Elogio da família

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Porque é que em Moçambique as crianças e os jovens de hoje não lêem?

Elogio da família
Criança de moçambicana Fotografia: Arquivo

Propôs-me o Kuphaluxa que eu partilhasse as dúvidas que me assaltam em relação à temática “A literatura infantil em Moçambique e a educação centrada no livro literário no ensino primário”.
Vem isto a propósito desse lugar comum de que actualmente se queixam de modo igual, pais e professores, políticos e gestores: as crianças Moçambicanas, mesmo as que frequentam a escola, dizem, não gostam de ler.
A ser verdade, a pergunta que se impõe imediatamente é: porquê? Porque é que em Moçambique as crianças e os jovens de hoje não lêem? Que estranha maleita súbita será esta que parece ter assolado toda a nova geração de moçambicanos? Terão sofrido uma mutação genética! Não, isso não será. Não ocorrem mutações genéticas no espaço de uma geração. Tem de haver outra causa. Qual?

As respostas que por aí ressoam, mecanicamente repetidas por gente de todos os quadrantes, são todas estereotipadas: porque o livro é caro; porque não há livros nas escolas. Será verdade? Vejamos:
Os celulares são caros, mas não há ninguém que não tenha um, e até dois e três celulares. Mas não lêem. A cerveja é cara, mas os bares e barracas estão todos cheios de clientes bem animados. Que bebem todos os dias. No entanto, nenhum deles lê, nunca. As mechas e extensões capilares são caras, no entanto é difícil ver hoje uma menina ou uma mulher, não importa a idade, com o seu cabelo natural. Mas não lêem. Portanto, não é por causa do preço dos livros que as pessoas não lêem. Também não é por falta de livros que não se lê. Há escolas com boas bibliotecas cujas únicas frequentadoras são as moscas, e onde os livros se empoeiram nas prateleiras sem que as suas páginas tenham alguma vez visto a luz, seja do Sol ou de uma lâmpada, pois os alunos, ali, não leem tanto quanto os das escolas onde não há um único livro.
Portanto, não é nem por causa do preço do livro nem por haver falta de livros que esta prática se encontra em vias de extinção actualmente. Então, qual é o problema? A resposta a esta pergunta, também é uma resposta estereotipada: é porque os jovens não têm consciência sobre a importância da leitura.
E, vai daí, desata toda a gente a apelar à realização de um leque de actividades pontuais e isoladas, pretendendo fazer a consciencialização dos jovens para o facto de que ler é importante e promover entre eles o gosto pela leitura. E, pronto, problema resolvido. Que perguntas se impõem aqui?
A mais óbvia de todas em primeiro lugar: será que ler é de facto importante?
Quando é preciso explicar às pessoas, consciencializá-las e mobilizá-las para o facto de algo ser importante, é porque tal coisa não tem importância nenhuma para elas. Porque a importância é coisa que se sente, não é coisa que se sabe, nem sequer precisa de se compreender. Ora, será que o cidadão comum sente qualquer necessidade de ler?
Quando se pode passar de classe sem saber ler, será que ler é sequer útil? Se se pode ingressar numa Universidade sem ser capaz de ler, será que ler é uma mais-valia? Quando se é admitido a emprego sem conseguir ler, será que saber ler é importante? Importante para quê?
Portanto, a primeira resposta está encontrada: saber ler não é importante. Então, coloca-se outra questão. Para além de ler ser algo inútil, as pessoas não lêem apenas por não sentirem qualquer necessidade de o fazer, ou será também porque não aprenderam a fazê-lo e, por isso, ler é para elas coisa fastidiosa e cansativa?

TÉCNICA E ARTE DE LER
É em resposta a esta pergunta que se enquadra a questão que me foi proposta. Tal como é posta, ela remete o assunto, logo à partida, para a escola. No que tange à questão da educação centrada no livro literário, tive já a oportunidade de expressar as minhas dúvidas através de um artigo intitulado “Obrigar a Ler é Preciso”, publicado pela primeira vez na PROLER de 27 de Abril de 2014.
