O Canto de Intervenção e as ex-colónias portuguesas antes, durante e depois da guerra colonial

Envie este artigo por email

4. A guerra colonial no pós 25 de Abril.

O Canto de Intervenção e as ex-colónias portuguesas antes, durante e depois da guerra colonial
Teta Lando Fotografia: Paulino Damião

Uma criança dizia, dizia
“quando for grande
não vou combater"
Como ela, somos livres
somos livres de dizer

Em 25 de Abril de 1974 finalmente a "gaivota voava voava", esfuziante por encontrar a liberdade. Mas esta cantiga, escrita e interpretada por Ermelinda Duarte com arranjos de José Cid, embora representasse simbolicamente o corte com a ditadura, era apenas o balanço para conteúdos que muito mais claramente demonstrariam o sentir da época. Muito curioso será acompanhar o sentimento que a evolução da sociedade relativamente às antigas colónias vai demonstrando à medida que o tempo passa. Se antes do 25 de Abril as cantigas denunciavam, dentro do possível, racismo e outras injustiças coloniais, o fim da guerra e o imparável caminho para as independências trouxeram palavras que festejavam essas vitórias ou, agora claramente, gritavam os horrores da guerra. Mas as feridas vão lentamente sarando, as relações com esses estados vão-se normalizando, as pessoas tendem a ser recebidas em cada país como iguais e quarenta anos depois, salvo alguns casos onde a memória ou acidentes pontuais obrigam a relembrar os velhos tempos, estamos em sons de colaboração e partilha cultural, com músicos a criarem projectos de fusão ou mesmo de mestiçagem.
E logo em princípios de 1975 Paulo de Carvalho, com versos antigos de Manuel Alegre, lembrou o massacre de Nambuangongo em Agosto de 1961, a primeira grande operação militar em Angola depois de em Abril começarem a ser enviados contigentes militares para Luanda

Em Nambuangongo tu não viste nada
não viste nada nesse dia longo longo
a cabeça cortada
e a flor bombardeada
não tu não viste nada em Nambuangongo

Em 27 de Julho de 1974 o General Spínola declara que "A Lei constitucional n.° 7/74, decretada pelo Conselho de Estado, e ontem promulgada, cria o quadro de legitimidade constitucional necessário para que se dê imediatamente início ao processo dei descolonização do ultramar português. Assim, e na mais perfeita coerência com a linha de acção do meu governo na Guiné, chegou o momento de o Presidente da República reiterar solenemente o reconhecimento do direito dos povos dos territórios ultramarinos portugueses à autodeterminação, incluindo o imediato reconhecimento do seu direito à independência."
Estava concretizado o sonho, o sofrimento de tantos portugueses e africanos tinha compensado! Esta alteração qualitativa do regime político, económico, social e cultural em Portugal teria profundos reflexos no sentir da população. Não foi uma decisão fácil, a facção spinolista defendia a criação de uma federação, visão neocolonialista que viria a ser obrigada a abandonar: Moçambique alcançaria a sua soberania em Junho, Cabo Verde e São Tomé em Julho e Angola em Novembro de 1975, enquanto já em 15 de Outubro de 1974 Portugal havia reconhecido a plena soberania da União Indiana sobre os territórios de Goa, Damão, Diu, Dadrá e Nagar Aveli.
Por isso Júlio Pereira e Carlos Cavalheiro e o seu grupo Xarhanga, num rock progressista misturado com sons africanos e portugueses, canta em INDEPÊNDENCIA do album BOTA-FORA de 1975

quem diz que sim
quem diz que não
paigc
frelimo
mpla
e ainda andam
tantos portugueses
a dizer talvez
Independencia!

