Cultura diplomática para a história dos nossos dias

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Desde que o Homem se tornou bípede e desenvolveu a fala, passou a comunicar melhor com os seus semelhantes, viver em grupos e evoluir para a organização social, económica e cultural. Esse percurso é a história da hominização

Joseph Ki-Zerbo

Ora bem: exceptuando a história da Criação que coloca um Homem perfeito no jardim do Éden como centro de mundo a comunicar directamente com Deus, o seu Criador, do ponto de vista evolucionista, a pessoa humana passou por diferentes etapas do desenvolvimento físico e do cérebro, durante as quais, a comunicação assumiu um papel relevante, no entendimento entre diferentes grupos humanos deste planeta. Nada é mais emocionante e valioso do que a boa comunicação entre homens e mulheres.

Essa verdade tem tido mais vitórias do ponto de vista cristão, ou se quiserem civilizados O que a força do conflito não resolve, acaba na mesa das negociações.

É através de um processo trabalhado e estudado, que tudo o que precede ou termina um conflito passa pelo fracasso ou o êxito das negociações.

Os Homens, dotados da fala, da inteligência sensível e da racionalidade, sustentamse através da oralidade e da escrita, sendo que a oralidade é um fenómeno muito mais desenvolvido e se diz que a inteligência e a educação das pessoas medem-se pelas palavras, quando se trata de acções directas do diálogo, como último recurso de tudo o que se esgota através da violência física ou bélica.

Dos últimos séculos até aos nossos dias, desenvolveram-se várias escolas: a arte de comunicação vai desde a diplomacia, psicologia, às relações internacionais, em que os estudos de outras línguas e culturas facilitam a interacção humana.

Na melhor das hipóteses, o contacto entre grupos sociais diferentes evolui cada vez mais e melhor no sentido do autoconhecimento e da regulamentação dos interesses.

Do ponto de vista histórico, o encontro de culturas entre a Europa e a África subsariana, disse Joseph Ki Zerbo, historiador africano, "fez-se sem negociações entre os povos que não partilhavam do mesmo universo, da mesma língua, nem dos mesmos princípios".

Na verdade, imperou a lei da força e o avanço técnico de uns submeteu os diferentes, na capacidade técnica e científica daquela época. Se fizermos uma trajectória histórica de diferentes continentes, entre os quais relevamos África, partindo de episódios violentos a negociações e pacificações, percebemos porque com o fim da segunda Guerra Mundial, a segunda etapa foi a Guerra Fria que, ameaçando dilacerar este continente, depressa conheceu os grandes espíritos da inteligência, rapidamente trabalhou para as independências e aderiu com emergência ao fim da famosa Guerra Fria com bom desempenho, desenhando-se como o motor da cultura da diplomacia mundial na solução de inúmeros conflitos, através da arte de negociar.

Nesta particular experiência, destaco o papel da Igreja Cristã que teve os maiores diplomatas de todos os tempos, sem desprimor para outras denominações religiosas, imbuídas de espírito de boa comunicação entre os humanos.

Tornada cultura, a forma de discutir ideias, captar e prender a audiência, faz dos bons políticos e religiosos grandes tribunos. São os que mais estudam o domínio do gesto e da palavra como arte.

Com isso, a história diplomática, não é mais do que uma simbiose perfeita dessas duas técnicas, aliadas a acções afirmativas, como expressão profunda do que queremos de nós, desta vida e dos outros, em termos de equilíbrio. Todo o cenário faz-nos entender que é sobre as importantes realizações que a Diplomacia e a Cultura se movimentam como história e encontram as devidas justificações no contacto com diferentes Estados, politicamente integrados no mundo global contemporâneo, em que o gesto,

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