A igreja e os meios de Comunicação Social

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O surgimento dos semanários, estações radiofónicas e televisivas, permitiu o alargamento do espaço público.

A igreja e os meios de Comunicação Social

O surgimento dos semanários, estações radiofónicas e televisivas, principalmente no pós-guerra em Angola, permitiu o alargamento do espaço público do e para o exercício das liberdades de expressão, de opinião, e de consciência consagradas na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição da República de Angola.
Mais do que isto, este fenómeno possibilitou a extensão do espaço de pregação do Evangelho pelas Igrejas comprometidas com a reabilitação do homem, em todos os aspectos, por meio da mensagem bíblica.
Acto de manifestação da fé, a emissão de programas televisivos e radiofónicos“sob responsabilidade” desta ou daquela Igrejaé também um facto que contribui grandemente para o sustento financeiro de algumas empresasprivadas do sector da comunicação social, que recentemente registou o encerramento de alguns jornais.
A referida actividade realizada pelas Igrejas enquadra-se na sua acçãoespiritual com reflexos sociais,que visa, entre outros, a pacificação de muitas famílias em crise, decorrente em muitos casos da violência domêstica, abusos sexuais, estupro, incestos, alcoolismo, consumo de drogas, etc.
Numa época em que o desemprego afecta duramente a primeira instituição formada na face da terra, comunicar com esperança, fé e certeza num futuro melhor construído no presente,é uma função para a qual a Igreja é chamada a desempenhar no seio da sociedade com toda autoridade espiritual e moral que sempre exerceu ao longo da História marcada por períodos de fartura e de carência.
A experiência diz-nos que estaúltima surge também como uma fase dereavivamento espiritual motivado pela necessidade imperiosa de o homem encontrar no sobrenatural a força e a coragem que necessita para ultrapassar o gigantesco desafio do momento.
Não admira então que o apelo para que a Igreja ore a favor do “fim” da crise financeira que afecta o País seja parte integrante do discurso proferido recentemente por um ex-defensor da teoria da “religião como o ópio de povo”.
Outro elemento que não pode ser relegado ao esquecimento é o coro que frequentemente entoa o refrão do dízimo como o meio do enriquecimento pastoral ao qual se juntou um renomado sociólogo angolano, que na sua oração de sapiência (?)destaca a “extorsão” do dinheiro dos fíeis como a razão da existência das igrejas – acusação que carece da apresentação de estudos de casos, e de uma abordagem livre de preconceitos em torno do dízimo. Será este realmente o meio de acumulação da fortuna pastoral?
Na verdade, trata-se de uma prática biblicamente fundamentada (Ml. 3:10; Lc. 18:12...), por meio da qual os cristãos evangélicos/pentecostais contribuem financeiramente para a satisfação das necessidades da Igreja, entre elas, obviamente,a ocupação/utilização de espaços de antena comercializados pelas estações televisivas e radiofónicas, e, em alguns casos, as páginas de jornais nas quais se anunciam as actividades desenvolvidas pela ou na Igreja.
Convém recordar que em tempo de crise esta instituiçãocontinua a prestar assistência fora das suas portas, nomeadamente aos reclusos e aos doentes, respectivamente, nas cadeias e nos hospitais.
Em todas estas actividades o elemento financeiro está presente, e é neste sentido que o dízimo, e outras contribuições dos fíeis, serve igualmente para a edificação de escolas e de centros de formação profissional, postos de saúde,etc., cujos serviços são usufruidos tanto pelos cristãos como pelos não-cristãos.
Portanto, o argumento supracitadoapresenta-se como insustentável se atendermos ainda ao facto de que a independência da Igreja – no âmbito do princípio da laicidade - estende-se no campo financeiro.
O consumo da música gospel - poderoso meio de consciencialização da sociedade -,incentivado pela imprensa angolananos últimos anos,é outro aspecto que deve ser assinalado, se tivermos em conta as dificuldades por que passaramos cultores deste género musical que pretendiam promover os seus trabalhos nas rádios e na televisão.
Música da igreja?
Era esta a questão com a qual se desprezava um género musical – o gospel - que actualmente encontra espaço nosprogramas radiofónicos e televisivos, alguns destes voltados para a abordagem em torno da também denominada música sacra.
A entrada em funcionamento da TV Celestialconstituisem dúvida um momento de capital importância na História de Angola, em geral, e em particular da Igreja existente neste País,pelo facto deos cristãos angolanos disporem pela primeira vezde um canaltelevisivo angolano dedicadoexclusivamente à pregação da Boa Nova.
Em certos círculos cristãos louva-se a Deus pelo aparecimento dos referidos meios de comunicação social como resposta às orações dirigidas a Si pela Igreja,que deseja conquistar cada vez mais espaços/oportunidades para a pregaçãoda Palavra que restaura oindivíduo que vive à margem das normas socias.
A concretização deste desiderato é sem dúvida um contributo sério para a inclusão social, e igualmente para a difusão de valores espirituais dos quais derivam os valores éticos, morais, civicos necessários para que tenhamos uma sociedade sã, onde o amor ao próximo vivido na sua plenitude e essência torna-se o princípio basilar nas relações humanas.

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