Pode ler-se na contra-capa que o álbum "refere-se específicamente a três colónias portuguesas, porque foi nelas que se desenvolveu a luta armada, luta esta que arrastou milhares e milhares de jovens portugueses, para os quais ele é dirigido. A nossas homenagem estende-se a todos os movimentos que, pelo mundo fora, de armas na mão se necessário, lutam pela libertação dos seus povos, pelo fim da opressão, pela destruição do colonialismo, do neo-colonialismo e do Imperialismo, pela Independência Nacional." Podem também encontrar-se, entre outros, os temas MPLA e VIVA A GUINÉ-BISSAU LIVRE E INDEPENDENTE.
A Guiné Bissau já havia proclamado unilateralmente a independência em 1973, mas apenas em 10 de Setembro de 1975 foi reconhecida pelo governo português, e logo a seguir o Grupo de Acção Cultural - Vozes na Luta com a ajuda de José Mario Branco, volta a gritar VIVA A GUINÉ-BISSAU LIVRE E INDEPENDENTE! no álbum A CANTIGA É UMA ARMA, enquanto José Barata Moura denunciava o COLONIALISMO no álbum "DE CRAVO VERMELHO AO PEITO".
Ainda em 1975 o cantor angolano Ruy Mingas gravou 4 temas que já cantava nos encontros clandestinos, fugindo à censura: MONANGAMBÉ/ MONANGAMBÉ (António Jacinto)/ QUEM TÁ GEMENDO (Solano Trindade)/ ADEUS À HORA DA PARTIDA (Agostinho Neto)/ MUIMBUUASABALU (Mário Pinto de Andrade), escrevendo Luandino Vieira na contracapa "Aqui está uma das vozes libertadoras de Angola - de África, do Mundo, portanto. Com Agostinho Neto, negro poetano angolano denuncia; denuncia com António Jacinto, poeta branco angolano; denuncia com Mário de Andrade, mestiço, poeta, angolano. E com aquele que é nosso irmão e filho e tudo mais quanto é, brasileiro, nosso mais-velho poeta, Solano Trindade, ainda pergunta: quem está gemendo, negro ou carro de bois? Este disco é a resposta: quem está gemendo é carro de bois! Negro, esse, já está cantando - Ruy Mingas, angolano". Mais tarde grava também Os Meninos do Huambo, um poema de Manuel Rui Monteiro, um canto à esperança!

Com fios feitos de lágrimas passadas
Os meninos de Huambo fazem alegria
Constroem sonhos com os mais velhos de mãos dadas
E no céu descobrem estrelas de magia

O Grupo Outubro, constituído por Carlos Alberto Moniz juntamente com Pedro Osório, Alfredo Vieira de Sousa, Madalena Leal e Maria do Amparo, no álbum de 1976 “A Cantar Também a Gente se Entende” , ainda canta VIVA O MPLA.
Mas gradualmente os conteúdos vão-se alterando, surgem crónicas simples do dia a dia, começam a ser contados casos do quotidiano na vivência dos africanos em Portugal. Paulo de Carvalho agora já canta um amor entre africanos em Lisboa, com saudades de cabo-verde e cheiro a canela, na cantiga Cab’Verde Na Estrela no seu álbum Volume I editado em 1978.
"A Europa Connosco" era o slogan de Mario Soares e do Partido Socialista em finais dos anos 70, criando ilusões que lhe valeram ganhar as eleições legislativas em 1983, aliando-se em seguida ao PSD e criando o Bloco Central.
O Governo chefiado por Mário Soares e Mota Pinto conclui acordo com o FMI, corta o 13.º mês aos funcionários públicos, o escudo desvaloriza 12%, aumentam os combustíveis. Este agravamento das condições económicas cria contestação social que é aproveitada por movimentos de extrema direita para voltarem a movimentações racistas e violentas. José Afonso, no último álbum onde canta todas as canções, é caustico e directo ao retratar essas acções de "meninos nazis".

Os pretos, os comunistas Os Índios, os turcomanos Morram todos os hirsutos! Fiquem só os arianos !
Chame-se o Bufallo Bill Chegue aqui o Jaime Neves Para recordar Wiriamu, Mocumbura e Marracuene

Veja-se a letra completa, que servirá de homenagem a alguém que enquanto viveu, e apesar de alguns "exageros" na critica social, nunca esqueceu a força da canção!

