OCIREMA: A Vida & os ditongos da Cultura

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A Vida & os ditongos da Cultura

OCIREMA A Vida & os ditongos da Cultura
OCIREMA A Vida & os ditongos da Cultura

Ocirema, no bolso da memória decorámos
tua pena indignada
nos sabendo a tortulho
de aluvião
nos sabendo a peixe
de sábado escabeche
com maruvo fresco ainda.

Ocirema, te kandando
no tempo irmão-camarada
quando casávamos no quintal sem muro sem grades
só com dois barris de fino
e cacusso de boca fechada
prá não falar do ngulo
assado no carvão da tia Emília
e se dançávamos bué
o semba do Lamartine e do Sabú
o samba do Martinho e o café do Francô.

Na Mutamba tua pena sangrava
na semântica catedral da rotativa
esse culto religiosamente celebrado
domingo a domingo
com a voz dos poetas a pele mítica
do Carnaval
e o traço meticuloso da História a ser cantada
letra a letra.

Ocirema, teu olhar de navio na Ilha
da Nossa Senhora do Cabo e dos
axiluanda sem camisa
a puxar redes de esperança
ancorou na contra-costa
sabes? a minha sombra não foi
de fato e gravata comer
no Alto das Cruzes a festa
da tua morte recuso
carpir ventos de mármore
sobretudo tu que sempre relutaste
atracar no cais sem retorno.

Ocirema, saíste
de cabaça erguida a levedar
a Vida & os ditongos da Cultura.
Luanda, 14 de Agosto de 2014

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