Quando o teatro não desiste

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Benguela-FENACULT II: Ministra avança projecto de um festival bienal

Quando o teatro não desiste
A atriz Tatiana Alexandre numa cena de Rosto de África, do Tweya Fotografia: Paulino Damião

Mesmo quando a luz do Cine Monumental se apagou, aos 13 minutos iniciais do espectáculo inaugural do Palco do Teatro do FENACULT II (“Choro da escravatura”), os actores em cena recomeçaram harmoniosamente, com o reacender do palco, na exacta sílaba, no exacto tom e colocação de voz, na respiração e na posição sincronizada e sequencial, como se estivessem de sobreaviso, ou como se o apagão não passasse de algo insólito a agregar à peça. Essa reacção, sem explicação racional, instintiva e arrojada, foi, na noite de 4 de Setembro, dia da abertura dos espectáculos, um acto de bravura, de modéstia e de certeza de que o teatro não desistirá face às grandes dificuldades que ainda enferma.
Por terem sabido ler tão bem as suas posições, sem se importarem com salas pouco apetrechadas – bancos poeirentos, cortinas sujas, palcos a precisar de reabilitação – aos poucos o público foi entrando e enchendo a sala, expressão do carácter unificador do FENACULT. E foi essa bravura e essa resistência que chamaram a atenção da ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva.
Ao anoitecer, na hora do jantar, que durante os três dias foi degustado humildemente no local do dormitório, quis estar à mesa com os directores dos grupos, e juntos concertaram a boa notícia que fez a noite fechar com euforia: o projecto de um Festival Bienal de Teatro, cujo pontapé de saída ficou marcado para a província do Huambo, com datas a anunciar em momento oportuno.
Aliás, algumas horas antes, nas palavras de abertura do Palco do Teatro do FENACULT II, a ministra da Cultura antecipara-se ao reconhecer o esforço de todos os que contribuíram para que pudessem ter uma sala mais arrojada e pronta para todos os grupos das 18 províncias, de modo a que se pudesse realizar condignamente um trabalho que vem sendo desenvolvido em prol do teatro: “Nas condições possíveis que ainda conseguimos manter e que em alguns casos vai sendo melhorado, nós estamos aqui para mostrar o melhorar que cada um de nós faz. Estamos convictos que a realização deste Palco será sobretudo para nos conhecermos,
intercambiarmos experiências que projectarão o nosso futuro.
Sabendo do nível em que estamos, lembremos o que queremos e que só seremos nós a responder para alcançarmos as metas pretendidas. Será preciso levar na alma e no coração os objectivos que nos levaram a realizar este segundo festival, pois não é só para estarmos entre nós, é também para aprendermos connosco e melhorarmos o nosso trabalho para um país próspero, diverso e desenvolvido”.
A ministra ainda visitou detalhadamente a exposição fotográfica de algumas peças marcantes da memória teatral de espectáculos recentes, patente na entrada e na parte lateral esquerda do Cine Monumental.

