Poema de António Gonçalves

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Exercício nº 081.208 (Não é rosa a cor do amor)
Não é rosa a cor do amor
quando a dor com o seu peso mortal
deves suportá-la por dentro.

Sem a consciência mesma
da referida dor.
E és um farrapo
um ser despojado de tudo
um espírito sem rumo
sem brilho
uma alma sem atração
sem cor

E te sentes comprimido
um grão de nada
sem peso e medida

E estás aí ou em nenhuma parte!
E não estás aí ou em toda parte!
Por esse amor que não é rosa
nem jasmim nem sequer tulipa
que se escapa como vento
e regressa às vezes para roçar-te
o ombro e o umbigo.

E voltas a sentir-te assim
morto de tanto amar
vivo de não viver
tonto de tanto andar.

(do livro inédito Exercícios Oníricos)

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