Crónicas da História e do nosso tempo

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1 O esplendor da civilização contemporânea foi edificado sobre dois pilares fundamentais: o trabalho abnegado e o génio inventivo dos homens. O projecto inovador, o papel dos intelectuais e cientistas que desenharam as obras, não seria possível sem a riqueza material assente na produção de bens e do conforto necessários à actividade concentrada do pensamento.

E a parte mais dura dessa riqueza foi produzida pela mão dos Africanos que, do século XVI ao século XIX, foram expatriados para as Américas, na condição ultrajante de escravos.

"Os factos destacam nitidamente que a revolução industrial, tanto na Inglaterra, do século XVIII e do início do século XIX, quanto no nordeste dos Estados Unidos, no século XIX, não poderia ter ocorrido sem a espectacular expansão, na produção e no comércio de mercadorias, experimentada pela zona atlântica entre os séculos XVI e XIX.

Esse extraordinário desenvolvimento assim originou as ulteriores revoluções industriais do século XIX, no noroeste da Europa. Foi sem sombra de dúvida a mão de obra servil africana fornecida pelo tráfico de escravos que tornou possível esta extraordinária expansão. (História Geral de África ­ volume V, pág. 133, UNESCO)

Hoje viemos aqui homenagear uma mulher batalhadora, descendente dos nossos antepassados expatriados forçadamente para o continente americano, e que soube lutar contra as forças do destino cruel que lhe fora imposto por leis desumanas.

Estamos a falar de Sojourner Truth, nascida escrava em Nova Iorque, por volta de 1797 e falecida em 26 de Novembro de 1883, em Battle Creek, no Michigan. Abolicionista, evangelista e feminista, Sojourner Truth foi a primeira negra a vencer uma causa contra um branco, quando moveu uma acção em tribunal para que lhe fosse devolvido o seu filho, Peter, que tinha sido vendido ilegalmente.

Truth cresceu sem ir à escola, e não sabia ler nem escrever ­ quem teria imaginado que viria a tornar-se uma das maiores oradoras da América!
A agência espacial norte-americana, NASA, baptizou com o seu nome um pequeno veículo que foi levado ao planeta Marte, na sonda Mars Pathfinder, para explorar o solo marciano. Leia, pois, a espantosa biografia desta ilustre mulher afro-americana que se coloca ao lado da história de Mandela, na galeria dos ilustres defensores dos direitos e da dignidade do ser humano.

2 Novembro, o mês da celebração da nossa independência, é um tempo fértil para a Cultura. Procuramos dar, nesta edição, notícia crítica do que nos foi possível presenciar, a fim de presentear o leitor com um caderno cultural atractivo e manuseável.

A nossa habitual cronista de Navegações, Ximinya, completa um ciclo de dez peças, sob a designação genérica de Kudilonga. Desde o número dezassete, contamos com os trabalhos de uma nova cronista, Luísa Fresta, que nos escreve de Lisboa, a falar-nos das suas "Lembranças do Maculusso", crónicas de um tempo que os mais velhos não esquecem e os jovens terão sede de conhecer.

3 Deixou-nos aquele que foi Ministro da Cultura da República da Guiné Equatorial durante mais de vinte anos e uma das figuras artísticas mais importantes da África, conhecido como "O Picasso Negro". Leandro Mbomio Nsue. Da sua obra falaremos com mais pormenor na próxima edição.

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