Espectáculos
Durantes os três dias do Palco do Teatro do FENACULT (4, 5 e 6), os grupos estavam concentrados no Acampamento do Pioneiro de Benguela, um vasto local junto ao mar. O dia da abertura reserva apenas as peças do grupo Ngola e a do grupo convidado, Oásis.
Nos dias 5 e 6, os espectáculos aconteceram simultaneamente no Cine Monumental (Benguela), Cine União (Catumbela) e Cine Imperiun (Lobito), a partir das 19 horas. Três sessões por noite.
Antes, quisemos saber o que passou pela cabeça do actor e director artístico do Ngola, naqueles instantes em que a luz foi: “ A ideia que nos veio à cabeça é a de que as coisas seriam resolvidas e tudo acabaria bem. O melhor é mesmo manter-se “pregado” e tentar não se alarmar. Estamos um pouco acostumados, é uma das graves falhas a superar.
Lembro que, uma vez, no Huambo, “ficamos quase trinta minutos “pregados”.
Mas nós acreditamos que tudo isso um dia passe. O teatro precisa existir e isso só depende de nós”, explica Avelino Dário.
Dois momentos marcantes na história do grupo: vencedor da edição 2014 do provincial de teatro, que lhes garantiu presença no FENACULT. Outro momento é a alegria de terem visto a sala a aplaudir de pé o espectáculo de abertura do FENACULT. Da caminhada na dramaturgia, se posiciona:
“teatro não é arte de se formar em dois dias. É uma escola que leva tempo e exige paciência”. Tem grande admiração por Glória Pires e pelo espectáculo Raiva, da Companhia Enigma Teatro.
O colectivo de Artes Ngola abriu com a peça “Choro da escravatura”, uma peça que explora os vários estágios da história angolana, através da constituição dos seus reinos. Não há uma trama transversal, mas sim uma constituição de vários pequenos momentos que sustentam a sintetizada discrição de grandes momentos da história angolana. Inicialmente, os personagens encenam sem nomes singulares, sendo identificados apenas no colectivo. O texto é conciso, de retoques e deixas plausíveis cuja catarse nos remete a questionamentos, repulsa do colonizador e orgulho dos desfechos conseguidos pelos protagonistas da nossa história. É uma adaptação que recorre a alguns textos de Agostinho Neto e António Jacinto, que denunciam as diatribes raciais e outros absurdos antropológicos outrora instituídos pela colonização.
Em algumas cenas, as vozes ficavam imperceptíveis devido a exageros de nasalização e, em outras, devido aos esforços em atingir inteiramente o sotaque português. A peça pecou na transição da caracterização de personagens, que passavam de personagem a personagem sem sequer tomar o cuidado de desfazer a caracterização da anterior. Outro problema, foram os sucessivos e demorados momentos de silêncio que se impunham em algumas falas, provocando uma espécie de “queda do texto”.
A trilha sonora ficou bastante desajustada (contexto) ao fazer recurso a um tema musical singularmente europeu, que na primeira década de 2000 já foi trilha sonora de um record de bilheteira de Hollywood.
O Oásis voltou a armar a sua fórmula do feitiço com uma comédia de costumes com visíveis reminiscências do trágico e do sobrenatural: “O batuque”.
Na peça nos apresenta Tchissoka, o rapaz possuído pelo feitiço e que faz dele o rebelde da aldeia. Só cessa depois da recomendação da quimbanda de abandonar a aldeia e seguir o caminho para a sua cura. Tchissoka segue e no seu percurso cruza com duas mulheres que se recusam a voltar. Fazem dele marido, mas o ciúme de ambas atrapalha essa suspeita felicidade, que chega mesmo a dar em assassínio:
Nguendapi asfixia a outra até morrer e ardilosamente faz-se de sentida com a morte da amiga e rival. Entretanto, Nguendapi fica grávida de Tchissoka e dá à luz a um implacável guerreiro já homem feito, que vem do ventre vestido e armado: arco e flecha. A trama é alimentada de vários momentos musicais.