O país vai de carrinho Vai de carrinho o país Os falcóes das avenidas?São os meninos nazis
Blusão de cabedal preto Sapato de bico ou bota Barulho de escape aberto Lá vai o menino-mota
Gosta de passeio em grupo No mercedes que o papá Trouxe da Europa connosco Até à Europa de cá
Despreza a ralé inteira Como qualquer plutocrata Às vezes sai para a rua De corrente e de matraca
Se o Adolfo pudesse Ressuscitar em Abril Dançava a dança macabra Com os meninos nazis
Depois mandava-os a todos Com treze anos ou menos Entrar na ordem teutónica?Combater os sarracenos
........
Que a cruz gamada reclama e novo o Grão-Capitão Só os meninos nazis Podem levar o pendão
Mas não se esquecam do tacho Que o papá vos garantiu Ao fazer voto perpétuo De ir prà puta que o pariu
álbum Como se fora seu filho de 1983

Na transição da década de 80 para a de 90 surgiram diversas novas formações musicais, a que se designou "o boom do rock português", com Rui Veloso em 1986 carinhosamente a descrever um negro que dança com o seu rádio de pilhas

Patilha comprida e carapinha Com um visual garrido Dançando enquanto caminha Rádio colado ao ouvido
e no mesmo ano os GNR em Ao Soldado Desconfiado avisam que apesar da terrível memória da guerra colonial já poder estar longe, outras guerras poderão estar a nascer, talvez mais complexas e maquilhadas

O cheiro a carne assada humana
será uma recordação
nem mais um soldado anónimo
dormirá neste caixão
....
Será nos gabinetes
que se ditará a nova guerra

Mas serão os Delfins que mais claramente retomam o assunto em Aquele Inverno, gravado em 1987 no álbum O Caminho da Felicidade. Doze anos depois do fim da guerra as memórias mantêm-se, confirmando que há traumas que o tempo não apaga...

Há sempre a lembrança de um olhar a sangrar de um soldado perdido em terras do Ultramar por obrigação aquela missão
Combater a selva sem saber porquê e sentir o inferno a matar alguém e quem regressou guarda sensação que lutou numa guerra sem razão... sem razão... sem razão...

Nesse ano Portugal adere à CEE, vira-se para a Europa e Fausto, sarcástico, sublinha essa transição em FOI POR ELA, comentando o que se perdeu e o que se irá ganhar (?)...

Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos em vez daquela manga curta colorida se vais sair minha nação dos cabeçalhos ainda a tiritar de frio acometida mas o calor que era dantes também farta e esvai-se o tropical sentido na lapela foi por ela que eu vesti fato e gravata que o sol até nem me faz falta foi por ela

Em 21 de Maio de 1990 no decorrer de um congresso realizado em Lisboa, combatentes dos dois lados do conflito em África abraçam-se fraternalmente, dando um passo decisivo para a reconciliação e superação de feridas antigas. Apesar disso a banda Punk de Lisboa Censurados, no álbum homónimo de 1990, grava o tema Guerra Colonial, lembrando sofrimentos e mortes

Os soldados todos em formação Vão todos lutar pela sua nação Foi num dia, aconteceu em Portugal Começou a guerra colonial
Só iam p'ra lutar Só iam p'ra matar
Foi no ano de 1961 No dia que Salazar citou: "Meus bravos, meus dados, meus compatriotas, Vão para a guerra, calcem lá essas botas"
Só iam para sofrer Só iam para morrer
Nesse mesmo ano Rui Veloso volta ao assunto no álbum MINGUS E SAMURAIS, contando a história de uma madrinha de guerra em UM TROLHA DA AREOSA e chora o DIA EM QUE O MENO ROCK MORREU

E a má nova veio em Março
Como um céu que escureceu
Chovendo uma dor
sobre o bairro
No dia em que o Meno Rock morreu

Como que a caminho da catarse, os temas vão-se sucedo e em Mulher d´armas Rui Veloso fala da viuva que chora o amor que não voltou

O meu amor
Onde está ele
Trocou-me por uma quimera
É um mundo de homens
A fazer a guerra
E de mulheres sempre à espera