E que se resume ao seguinte:
Ler é uma acção que tem dois níveis distintos de qualidade: técnica e arte. Saber e gostar. Não se ensina a gostar. Só se ensina a saber. Para ser possível chegar a gostar de ler, é necessário antes dominar as técnicas de leitura, para que esta acção possa ser feita sem sacrifício.
Como questão de técnica, aprender a ler é obrigatório, pois é matéria de dever cívico, na medida em que fazê-lo é necessário para o cidadão ser capaz de compreender os fenómenos sociais e naturais que o rodeiam, de maneira a poder respeitá-los eticamente. Pode questionar-se: ah, mas no campo as pessoas não iam à escola, mas tinham grande respeito entre si e pelo meio ambiente! Sim, é verdade, mas no campo, nessa altura, as pessoas tinham uma família e uma tradição que as educava e as condicionava. Que hoje não existem mais. A sociedade está em desenvolvimento. Para o bem e para o mal. Entre esses males está a perda da influência familiar e a substituição das tradições rurais comunitárias por tradições urbanas individualistas. Neste contexto, aprender a ler não é mais um direito. Agora é um dever.
E, como dever, ler não é matéria de gosto. É matéria de obrigação. E as obrigações têm de ser impostas.
Não se aprende a ler com actividades esporádicas, pontuais, isoladas ou com campanhas. Aprender a ler é uma acção sistemática, consistente e persistente.
Tem que ser criado nos indivíduos o hábito da leitura. E os hábitos são o fruto de práticas, que são interiorizadas por efeito de repetição, até que são automatizadas – e, daí, realizadas sem esforço nem dificuldade. E, talvez, até com prazer. Mas isto não está a acontecer de há uns anos a esta parte.
Ora, temos, portanto, aqui uma segunda resposta: para além de não servir para nada, as pessoas não sabem ler. E, agora, o que é que se faz? Mais apelos e mais uns concursositos de leitura aqui e umas campanhas ali, em dias comemorativos? Não. A quantidade de actividades dessa índole que já se organizou ao longo dos últimos anos já nos mostrou repetidamente que o caminho não é por aí. De nada vale fazer apelos à leitura, se essa competência não é útil para nada e as pessoas não a possuem.
Não há soluções simples para problemas complexos, como o é o problema da leitura. O problema da leitura requer várias soluções simultâneas e interligadas. Parte delas, fora da escola. Nem todos os problemas que se reflectem na escola, se resolvem dentro da escola. Se queremos que ler seja sentido como sendo de facto, importante, é preciso em primeiro lugar colocar na sociedade (na escola, no emprego, etc.) barreiras que só quem saiba ler pode ultrapassar e vencer.
E, simultaneamente, é preciso assegurar a todos os cidadãos a oportunidade igual de desenvolverem as capacidades necessárias para ultrapassarem as barreiras, se o quiserem fazer. É aqui que entra a escola.

ENSINAR OS ALUNOS A LER
Cabe à escola o papel de tornar a leitura um hábito – e não um gosto – através dessa acção sistemática de ensino e consolidação das técnicas de leitura.
É preciso que o currículo obrigue a fazer essa leitura até que essa prática, de repetida, seja internalizada e automatizada, passando a ser feita sem esforço.
Não é com pedaços de informação isolada, soltos, que se ensina na escola. Na escola ensina-se de forma sistemática e em sequência intercalada de matérias. É preciso proteger a escola das infinitas interferências, que rompem hoje o tecido curricular, enfraquecendo-o e impedindo que na escola se faça aquilo que lá se deve fazer: ensinar os alunos a ler, como instrumento fundamental para poderem adquirir a informação necessária para poderem raciocinar.
Porque, atente-se, ler não é meramente uma questão de pronúncia de palavras, de regras gramaticais para agregação de palavras, de estruturação de palavras em frases, de tempos de verbos. Para serem aprendidas, é preciso que essas técnicas de leitura sejam aplicadas sobre a aquisição de conhecimentos com significado. Sem isso, nem as próprias regras serão aprendidas.