O “Rosto de África” foi outra aposta do circuito teatral benguelense, obra do aclamado Tweya, prémio provincial de 2010. A peça é um drama rigoroso. Cerca de oito actores constituem a peça, com Nzaji (Tatiana Alexandre) e Quirino (Walale Manuel) a serem os protagonistas que conduzem as breves acções. Não há uma trama como tal, é mais o drama do discurso e exposição tétrica das profundas adversidades do continente que constituem o motivo da catarse, sendo a África (tema e personagem subentendida) um herói trágico.
O espectáculo “O regresso da alma” foi a aposta da província do Bengo, criado pela companhia de teatro Jacaré Bangão, prémio provincial em 2014. O sentido meticuloso e legível da direcção de Orlando Mateus fê-lo abrir a peça com uma prolepse justificada. O palco não reuniu muitos adereços. A trama desenvolve com a estéril Catarina, o revoltado João (marido), e Zeca, amigo de João e marido de Teté. Pelo motivo óbvio de não conseguir engravidar, João abandona Catarina e decide desposar Beatriz. Possuída de raiva e ciúmes, a abandonada Catarina consulta o quimbanda para fazer um feitiço que impeça a felicidade dos dois mas causa a morte de Beatriz, durante o parto.
João fica a cuidar do filho e retoma a antiga relação com Catarina, que é ocasionalmente assombrada pelo espírito de Beatriz, que dita que a mesma também morrerá.
A noite do segundo dia de espectáculos no Cine Monumental fechou com o grupo Horizontes da Huíla, que exibiu a peça “Os renegados”. Começa ao som do hit de kuduro ´Comboio´, dos Lambas. O palco é adornado com duas cortinas brancas que o atravessam. Seba e o seu amigo vivem nas ruas e desenvolvem uma satírica, jocosa e dura descrição da vida dos que vivem ao relento. O diálogo de ambos, feito em círculo e à base de depoimentos, é que suporta a trama. Foi um espectáculo em que os actores caminhavam sem atitude cénica e gritavam sem motivo aparente (falta de projecção).
No terceiro e último dia, a nossa equipa de reportagem se deslocou até ao Lobito para assistir aos espectáculos no Cine Imperiun. O dia começou com uma comédia do grupo de Cabinda, Nkondo Ikuta. Foi uma comédia de costumes. A peça traz à tona um pai que adultera a tradição e exige na carta de pedido vários bens, e, em resposta, o marido faz da filha sua empregada e prisioneira quando o divórcio acontece e o pai se vê sem economias para devolver as coisas dadas aquando do pedido. Frustrada, a jovem (Quimina) morre atropelada, depois de abandonar o então marido (Américo), alegando estar apaixonada pelo melhor amigo deste. Um número de 11 actores constitui o elenco.
Com uma encenação animada, o grupo Julu alegrou a noite com a peça “Pambo ya Njila: encruzilhada” , uma comédia mordaz e sarcástica sobre o mercantilismo cristão praticado por algumas falsas seitas religiosas, que são tão exigentes nas coisas a ver com o dízimo. A trama desenvolve com Raimundo (o do mato) e a sua esposa Dona Suzana (a estéril, “a vaca que não dá leite”, como o próprio a caracteriza numa das cenas iniciais do espectáculo), que pelo óbvio motivo de não alcançar a abandona e procura uma relação com a irmã da igreja, a virgem mas adulta Madalena. Curiosamente, na carta de pedido, pedem-lhe um motor de Starlet, caçadeiras, carrada de areia e o extracto bancário da sua conta, exigidos pela tia da futura noiva. Consumida pela raiva e ciúmes, Suzana procura um kimbanda para interferir na nova relação do ex-marido, deixando-o sexualmente impotente. A tia da Madalena (aquela do extracto bancário) joga a mesma moeda e procura outro kimbanda para quebrar o feitiço do primeiro. O feitiço é quebrado mas Raimundo flagra Madalena a traí-lo com o pastor da igreja.
Do Moxico veio o grupo Artes Kissonde, que trouxe uma peça bilingue que narra a ascensão ao trono da Rainha Lweji. A encenação pecou por não assumir uma postura cénica trabalhada e uma direcção que não conseguiu lapidar o texto.
Mas foi com uma comédia alegre do grupo Oásis que o pano caiu.

