MONUMENTO AO SOLDADO DESCONHECIDO LUGAR DE MEMÓRIA DE UMA GESTA GLORIOSA

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A gura, representando metaforicamente o soldado herói, indica a sua passagem da vida
para a eternidade e a sua estrutura e o seu design geral elevam o memorial acima do solo, simbolizando a extensão da Nação para a imensidão do imaginário, em exaltação ao sacrifício
dos soldados,

Monumento do soldado desconhecido Fotografia: Jornal Cultura

Aqueles que com suor, dedicação e entrega, pegaram em armas para defender a Pátria podem, agora, ser recordados e homenageados, por todos, no Monumento ao Soldado Desconhecido. Erguido na cidade capital, Luanda, no largo defronte aos Correios de Angola, para quem vem a descer a rua do 1º Congresso do MPLA, a inauguração do monumento, erguido no mês do Herói Nacional,foi feita pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, no sábado, dia 23 de Setembro.

O anúncio da inauguração do monumento levou distintas figuras e muitos cidadãos nacionais, até mesmo estrangeiros, ao largo para ver o majestoso monumento, que é uma representação do “respeito” pelos homens e mulheres, que, de forma directa ou indirecta, contribuíram para a edificação de uma Angola próspera, pacífica e ordeira, conforme explicou a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira.
No acto, Carolina Cerqueira disse que esta é uma homenagem, a todos os títulos, justa e oportunaaos milhares de soldados desconhecidos que morreram numa frente de batalha, em solo angolano, em nome de um ideal ou no cumprimento de um dever.
“A capital do país passa, assim, a exemplo de outras grandes capitais, a dispor de um monumento emblemático, que simboliza o respeito por aqueles que generosamente deram as suas vidas para que fosse possível construirmos hoje uma vida nação livre, independente democrática e próspera”, disse.
O monumento erigido, acrescentou, pela sua relevância histórica vai ecoar a sua beleza e importância, além de mostrar-se a altura da homenagem feita ao soldado desconhecido e está destinado, certamente, a tornar-se um espaço de frequência habitual dos cidadãos e turistas estrangeiros. Pela sua qualidade e beleza estética, adiantou,o monumento vai agregar valor para a estrutura urbana do centro histórico de Luanda, cumprindo igualmente uma função cultural importante.
“Pelo conteúdo nele inserido deverá ser um lugar de Memória, relacionada com a nossa história política e militar contribuindo para o enriquecimento da herança colectiva e para todos os visitantes vai ser mais uma oportunidade de saber o que custou a liberdade e reconhecer no presente obreiro o passado de uma gesta gloriosa e de combate tombada em defesa da sagrada Pátria, cujos nomes são desconhecidos, mas o coração reconhece e enaltece.”

O LOCAL
Para um monumento à altura, foi escolhido um espaço adequado e capaz de responder às honras merecidas pelos heróis da Pátria.
A escolha do local, o largo entre os Correios de Angola e a Marinha de Guerra, explicou a ministra da Cultura, foi feita por ser uma das mais emblemáticas avenidas da cidade Capital, desde séculos anteriores, situado na zona histórica da cidade velha, que termina na Baía, perante a imensidão do Oceano Atlântico, “um dos principais cartões de visita da cidade”, procurou dar a dignidade e a magnitude que o monumento merece.
Como homenagem e lembrança foram incluídas nas laterais do monumento imagens simbólicas de guerreiros e soldados, escoltados por cedros, “quais sentinelas, representando todos os que lutaram e tombaram no solo Pátrio”.
“As frases de exaltação da Constituição da República, da proclamação da independência Nacional e de importantes discursos de Sua Excelência José Eduardo dos Santos revelam o significado e a importância de dizeres que consagram os heróis e os valores mais sublimes da Nação, cujo ponto mais alto é o Hino Nacional.”
A estrela dourada, continuou, ao centro do monumento, simbolizada pela chama eterna, constitui a maior Glória que os valorosos soldados merecem pela sua entrega final à causa da Pátria, a mais sublime de todas as causas.
“A figura, representando metaforicamente o soldado herói, indica a sua passagem da vida para a eternidade e a sua estrutura e o seu design geral elevam o memorial acima do solo, simbolizando a extensão da Nação para a imensidão do imaginário, em exaltação ao sacrifício dos soldados, cujas lanças rompem o infinito, desafiando o horizonte e rasgando de forma indelével o tempo dos soldados desconhecidos, mas heróis de muitas nacionalidades que são hoje representados neste monumento que nos orgulha a todos e dignifica a Pátria Angolana pela sua Majestosa originalidade e simbolismo, que será uma referência a nível Mundial e que podemos nos orgulhar por ser uma obra criada por jovens artistas angolanos, cujo desafio da criação arquitectónica mereceu o reconhecimento das melhoras e mais conceituadas escolas de Belas Artes estrangeiras”,acresceu.
O novo monumento, destacou, enriquece sobremaneira o património cultural de Luanda, cuja construção é uma feliz iniciativa do Presidente José Eduardo dos Santos que assim pretendeu também lembrar às gerações vindouras, como recentemente afirmou que “recordar a heroicidade do povo angolano é antes do mais, recordar a paz, rejeitar a guerra e a violência como meio de resolução de problemas”.
Testemunhas destas palavras, disse, no final, são as crianças que assistiram ao acto e simbolizam o futuro e a continuidade da homenagem ao Soldado Desconhecido, um símbolo indelével de orgulho pela cultura que valoriza a Nação inteira.