Já passaram 18 anos, muitas das "portas que Abril abriu" parecem fechar-se e o então Primeiro Ministro Cavaco Silva, além de desvalorizar o escudo em 6%, toma decisões que enfurecem a população: milhares de estudantes protestam contra as propinas cercando a Assembleia da Republica, a maioria das câmaras municipais fecha simbolicamente as portas em protesto contra a política centralizadora do Governo, começa a entender-se que, como prenunciavam os GNR, a liberdade que nos dão não é exactamente a que merecemos. João Aguardela dos Sitiados sente-se um Soldado numa guerra que se eterniza

Ai, esta eterna guerra
Ai, que me obriga a ser soldado
Já vejo a bandeira erguida
Já sinto a dor companheira

Ai, neste mar fico tão só
Por este mar
Liberdade onde vais?
Liberdade onde cais?

Esta luta é por te amar

Ai, este soldado que cerco
Ai, este soldado sou eu, sou eu!

Nos olhos a mesma dor
No peito um medo igual
Ai, sinto queimar este fogo, dentro de mim!
Liberdade onde vais?
Liberdade onde cais?

Esta luta é por te amar
Este sangue é por te amar
É por te amar

No ano seguinte, em 1993, Sergio Godinho folheia um álbum onde tudo está resumido!

Chega-te a mim Mais perto da lareira Vou-te contar A história verdadeira
A guerra deu na tv Foi na retrospectiva Corpo dormente em carne viva Revi p´ra mim o cheio aceso Dos sítios tão remotos E do corpo ileso Vou-te mostrar as fotos Olha o meu corpo ileso
Olha esta foto, eu aqui Era novo e inocente "Às suas ordens, meu tenente!" E assim me vi no breu do mato Altivo e folgazão Ou para ser mais exacto Saudoso de outro chão Não se vê no retrato
..............
Nesta outra foto, é manhã ?olha o nosso sorriso noite acabou sem ser preciso sair dos sonhos de outras camas para empunhar o cospe-fogo e o lança-chamas estás são e salvo e logo "viver é bom", proclamas
Eu nesta, não fiquei bem estou a olhar para o lado tinham-me dito: eh soldado! É dia de incendiar aldeias baralha e volta a dar o que tiveres de ideias e tudo o que arder, queimar! no fogo assim te estreias
......................
Nesta outra foto, não vou Dar descanso aos teus olhos Não se distinguem os detalhes Mas nota o meu olhar, cintila Atrás da cor do sangue Vou seguindo em fila E atrás da cor do sangue Soldado não vacila
O meu baptismo de fogo Não se vê nestas fotos Tudo tremeu e os terremotos Costumam desfocar as formas Matamos, chacinamos Violamos, oh, mas Será que não violamos As ordens e as normas?
......................
Álbum das fotos fechado Volto a ser quem não era Como a memória, a primavera Rebenta em flores impensadas Num livro as amassamos Logo após cortadas Já foi há muitos anos E ainda as mãos geladas
Chega-te a mim Mais perto da lareira Vou-te contar
A história verdadeira Quando a recordo Sei que quase logo acordo A morte dorme parada Nesta morada
Fotos de Fogo do album Tinta Permanente

Em 1995 é editado em França um álbum importante, pois trata-se da primeira colectânia de temas gravados por autores dos países de expressão portuguesa, onde colaboram nomes como Ruy Mingas, Bonga, Cesaria Évora, Tito Paris e tantos outros, a que deram o título de 1975-1995 INDEPÊNDENCIA!, referindo-se em nota na capa que a ideia da compilação surgiu com o intuito de lembrar a edição em 1953 da antologia Poesia Negra de Expressão Portuguesa, preparada por Mario Pinto de Andrade e que homenageava a poesia de diversos autores cabo-verdianos (Aguinaldo, Mariano, Ovídio Martins, Barbosa, etc.), são-tomenses (Alda, Costa Alegre e Tenreiro), angolanos (Mário António e Viriato) e moçambicanos (Craveirinha, Kalungano, Noémia e Coronha).