Ler é uma questão de compreensão de significados. Toda essa técnica só é útil para tornar os significados claros. A leitura não é um objectivo, é um meio. A leitura não é reprodução fonética, é interpretação e compreensão.
Foi essa uma das razões pelas quais a sociedade criou a escola: porque a compreensão de significados requer interdisciplinaridade, que só o currículo escolar permite proporcionar.
Para que os alunos aprendam a ler, eles têm de ser obrigados a ler, repetidamente, na escola. A aprendizagem é um processo complexo, sistémico. Requer procedimentos, métodos e meios interligados. Um desses meios é o livro.
A melhor maneira de conseguir isto é fazer com que a escola tenha uma série de livros de leitura obrigatória em cada classe. Não quaisquer livros!
Para alcançar este fim, a questão não é apenas de ir despejar umas caixas de livros nas escolas. Os livros são objectos inanimados. Não ensinam a ler. Quem ensina a ler é o professor, seguindo um programa de ensino. Têm de ser livros criteriosamente seleccionados por profissionais com competências para tal. Têm de reunir determinadas características gráficas, que correspondam às características psicossomáticas da idade escolar em que vão ser empregues, usar linguagem, abranger temática e estar escritos com um grau de complexidade que correspondam ao estágio de desenvolvimento psíquico da idade e aos conteúdos de cada classe, por via dos quais a sociedade determinou quais os valores e as competências que quer que os seus filhos adquiram na escola, e que estão cientificamente encadeados no Currículo vigente.
Tal como o acto da leitura, o livro não constitui objectivo em si. O livro é um instrumento. E um mau instrumento produzirá um mau resultado.
A literatura infanto-juvenil, mais do que qualquer outra forma de arte, em virtude do seu alvo ser particularmente vulnerável à manipulação, pode servir propósitos distintos. Há histórias infantis que promovem a crença, o medo e a subserviência por oposto a outras que promovem o raciocínio, a iniciativa e a adesão voluntária aos valores cívicos. Há histórias infantis que promovem diversas formas de descriminação, por oposto a outras que promovem o ideal da equidade. Sobre esta matéria tive já a oportunidade de fazer uma apresentação, que intitulei “Elogio da Infância”, na II Semana Literária de Maputo, igualmente promovida pelo Kupalhuxa e publicada pela primeira vez nas revistas Literatas 49 (Novembro 2012) e 50 (Janeiro 2013).
Depois do saber, poderá, então, vir o prazer, o gosto. Se como técnica, aprender a ler é uma obrigação de cidadania e de civilidade, já como arte, ler é um direito, é matéria de prazer. Faz quem quer. Se quiser.
E, se a vertente técnica é matéria das escolas, de facto, parece-me, todavia, que, como foi colocado, ao remeter a questão directamente para a escola, o tema remete para o segundo andar de um edifício que não tem primeiro andar! Parece-me que a questão passa por cima dos alicerces da educação. O alicerce da educação é a família, não é a escola.
O período decisivo da formação da estrutura da personalidade do indivíduo é aquele em que a criança está ao cuidado exclusivo da família. Quando a criança chega à escola, aos 6 anos, já é tarde para muita coisa. E de nada vale antecipar sucessivamente a idade de entrada na escola, porque essa estrutura central da personalidade da criança só pode ser desenvolvida de forma sã e equilibrada através de prolongada e intensa atenção individual – que só uma família pode dar.
Esta primazia da responsabilidade da família sobre a sobrevivência e o desenvolvimento da criança (Artigo 6 da CDC) vem claramente proclamada na Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas. A CDC das NU não proclama a escola como primeiro responsável pela criança. Proclama a família, logo no seu Preâmbulo. Esta primazia é reiterada no seu Artigo 5.
E o que é que diz a CDC quanto à Educação? Vejamos.