O teatro e alguns dos seus conceitos preliminares

Durante as manhãs, os grupos estavam ocupados com formações, que aconteciam nas divisões do Cine Monumental.
A professora Marcelina Ribeiro foi uma das pessoas do grupo de formação e administrou o curso de Importância da Voz. Foi por ela que ficamos a saber, entre outras falhas a superar, que precisamos investir muito na melhoria da articulação e projecção de voz, elementos fundamentais para uma correcta emissão vocal:
“Postura, relaxamento, articulação e dicção são trabalhos que o actor deve cultivar diariamente, no teatro e em casa, já que a voz é um instrumento de trabalho. Todos trazem as suas dificuldades e é preciso que haja uma leitura para entender os problemas a superar”, completa.
Defende que o actor não pode ser tímido, excepto, claro, “se o papel assim exigir. Mas ele não pode estar ou ser”.
As emoções estão ligadas à obra e ao próprio trabalho final, motivo que leva a professora a considerar mais uma razão para os directores serem o máximo rigorosos com os actores que tendencialmente desenvolvem esta timidez em palco, porque pode ser que o actor ainda não esteja preparado.
Por um lado, explica a professora, o FENACULT (palco de teatro) permite em grupo verificar falhas que as formações vão focar como problemas a superar:
“Muitas vezes constatamos o problema da caracterização da voz. A voz é uma arte e cada personagem tem uma caracterização vocal diferente, não podem ser iguais em várias peças. O actor deve trabalhar para que a personagem.
Por exemplo, a tonalidade e sotaque próprios das regiões devem ser estudados ao pormenor e procurar encontrar a musicalidade e outros factores pedagógicos cuja fala é vector. O teatro também deve seguir esta técnica para não desvirtuar a língua e empobrecer a própria obra, até porque Zaire e Benguela não têm o mesmo sotaque”.
Ensina ser importante levar a peito a definição de Stanislavski quando teoriza que o trabalho do actor deve obrigar a aprender a falar de peça em peça.
“Porque tentar fugir a isso nos leva a comportamentos desprovidos de arte cénica. Cada movimento em palco tem vida e forma e mensagem próprias. É preciso aprender em cada peça tudo de novo para não confundir as entidades entre ser e actor”, defende.
Ainda quanto à projecção, sustenta que uma das grandes causas consiste na confusão em não conseguirmos entender de forma flagrante a diferença entre grito e projecção: “Muitas vezes as pessoas gritam. Mas teatro não é grito: é projecção, uma colocação medida da voz para toda a sala, até à última pessoa.
A projecção deve ser de acordo a sala, porque em salas maiores ou menores é preciso uma articulação”, aponta.
O professor Nuno Coelho administrou o curso de “Processo de montagem de espectáculos”, direccionado aos directores dos grupos. Contextualiza que Angola é país ainda muito jovem e comuma história recente conturbada, que não permitiu que reunisse estruturas de uma maneira mais aprofundada: “O teatro vive imensas carências, e restaurá-lo ou fazer o que desejamos dele exige a participação de uma sociedade: governos, actores e públicos. Temos muito a melhorar, e o teatro e as artes em geral podem servir de ferramenta didáctica e discutir temas pertinentes que dizem respeito a todos os membros da sociedade. E acredito que pode ser até uma ferramenta cujo eufemismo permitirá trazer à tona realidades que o debate tradicional ainda não encontra vias pacíficas de o fazer”, aponta.
Foi também a ele que indagamos sobre a problemática da escassez de dramaturgos e da dualidade ou legitimidade dos directores de grupo quanto à função. Sobre isso reconheceu: “Uma coisa urgente a fazer em Angola é apostar na formação artística. O facto de, na maioria dos casos, os directores se tomarem legítimos dramaturgos pode não ser um problema. Pelo contrário, ser uma solução conjunta. O importante é que este elemento do grupo tenha uma formação sólida como dramaturgo e como director e saiba conciliar essas funções. Não há um conflito de base.
São os primeiros passos, mas precisamos formar dramaturgos, directores, sonoplastas, iluminotécnicos.
Os dramaturgos podem ser pessoas de diferentes perfis. Não acho que haja um perfil fixado”, concluiu.
Já para lá das 23h horas do último dia de espectáculos, parados no quintal do dormitório, concluímos a nossa agenda com a rica conversa mantida com o professor Norberto Matanyadi, que, de modo geral, reparou que as províncias que já receberam “socorros” em termos de formação apresentaram espectáculos de reconhecida qualidade, ao contrário daquelas que, sem grande foco, como é o caso da província do Kuando Kubango, que abordou o pertinente tema da guerra com os sul-africanos e teve boa vontade, fazendo aquilo que em teatro, tecnicamente, se denomina por escola pragmática, a prática do teatro sem resultados estéticos.
“Kuando Kubango precisa imenso de um socorro. Benguela, por exemplo, já passou por vários seminários e apresentou um trabalho aceitável”, recomendou.
De todos os espectáculos que viu, considerou o do Kwanza Norte como “a grande surpresa”. O grupo apresentou um monólogo (colagem de vários textos e cada uma com um sentido próprio), e foi um espectáculo demorado, que permitiu ao professor avaliar a excelente técnica do actor solista, preenchida com detalhes técnicos surpreendentes.
Lançamos à conversa os caminhos da criação e temáticas alternativas de um teatro que na maioria dos casos (principalmente em Luanda) tem conquistado o público com peças cujos temas estão focados apenas na fórmula do feitiço e no jogo de banais traições ou tramas conjugais, pelo que afiançou que uma das soluções seria convidar os homens de teatro a interessarem-se mais por problemas e situações do dia - dia e levá-los ao palco, de forma a ajudar a corrigir ou modelar comportamentos sociais, também porque essa é uma função do teatro quando o posicionamos na sua categoria hierárquica do grupo das artes de elevação, diferentes das artes de consumo e ornamentais.
“O teatro deve carregar sempre o propósito da missão de elevar os homens. Porque o processo de criação deve transitar das matérias brutas aos estados de elevação, que exige visão, criação e função estética: elevação de conceitos, de pessoas, de famílias e da humanidade”, definiu.
Distinguiu que o pragmatismo é uma prática quase bruta e arbitrária do teatro, não passando de uma simples vontade de fazer teatro: a arte utilitária, que faz publicidade de conceitos; diferente da rigorosa função naturalista, que resulta de uma demonstração dos comportamentos do público para que este, em choque consigo mesmo, arranje formas de se corrigir. Acrescentou também a formalista, que recorre a todos os tipos de conhecimentos para revelar um conhecimento e que utiliza as regras e as técnicas devidamente recomendas e apresenta os temas a convidar o público para uma reflexão, também chamado de teatro académico.
E, por fim, destacou que a mais elevada é a função alquímica da arte, que é a de elevar as coisas do seu estado de vibração baixo para o nível de vibração alto, ocorrendo, normalmente, com conceitos e as ideias para o nível médio ao elevado, sobre a sublimação do homem, das ideias e da própria vida.
Da ética a defender em arte, criticou a existência de peças com base sensacional muito elevada: “O sensacionalismo não é boa coisa para nós, africanos, tem a ver com o espírito ocidental, que cultiva a cultura de violência. Não é a missão da arte, mas uma forma de depravar conceitos e comportamentos próprios do misticismo que intervém na arte, por via da sua elevação fenomenal”.
Na abordagem dos condicionamentos da montagem dos espectáculos, chamou atenção para o cuidado no uso das cores, muitas vezes entendido de forma folclórica. “Porque cada cor que vemos é uma vibração muda que, elevada a um nível superior, se torna um som, este, por sua vez, elevado a um nível sensorial pode deixar de ser som e tornar-se luz. Em arte, cor som e luz são a mesma coisa e gozam de um imprescindível estado”, acentuou o professor.

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