O nosso jango electrónico

Envie este artigo por email

1 "Cultura", o jornal angolano de Artes e Letras, atingiu neste momento um âmbito de divulgação nacional e internacional que exige outros canais de partilha.

Da esquerda: Apresentação do sítio do Jornal Cultura na internet contou com o director do Jornal Cultura José Luís Mendonça, administrador para Área Editorial da Edições Novembro Filomeno Manaças, M. da Cultura Rosa Cruz e Silva, Albino Carlos director PU Fotografia: Paulino Damião

Este ano de 2014 começou, para nós, com um forte estímulo: o ministério da Cultura outorgou ao jornal “Cultura”, no dia 8 de Janeiro, Dia da Cultura Nacional, um Diploma de Honra, “pelo trabalho que tem prestado em prol do desenvolvimento e divulgação da cultura nacional.” A nível nacional, o jornal já granjeou uma procura em todas as províncias e em Luanda a tiragem já não responde à demanda. A nível externo, neste momento, temos correspondentes na China, França, Espanha, Portugal, Cuba, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e na Guiné Bissau. E temos leitores de angolanos na diáspora, e estrangeiros que falam português ou espanhol, distribuídos pelos quatro cantos do Planeta. Como resposta a essa demanda crescente, as Edições Novembro criaram, a 22 de Abril, a edição on-line do jornal (www.jornalcultura.sapo.ao).
2 Num domingo, dia 20 de Abril, os jovens do Movimento Literário Vianense convidaram-me para um jango literário, no quintal de uma escola, debaixo de uma árvore da sabedoria. Ofereci-lhes e leitura e análise da carta Africana do Renascimento Cultural. E notei que há, na referida Carta, acções que nos competem aplicar no nosso país, enquanto órgão público e enquanto agentes culturais individuais africanos.
A Carta advoga o intercâmbio e a divulgação de experiências culturais entre os países africanos. Devido ao problema linguístico resultante da colonização, esta tarefa não tem sido fácil para os nossos Governos. Mas eu sou mais redutor e falaria do intercâmbio e divulgação de experiências culturais entre as culturas angolanas. O jornal “Cultura” está apostado, a partir deste ano, em ir ao interior e trazer para as suas páginas as manifestações regionais da nossas artes e literatura.
Como a própria Carta prescreve, no seu Artigo 5º, “a diversidade cultural é um factor de enriquecimento mútuo dos povos e das nações e contribui para a expressão das identidades nacionais e regionais e, mais amplamente, para a edificação do Pan-africanismo.” O  Artigo 6º, defende que “No plano nacional, a afirmação das identidades consiste em incentivar a compreensão mútua e facilitar o diálogo intercultural e inter-geracional.”
Deste o nascimento do jornal, a 5 de Abril de 2012, também nos preocupámos com o que refere o Artigo 18º, sobre “a necessidade de desenvolver as línguas africanas a fim de garantir a sua promoção cultural e acelerar o seu desenvolvimento económico e social”. Por isso, o jornal está a divulgar textos onde o uso das línguas nacionais africanas é o modo de expressão.

3 Com a construção e abertura do nosso jango internet, este jornal dá um passo maior, ao servir os propósitos dimanados no Artigo 21º da Carta, nomeadamente a sua alínea: “a) assegurar que as tecnologias de informação e comunicação são utilizadas para promover a cultura africana.” Nós diríamos mais: promover os valores estéticos africanos. É que, somos defensores da ideia de que a África ainda tem muito para oferecer ao Mundo em termos de estética e ideologia construtiva. Somos, declaradamente contra a falsa ideia de que a modernização artística passa pelo assimilacionismo puro dos modelos ocidentais, tidos como mais progressistas, por emanarem de uma cultura tecnologicamente mais avançada.
O que a África e os países africanos enfrentam neste momento, é uma crise de comunicação. De comunicação cultural. Só facto de ser difícil a um cidadão de Luanda identificar o melhor cantor do Kwando-Kubango é um facto ilustrativo dessa crise. 

4 O jango online do jornal “Cultura” vem responder, também, a essa crise. Através da edição online o leitor vai poder participar, vai poder comentar, e vai poder enviar colaboração para publicação na edição impressa do jornal. Quer dizer que esta iniciativa das Edições Novembro representa a extensão do diálogo informativo cultural nacional e universal. E já que estamos a falar da crise de comunicação nacional e das respostas que o Executivo angolano lhe dá, não posso deixar de mencionar aqui o Censo Geral da População que no meu ver, representa o mais amplo, o mais abrangente e utilitário meio de comunicação desde a Independência entre o Executivo e o Povo. É um dos maiores ganhos da Paz. A expansão do uso das TICs, de que o jornal Cultura se beneficia, é outro ganho da Paz. Quer dizer que Angola está, paulatinamente a saber dar reposta às questões do seu próprio desenvolvimento global.                                                   

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos