U´LUNGU

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A esta hora
água
lá no Kwanza
é sangue
que o sol
ao rio entornou


a esta hora
água
lá no Kwanza
é sangue
que o sol
ao rio entornou


no murmúrio
das densas ondas vermelhas
só uma velha canoa
gemendo
nas águas crepusculares
do Kwanza

(aquela canoa
de mafumeira
ao rio assim lançada
é sublime invenção
de antepassados meus)

no rio
pela canoa raspado
só o borbulhar dos remos
lambendo
as águas chorosas
do Kwanza

«ximbica, ximbixamuzangala
prepara o lata Kazúa
zunir com o canoa
vibra a remo no água
dikumbiantão vai morer já!»

são três remadores
de regresso à Lola
lutando
com as ondas vermelhas
do Kwanza

lá vai
lá vai a canoa
sobre as ondas do Kwanza
vibrando uma canção
na sinfonia dos remos
a gente em silêncio
na canoa assentada
parece dizer
uma devota oração
ao Deus Criador
e à senhora da Muxima

ó bela Santa Conceição
tubingil´etu tu akuaituxi
kindalanimukumbi
dia kufuakuetu…

lá vai
lá vai a canoa
sobre as ondas do Kwanza
vibrando uma canção
na sinfonia dos remos!

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