa história militar, pois a história militar, enquanto parte integrante da história dos povos, sempre foi valorizada ao longo dos tempos. A história militar é um campo do saber que a todos diz respeito. Além do mais, a história militar de Angola deverá ser objecto de estudos nos estabelecimentos de ensino militar e nas universidades do nosso país, porquanto a "história militar não mais deve ser confundida com história dos militares nem com a mera história das batalhas". Aliás, na actualidade a historiografia militar alicerça-se no novo paradigma historiográfico, que comporta uma perspectiva mais abrangente onde se entrecruzam várias abordagens. Assim, a historiografia militar também abandonou o paradigma tradicional da historiografia, que valorizava sobretudo a perspectiva político-militar e a função da legitimação política da história.”

PERIODIZAÇÃO HISTÓRICA

Concebido na perspectiva de se dotar as Forças Armadas Angolanas de uma obra sobre o percurso histórico-militar de Angola, de modo a facilitar o seu entendimento e estudo a todos os níveis, esta obra sobre história militar de Angola é composta de quatro partes e oito capítulos. A primeira parte abarca os séculos XVI, XVII, XVIII e XIX. A segunda parte engloba o século XX e mais concretamente o espaço de tempo que vai de 1900 a 1960. A terceira parte congrega o período de 1960 a 1975 e a quarta parte abrange o período de 1976 a 1991. Entretanto, por razões muito particulares, os dados militares de 1992 a 2002 não foram aqui tratados. Logo, eles serão trabalhados oportunamente.
Em cada uma das partes integrantes deste trabalho, e mais concretamente nos seus capítulos, há diversas informações e descrições sobre acções militares, combates, batalhas e guerras que marcaram cada período de forma concreta. Mas as matérias militares e de guerra também foram articuladas com assuntos políticos, culturais, económicos, religiosos e de âmbito internacional que tiveram lugar nas diferentes conjunturas e nos espaços geográficos dos reinos africanos da África Central Ocidental, no Brasil, em Portugal e em Angola nos períodos colonial e pós-colonial. A obra foi concebida, no entanto, com base em fontes primárias e secundárias. Nalguns casos, com destaque para as matérias relativas à segunda metade do século XX, os investigadores levaram a cabo entrevistas que permitiram clarificar determinados pontos e enquadrar melhor certas situações. Mas também importa esclarecer que alguns capítulos foram abordados de maneira muito resumida na medida em que as matérias tratadas são amplamente conhecidas e referenciadas no quotidiano. Aliás, essas matérias já constam de obras nacionais e estrangeiras.
Finalmente, como se pode ainda ler no prefácio que temos vindo a reproduzir, “sendo esta obra um modesto contributo para o estudo e para a compreensão da história militar de Angola, não esgota o manancial de informações disponíveis sobre o assunto.”

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