No Artigo 18.1, proclama: “A responsabilidade pela educação e desenvolvimento da criança cabe primor¬dialmente aos pais ou, se for esse o caso, aos representantes legais.”
Só, finalmente, no Artigo 28 é que a CDC fala da escola:
“1. Os Estados Partes reconhecem o direito da criança à educação e, com vista a assegurar o exercício progressivo desse direito em condições de igualdade de oportunidade, deverão em especial:
Tornar o ensino primário disponível, acessível, obrigatório e gratuito, para todos; (…)”.
O que só sucede a partir dos 5 ou 6 anos. Tarde demais, insisto.

A RESPONSABILIDADE
DA FAMÍLIA
Para se poder vir a gostar de ler, primeiro tem de se aprender a ler. Ora, aprender não é brincadeira! Aprender é esforço, é ultrapassar barreiras, cientificamente sequenciadas e interligadas, umas a seguir às outras. Aprender é difícil e exige disciplina e respeito pelos outros.
Essas são qualidades indispensáveis para aprender a ler – actividade que, como sabem aqueles que conhecem o currículo, começa logo na primeira classe. A escola não tem capacidade para ensinar nenhuma dessas qualidades. Apenas tem capacidade para as consolidar e desenvolver – mas, para tal, é preciso que as crianças cheguem à escola já com elas, ainda que em estado pouco desenvolvido.
É na infância que se moldam os hábitos e as atitudes. A criança chega à escola com os traços de personalidade já esculpidos. Se já lá chega preguiçosa, chega lá sem capacidade para aprender! E pouco poderá um professor, com 25, 50, 75 crianças ao seu cuidado, fazer.
Ademais, a responsabilidade primária da família prevalece mesmo depois dos 6 anos, quando a criança já está na escola. De onde sai o aluno, quando chega à escola? De casa. Para onde vai o aluno, quando sai da escola? Para casa. Das 24 horas de cada dia a criança passa apenas 6 horas (1/4 do dia, 25% do tempo) na escola. O potencial de influência da escola, por consequência, é reduzido, é limitado. Tanto em termos de intensidade quanto em termos de diversidade de conteúdos.
O desempenho da escola assenta no substracto congénito e social aprendido até à idade escolar e trazido da família.
O que nos leva a recordar: para que é que a sociedade criou a escola? Que função lhe atribuiu? A de substituir a família? Ou a de complementar a sua acção educativa, com componentes cujo carácter técnico e sistemático requer competências que ultrapassam aquelas que os pais possuem?
E, aqui, encontra-se uma outra causa do problema. A escola é produto da sociedade. A escola é feita à imagem e semelhança da sociedade. A escola tanto pode ser um instrumento de progresso e desenvolvimento como pode ser um instrumento para manutenção do status quo. Uma sociedade à qual não interessa ler, não criará uma escola que ensine a ler. É a escola que é parte da sociedade, não é a sociedade que é parte da escola. E, portanto, a escola está ao serviço da sociedade, razão pela qual só tem a capacidade de produzir aquilo que a sociedade lhe cobrar.
Donde saem os alunos quando vão à escola? Saem da família, célula base da sociedade. Leem os pais? Não. Porque é que vão ler as crianças? De onde saem os professores? Saem da comunidade, esse núcleo base da estrutura social. Leem os professores? Não. Como é que vão ler as crianças? O que pode esta sociedade cobrar à escola em matéria de leitura? Chega de nos andarmos a apontar o dedo uns aos outros. A responsabilidade primária é de cada um de nós, irmão, tio, avô, que não lê, que não serve de exemplo às crianças.
Mas, hoje, vemos os pais serem os primeiros a reclamar do desempenho da escola, para se desresponsabilizarem, assim, das suas obrigações. Porque é de obrigações que estamos a falar, entenda-se. Ser pai ou mãe requer competências. E, logo, do mesmo modo que não é de qualquer maneira, nem qualquer um que pode ser arquitecto, cirurgião ou piloto de avião, também não é de qualquer maneira nem qualquer um que está apto a ser pai ou mãe! É preciso aprender a sê-lo! Antigamente, era a família que dirigia essa aprendizagem. Hoje não o faz mais.
