São conhecidos os vencedores do Prémio Nacional de Cultura e Artes

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Manuel Pedro Pacavira “leva” o prémio de Literatura

A ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva prestigiou a cerimónia a par do secretário de Estado Cornélio Caley (à direita)

Já são do conhecimento público os vencedores da edição deste ano do Prémio Nacional de Cultura e Artes. A apresentação ocorreu a 23 de Outubro, em Luanda, na presença da ministra da Cultura Rosa Cruz e Silva.

Correspondendo a uma tendência que se vem notando há várias edições, o júri fez as distinções tendo em conta o conjunto da obra dos vencedores, bem como a sua biografia. Definitivamente, parece que o prémio deixou de estar polarizado em Luanda, transparecendo deste modo o trabalho de pesquisa realizado pelo júri no interior do país.

"Queremos aumentar as actividades artísticas em todo o país com a construção de infra-estruturas para continuar a apoiar as artes e corresponder aos anseios daqueles que pretendem atingir a excelência nas suas obras" disse Rosa Cruz e Silva, que manifestou também a intenção do Ministério da Cultura aumentar o valor pecuniário do prémio, actualmente fixado em três milhões e quinhentos mil kwanzas por categoria.

O escritor Manuel Pedro Pacavira foi distinguido, na categoria de Literatura, pelo conjunto da sua obra, na qual pontifica o romance "Nzinga Mbandi". Segundo o júri, "deve-se conceder a Manuel Pedro Pacavira o mérito de ter instaurado a narrativa ficcional histórica, entre nós, baseada na historicidade do nosso passado".

Na obra em questão, acrescenta o júri, "o autor exalta ficcionalmente os feitos heroicos de uma das figuras proeminentes e míticas da nossa História". O júri sublinha que a "tendência para a revisitação da História, através do texto ficcionado, veio a ser retomada com uma certa intensidade, nos últimos tempos, pela literatura celebrada sob a influência estética da chamada "pós-modernidade".

A historiadora e docente universitária Aurora da Fonseca Ferreira é a vencedora nesta categoria de Investigação em Ciências Humanas e Sociais, pelo livro de sua autoria, em dois volumes, "A Kissama em Angola do Século XVI ao Início do Século XX - Autonomia, Ocupação e Resistência", centrado no estudo da História de Angola, em particular do processo de colonização e da resistência imposta pelas comunidades locais.

No dizer do júri, a obra "reflecte um estudo profundo, fruto de longos anos de trabalho na pesquisa da História de Angola e da dedicação da autora a esta área das ciências".

O escultor José Mununga, radicado na província do Kuando Kubango, arrebatou o prémio na categoria de Artes Plásticas "pela perseverança e elevado valor artístico do conjunto da sua obra, desenvolvida ao longo de 37 anos de carreira". A sua obra original sobre "os rinocerontes e hipopótamos", inspirada na fauna local, argumenta o júri, expressa a relação do homem com a natureza, pretende instigar e despertar-nos para a importância de transformar o mundo em que vivemos num espaço melhor e mais bem cuidado.

"Ao mesmo tempo a obra transmite a exuberância mítica em que se articulam referências diversas, o popular e o erudito e reinventam simbolicamente espaços do mundo contemporâneo, suscitando em cada homem ou mulher o sentimento de dignidade humana, da fraternidade e do espírito comunitário".

O grupo de teatro "Oásis da Base Aérea Número 1", fundado há 24 anos, em Luanda, um dos mais premiados em Angola e no estrangeiro, mereceu a inteira confiança do júri. Ficou lavrado em acta que o Oásis criou "um brilhante elenco e alguns dos seus quadros lançaram raízes para o surgimento de grupos que garantiram a subsistência da arte, numa fase de profunda necessidade". Além de tratar de temáticas ambientais, o grupo "chamou a atenção para o papel do militar em tempos de Paz com a peça "A Vida na Tropa" e fortaleceu o reconhecimento das heroínas angolanas - "Mulheres Clandestinas".

O realizador Raúl Correia Mendes, um dos fundadores da TPA – Televisão Pública de Angola - também pelo conjunto da sua obra, e "pelo papel por si exercido no cinema e no audiovisual angolano, é o premiado da categoria Cinema e Audiovisual. O júri refere que a sua obra cinematográfica representa "um arquivo de memória do percurso da nação angolana e um retrato de uma sociedade num dado momento da sua história". Da sua cinematografia constam os documentários "Algodão- Ouro Branco de Angola", 1977,
"Bom dia, Camarada", 1977 e "Sahara, a Coragem Vem do Vento", 1977.

Justino Handanga, também conhecido como o Príncipe do Planalto, compositor e intérprete, viu a totalidade da sua obra ser reconhecida com o prémio na categoria de Música. O júri, bastante encomiástico, salientou que a sua música "alimenta a alma dos mais incrédulos, exalta a compaixão e transborda amor nos corações partidos.

"Ufeko ndissole", a persistência e fé no amor; "Ndatekateka", o sentido de solidariedade; "Paulina... telefona sem preguiça" e muito mais canções são provas irrefutáveis da magia, da dinâmica, do timbre e dos dizeres de Justino Handanga".

O coreógrafo Domingos Nguinzani é o vencedor da categoria de Dança pelo conjunto da sua obra e iniciativa pioneira em recolher e divulgar as danças folclóricas angolanas. Foi considerado de grande valor o seu contributo para o desenvolvimento da cultura
nacional.

Foi particularmente salientado o seu empenho como coreógrafo, entre outros, em espectáculos onde se divulgaram as danças patrimoniais de Angola: II Jogos da África Central, em 1981, no Estádio da Cidadela; Festival Angola 30 Anos, 2005, Estádio da Cidadela; Abertura e Encerramento dos Jogos da CPLP, 2008, Estádio da Cidadela.

Os prémios serão entregues numa gala a ser realizada no dia 8 de Novembro,  em Luanda.

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