Renascimento Africano

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1. Todos os dias, ao pôr-do-sol, voam gaivotas até ao mar, e o fenomenal círculo de sangue caindo na linha do horizonte, entrecortado pela ténue brancura das asas, consolida o nosso amor pela grandeza desta África. África nossa que celebramos todos os dias, com a produção das nossas mãos e das nossas almas, África nossa, mãe da Humanidade que, este 25 de Maio, repensa o legado cultural pan-africanista da Organização de Unidade Africana (OUA), expresso na sua Carta Cultural adotada em Julho de 1976 em Port-Louis, nas ilhas Maurícias.

Na verdade, a Carta Cultural de África tem como objetivos preservar e promover o património cultural africano, reforçar o papel deste último na promoção da paz e boa governação, e garantir o respeito pelas identidades nacionais e regionais nos domínios da cultura e dos direitos culturais das minorias bem como das trocas e difusões de experiências entre países africanos. A Carta Cultural retomou, pois, da OUA (hoje União Africana), as linhas fundantes do Pan Africanismo, que surgiu, ainda em finais do século XIX, e que, a partir da Segunda Guerra Mundial, se apresentaria como uma ideologia de defesa dos valores culturais de África.

2. O que significa, hoje, nesta tábua rasa da Globalização, ser intelectual , ser escritor, ser artista africano? Haverá, como na época do Renascimento Europeu, um leitmotiv comum inspirador, uma clara orientação filosófica que nos una na oficina do pensamento e da criatividade? Repartidos pelos campos nunca estanques das Artes e das Letras, alguns intelectuais angolanos da geração mais madura e da jovem geração trazem aportes a este fórum da Cultura, com diversas reflexões e estudos sobre um assunto que nos é muito caro e não menos guardado na gaveta do olvido: o Renascimento Africano.

A instalação em Ndalatando, do primeiro Centro Nacional de Leitura, dotado de novas tecnologias, é um passo decisivo na edificação social da cidadania cultural, preconizada pelo ideal da Carta Cultural de África.

Simão Souindoula parte do passado para prognosticar um futuro promissor para o Continente. Filipe Zau fala-nos de uma África que seria política, cultural e economicamente livre. "Contudo, o sonho da Grande África durou pouco". Que efeitos teve esta decadência do sonho sobre o sector da Cultura? O pensamento de Cheikh Anta Diop, o refundador da história de África, é aqui retomado. Este pensador disse que "a África deve optar por uma política de desenvolvimento científico e intelectual e pagar o preço que for necessário. O desenvolvimento intelectual é o meio mais seguro de acabar com a chantagem, a intimidação e a humilhação." Na linha deste grande pensador africano, Nguimba Ngola preconiza uma tomada de consciência de que nós, africanos, contribuímos deveras para o progresso da Humanidade. Ras Kilunji faz uma singela homenagem à primeira grande estrela do Terceiro Mundo, Bob Marley.

3. "Cultura" transporta, assim, para o Jornalismo Cultural o élan do Renascimento Africano, criando para si, caro leitor, a cada número, um manancial de conhecimento transformador das consciências e iluminado pelas mais belas cores do nosso Continente. Como bem o demonstra a objetiva visionária de Frederico Ningi.

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