Em 2000 os Xutos e Pontapés compõem a música principal do filme INFERNO de Joaquim Leitão, sobre as tensões em torno de uma reunião de antigos combatentes, um dos poucos trabalhos cinematográficos que se debruça sobre a matéria, não mais de uma dúzia! Há cerca de 2 anos foi estreado Tabu de Miguel Gomes e premiado no Festival Internacional de Cinema de Berlim
Até ao meu regresso e mais além
Deitados na terra de ninguém
Sempre com remorsos por alguém
Que ficou para trás
..........
No combate final
Não ouvindo o teu sinal
Procurarei por ti
Há-de a coragem sobrar
Eu irei-te buscar
Ao inferno
Faz o mesmo, pá
Por mim

Nesta breve abordagem de temas onde se juntam memórias da guerra e da condição de africano, pegando duma visão alargada da canção de intervenção, não poderíamos deixar de referir o caso especial do Rap/ Hip-Hop.
A política e a arte, designadamente a música, desde sempre têm funcionado como forma de protesto na diáspora africana, desde o inicio da escravatura, do Jazz de Nova Orleãns, swing, be-bop, soul, funk, rock noir, reggae até ao recente rap, que nascido nos anos 70 como contra-cultura e depois assumido por jovens de todo o mundo, se veio a tornar instrumento do capitalismo global.
Já o mesmo havia acontecido nos anos 20 em Tin Pan Alley e mais tarde com o rock nos anos 50, típico das democracias burguesas onde se "massifica" controladamente o acesso à contestação, com as editoras monopolistas a "domarem" revoltas genuínas, transformando-as em simples objectos de consumo. Nos regimes autoritários essa maquilhagem e aparência de liberdade já não é tão facilmente concretizada, pois a privação de liberdade é no essencial assumida e como tal assim compreendida por quem transmite e por quem recebe a mensagem.
Em Portugal o fenómeno surgiu e finais da década de 80, com a primeira compilação a ser editada em 1994, onde no tema dos Zona Dread SÓ QUEREMOS SER IGUAIS se relatam vários exemplos de racismo contra os negros e se exige:

Só queremos ser iguais
Não ser menos nem ser mais
Só queremos ser iguais

Mas nem todos os MC (Mestre de Cerimónias que para o Hip Hop e Rap representa o artista ou cantor que normalmente compõe e canta seu material próprio e original) se deixaram totalmente envolver na industria capitalista: Valete de origem São-Tomense e General D de origem moçambicana são dois dos mais marcantes rapers da geração de finais do sec. XX e inícios do sec. XXI, onde se "atiram palavras" que ainda doem, verdadeiras e sentidas na pele. O mesmo se passa com a jovem Licenciada em Sociologia e doutorada em Geografia Humana Capicua.
Para a raper Capicua - presente no projecto "Há Palavras que Nasceram para a Porrada", que junta o director do Centro de Estudos Sociais Boaventura de Sousa Santos e outros rapers - o espaço dos cantadores é agora também ocupado por rapers onde a "música está ao serviço da palavra" e existe uma "preocupação política e uma responsabilidade social". No referido projecto, ainda nas palavras da jovem Capicua, abordam-se assuntos como "o género ou a segregação urbana", cabendo ao rap funcionar "como um desporto de combate que cumpre um espaço importante na música de intervenção", acrescentando que há uma associação entre o rap e a sociologia na "desconstrução e questionamento das dinâmicas sociais, culturais e políticas".
No seu álbum CAPICUA de 2014, o tema TERAPIA DE GRUPO sublinha feridas da nossa História: "acho que têm 500 anos de esqueletos para tirar do armário. Os descobrimentos todos para tirar de lá. A escravatura, o colonialismo, a exploração dos países africanos e do Brasil, que acabaram por culminar numa guerra e sobre a qual as pessoas ainda não estão preparadas para falar. É normal que não estejam, ainda há quem esteja muito marcado por esses acontecimentos. Em Portugal fala-se das coisas de uma perspectiva muito... (pondera) informativa, quase. Mas pouco... emocional. Acho que falta essa catarse". Veremos como continuaremos a expiar essas memórias e o seu reflexo na música...

(CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO)
Joaquim Correia

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos