A mão e os lugares, Os flips dos cliques

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“Mas mais do que tudo, o estilo tem a ver com um particular modo de ver”
(M.L.)

Entrada de Porto Amboim

Na língua de Shakespeare, um «flippant», é aquele que não é sério; é o petulante. Aqui entre nós, os “flipados” sãos os loucos, os mentalmente desequilibrados. O fulano tá “flipado”… está louco. E é imediatamente tratado com reservas (como um louco).

Tudo isto é só para dizer que na vida criativa do meu amigo, os flipanços acontecem inesperadamente e muitas vezes – de repente, ele se camaleoa, quero dizer, ele dica outra pessoa; aliás, o amigo do meu querido amigo tá querendo dizer, que, quando ele escreve e toda a gente o lê e pensam apressadamente que ele é escritor!… Quando ele fica apaixonadamente abraçado e a clicar a sua namorada como se ela fosse de carne e alma, dizem logo as más-línguas – as mais ciumentas – este gajo não larga a gaja da sua namorada (nesta altura e neste dia, eles estavam se referindo à inseparável máquina fotográfica do meu grande amigo).

E ainda, tudo isto é para dizer que os “flips” (a desconstrução) nas fotografias do meu amigo é pura brincadeira da criação. Ele diz sempre aos seus amigos, quando o abordam – epá, porra!... – É assim já que se trabalha! – tás sempre a trabalhar de brincar «estragando », desconstruindo. Epá tens que parar «mas tá fixe»!... Um pouco, para relaxar. E assim retrucava já o amigo do meu amigo, embargado na sua voz impercetível. – Porra, quem é que está a trabalhar? Epá, eu não trabalho, eu brinco de trabalhar!... Epá vai tafo ... Vocês os poetas? – Às vezes parecem que sabem falar e outras vezes ficam aí a cantarolar, pá, e um gajo nunca sabe se estão à falar ou se estão a brincar com as palavras…ou, e se estão a gozar com o nosso nariz!

Ele era sempre assim, o meu amigo, nos seus flipanços diários – porque ele não se dava conta, muitas vezes, quando é que estava a escrever ou a ler ou quando estava a fotoflipar o que lia ou o que fotografava… O amigo do teu querido amigo, é um “louco “ beat destes tempos.

Michael Langford, o seu primeiro mestre teórico da fotografia poética filosófica, escreveu assim no seu grande livro Fotografia Básica: “Toda gente faz fotografia”… E é verdade, e agora mais do que antes, até os telefones ou, se quiserem, os telemóveis, então facilitaram-nos as coisas – apegando-se ainda ao seu mestre Langford, o meu grande amigo: “toda a gente faz fotografias por diversos motivos, como é evidente. A maior parte não passa de registos ocasionais, recordações de férias, da família ou amizades. Isto preenche umas das funções sociais mais válidas da fotografia, Fixando ou congelando momentos da nossa própria história para os revivermos no futuro”(…) Durante muito tempo no século XIX(a fotografia foi inventada em 1839) os fotógrafos foram considerados como uma ameaça pelos pintores, os quais nunca se cansaram de afirmar publicamente que os grosseiros intrometidos eram destituídos de qualquer capacidade artística” (…) Com os flips dos clics, graças a Deus, neste nosso tempo da alta tecnologia!...a felicidade é enorme . – Ouviu-se lá no fundo domar, a voz de um dos amigos do meu grande querido amigo, que até então, se manteve calado – Graças a Deus, eles já são, também, artistas !...

“…Segundo M.L, no seu grande livro “Fotografia Básica” pág. (30)…“Chamavam-se a si próprios “fotógrafos pictóricos”, fotografavam objetos pinturescos, muitas vezes através de dispositivos suavizadores adaptados às objetivas e faziam as provas sobre papel com textura, por processos que eliminavam quase tudo o que era apelidado de «horroroso pormenor» da fotografia. Tudo isto foi a necessidade de se distanciarem de tudo isto e conquistar a aceitação como artistas, os fotógrafos «sérios» tentaram forçar o meio de expressão a aproximar-se do aspeto e funções da pintura.

Flips nos Cliques. “O «estilo» da fotografia deve mostrar os nossos próprios interesses e atitudes, e as oportunidades que se nos apresentam. Por exemplo, interessar-nos-ão mais as pessoas ou objetos e as coisas (ou as mãos e as coisas; ou a mão e os lugares!?...) que podemos trabalhar sem estabelecermos qualquer relacionamento com o lado humano? Agrada-nos fração de segundo necessária para a fotografia do movimento, ou preferirem os a abordagem mais demorada, possível com a paisagem ou as naturezas mortas?”

É difícil definir o estilo, mas reconhecemo-lo quando ele aparece. As imagens possuem algumas características em que se misturam a matéria do tema com o estado de espírito (o humor, drama, romance, etc.), o tratamento (de facto ou abstrato), o uso da composição, e até as proporções. A técnica também é importante, desde a seleção da objetiva até à forma de apresentação da prova final. Flips nos Cliques.

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