IDENTIDADE
Como um meio para reafirmar, não só a defesa da Pátria, como também a identidade nacional, o monumento, é, para o ministro da Construção, Artur Fortunato, um legado às gerações vindouras, que precisa ser preservado e divulgado, de forma que estes nunca esqueçam o quanto custa a liberdade e todos os que deram a sua vida por ela.
No percurso da luta pela independência, destacou, milhares de angolanos deram a sua vida pela defesa da pátria, portanto, mais do que justo, o monumento é um dos notáveis esforços dos angolanos na sua luta secular pela construção e afirmação da sua própria identidade. “A história do país possui factos e momentos marcantes que no seu conjunto concorrem para preencher a herança secular do povo, caracterizada pela luta incessante pela sua dignidade.”
Ao chamar atenção dos jovens para princípios como a Pátria e a importância dos valores culturais e históricos, Artur Fortunato lembrou que os soldados desconhecidos são todos os angolanos destemidos, cuja a identidade maior é a angolanidade que carregam e hoje se imortaliza. “É uma obrigação patriótica preservar no tempo tais feitos como facto de coesão e unidade nacional.”
Para o ministro, o monumento, resultante de uma orientação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, é uma obra de arte digna e merecedora de encerrar em si a memória da Nação. “É uma construção, que combina arte e engenho, com os materiais empregues, para ter a devida dignidade”, concluiu no acto de inauguração.

18 SOLDADOS
Em quatro meses, uma equipa de arquitectos e engenheiros nacionais trabalhou arduamente, para dar vida a este projecto. Um legado para todos, em especial os que tombaram pela liberdade de todos. Liderados por Ricardo Henriques, os criadores do projecto trabalharam com vários artistas da praça nacional, num projecto singular, “sem uma replica no mundo”.
Com o objectivo de inspirar as futuras gerações na defesa da integridade da soberania e da pátria, o monumento foi feito numa área de 13 mil e 100 metros quadrados. Embora tenha retirado um pouco do que havia na praça anterior, a nova criação trouxe mais beleza ao espaço, onde antes haviam balneários, barracas e até pessoas a dormirem. Agora, com edifícios emblemáticos ao redor, como os Correios de Angola e a Marinha de Guerra, o monumento vai procurar dar uma nova vitalidade à baixa de Luanda. “O monumento não se cinge só àescultura”, disse, adiantando que há um enquadramento maior. “A arborização é um destes detalhes. Existem cedros que quando crescerem vão ter um formato de sentinelas e servir como guardiões da praça”, explicou.
Antes de chegar à escultura, existem dois murais, um àesquerda para explicar as razões da criação do monumento, e um outro à direita com o hino nacional. Depois segue-se por um “Caminho de Honra”, revestido em pedra branca, com uma rampa que permite chegar ao centro do monumento, onde tem uma estrela - a mais alta condecoração do soldado e no centro tem a “Chama do soldado imortal”.
A escultura tem 23 metros de altura e pesa, no total, 120 toneladas de ferro. A escultura estilizada foi feita a partir de um ferro trabalhado. De uma forma abstracta representa uma figura humana, de onde se pode contar 18 soldados.
Ao contemplar a escultura, de cima a baixo, os visitantes podem ver nos perfis os pés e depois um entrelaçamento de todos, um símbolo da união entre os soldados. Ao subir um pouco mais acima vê-se o tronco e depois vêm os braços. Cada umdos perfis pesa, em média, 8,7 toneladas.
A HISTÓRIA
“Soldado Desconhecido” é o nome que recebem os soldados que morreram em tempo de guerra, sem que os seus corpos tenham sido identificados. Na maioria das vezes, são recordados através de um túmulo simbólico, representando os soldados de um país que morreram em determinado conflito sem identidade conhecida. No entanto, alguns contêm os restos mortais de soldados falecidos nesses acontecimentos.
A tradição de distinguir o soldado desconhecido teve início no Reino Unido quando, ao fim da Primeira Guerra Mundial, o país enterrou um combatente desconhecido em nome de todos os exércitos do Império britânico, na Abadia de Westminster em 1920. Este acto simbólico levou outras nações a seguir o exemplo. Um dos túmulos mais famosos é o que está sob o Arco do Triunfo de Paris, que foi instalado em 1921 para honrar os mortos por identificar da Primeira Guerra Mundial. Outro antigo memorial deste tipo é o memorial do morto desconhecido da Guerra civil dos Estados Unidos de 1866.
A história de soldados que não são identificados durante a guerra é bastante comum. Na literatura são muitos os trabalhos sobre o tema e alguns foram mesmo transpostos para o cinema, como a do livro “O Paciente Inglês”, do canadiano Michael Ondaatje, que deu ao realizador Anthony Minghella o Óscar de melhor filme.

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