Rios da Infância

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1. O mês de Junho remete-nos, inexoravelmente, para os caminhos da Infância. Cada um de nós já foi criança um dia e o maior povo de nós continua a ser criança. Quando matamos essa criança dentro de nós, morre com ela o amor e o perdão fundamental. É nesse instante que nasce o monstro da insensibilidade, com a sua carapaça de ódio, rancor, mágoa e todos os outros vícios mortais que nos afastam da nossa verdadeira Natureza Humana. Porque sempre vale a pena eternizar essa criança dentro de nós, convidamos o leitor a ler “A Pastora e o Limpa-Chaminés”, do imortal Hans Christian Andersen.

Esta edição celebra o Um de Junho, Dia Internacional da Criança. A da segunda quinzena vai concentrar-se, com maior abrangência temática, no Dezasseis de Junho, Dia da Criança Africana. E por ser dedicada à Criança, trazemos aqui a voz da escritora infantil, Cássia do Carmo, cuja obra foi recentemente traduzida e lançada em Tel-Aviv e e também aqui ecoam os sons maviosos dos violinos da orquestra infantil Kapossoka, que vieram revolucionar as vibrações metálicas da nossa música.

Recordar é viver, diz o ditado, e nós revivemos a voz de Verão de Donna Summer, o olhar profundo de Bernardo Sasseti, ambos levados pela barca de Caronte. Fazemos eco do Prémio Camões 2012, o brasileiro Dalton Trevisan e da finíssima música Tuaregue, ondulante como as areias das dunas do Sara.

2. A editora Kilombelombe inaugura uma nova coleção “Discursos, Entrevistas & Comunicações”, coma coletânea de discursos de Roberto de Almeida intitulada “Peço a Palavra-Peças de Oratória Parlamentar”, livro que, no dizer do autor, se justifica pela necessidade de documentar para a história daquela instituição e para a posteridade “o sinuoso caminho percorrido pelo nosso país até ao alcance da paz.”Género pouco cultivado entre nós, mas cuja “importância (…) teve sempre carácter incisivo e relevante, desde os primórdios da Idade Média até aos nossos dias, tendo atingido o seu zénite no Estado na versão herdada do século XVIII, apelidado ‘idade ou século das luzes’”, conforma explicou, no lançamento o editor.

Maria Alexandre Dáskalos, Mestre em História, apresenta-nos uma recensão à obra de Arlindo Barbeitos, “Angola -Portugal, Representações de si e de outrem ou o jogo equívoco das identidades”, (…) um trabalho de longa duração que abarca um período cronológico que começa no séc. XVII e vai até meados do séc. XX, cuja grande novidade é a de, pela primeira vez, um angolano utilizar um instrumentário científico atual para desconstruir as teses elaboradas sobre os angolanos e a realidade social e histórica angolana desenvolvidas por conceituados africanistas estrangeiros, sendo a primeira vez que tal acontece nas ciências sociais da lusofonia africana.

Patrício Batsikama retoma o diálogo com a História de Mbanza Kongo, desta feita para abordar as preocupações dos investigadores quanto ao perímetro escavável da cidade candidata a Património da Humanidade. De Moçambique traz-nos notícias da Marrabenta o Eduardo Quive.

3. Com o sal do futuro no olhar, somos neste empreitada afluentes do grande Rio da Infância que alimenta o Mar do Tempo, sentados como poeta Manuel Rui e os seus “meninos à voltada fogueira”, para “aprender coisas de sonho e de verdade”.

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