A escola pode muito – mas não é omnipotente. A Escola é apenas um complemento da educação familiar. Ela foi criada pela sociedade com um objectivo específico, num período próprio. E esse objectivo não é, nunca foi, e jamais poderá ser substituir a família. Mesmo porque nem todos os recursos tecnológicos mais modernos do mundo juntos podem fazê-lo. A família é insubstituível.
Por isso, nada mais pode do que desempenhar uma função muito concrecta e específica, bastante limitada.
Uma dessas limitações é precisamente o facto de que, uma vez que a escola atende a todos os alunos e o deve fazer em condições de igualdade, a escola só pode dar o mesmo a todos. Cabe à família atender às particularidades das suas crianças, ou seja, aos seus gostos.
Ocorre que nos tempos que correm, os jovens têm filhos cada vez mais cedo, despreparados, e desenquadrados da rede da família alargada que no antigamente ensinava e condicionava o comportamento dos novos pais, nomeadamente em matéria de como educar os novos membros da família. Em resultado disso, um número cada vez maior de crianças cresce sem o amparo familiar. Quando essas crianças chegam à escola, muitas delas chegam lá distorcidas, sem disciplina, sem hábitos de higiene e de esforço. Inaptas para aprenderem ao ritmo escolar.
A redução do efeito da família que a urbanização traz consigo requer uma jogada de antecipação que assegure a substituição de alguns dos seus papéis por serviços sociais. Que têm de ser obrigatórios.
Impõem-se que se encontrem soluções para aquilo que se perdeu com o desenvolvimento social. Não podemos continuar estáticos, a olhar para as novas circunstâncias, pelo binóculo das velhas tradições que mantinham a sociedade coesa, lamentando a falta de valores dos tempos actuais, sob pena de a vernos desmoronar-se irremediavelmente perante a nossa passividade enredada de lamentações.
Urge dedicar atenção à preparação dos pais para podem ter filhos. Espanta-me que para conduzir uma bicicleta seja preciso uma licença do Conselho Municipal. Para conduzir uma motorizada de 50cc é preciso ter uma Carta de Condução. Mas, para ter filhos, não é preciso autorização nenhuma! É só fazê-los. E como o acto de os fazer é prazeiroso…
É necessário investir em acções de preparação dos jovens, que hoje têm filhos cada vez mais cedo e desligados da rede familiar física, hoje substituída pelas chamadas redes sociais virtuais, em que todos estamos mas em que ninguém é.
Não seria tempo de criar Escolas para ensinar os pais a sê-lo antes de o serem? E quem não passasse no exame, não seria autorizado a procriar-se e teria de repetir o curso até obter o certificado… Sei que não se pode chegar tão longe. Pelo menos, por ora. Mas há coisas que se podem fazer já. Por exemplo, nas consultas pré-natais, em vez de se medir apenas a hemoglobina da mãe, o volume da barriga e o peso do feto, e, depois do nascimento, em vez de apenas se ir ao Posto de Saúde para pesar o bebé e dar-lhe vacinas, porque é que, em todas essas ocasiões não se obriga os pais a participarem em sessões de aprendizagem sobre como atenderem e promoverem o desenvolvimento psicomotor saudável e equilibrado do bebé? Para que chegue à escola aos 6 anos, apto para aprender.
E para que a escola possa, assim, desempenhar a sua limitada parte na curta etapa que lhe cabe no processo permanente de educação do indivíduo.
E para que, em resultado deste nó górdio, as crianças Moçambicanas possam desenvolver plenamente as suas faculdades, como pássaros intrépidos criados ao vento, e não como aves domésticas enjauladas.
É que… como disse Alejandro Jodorowsky, intelectual chileno multifacetado, “Pássaros criadas em gaiolas, acreditam que voar é uma doença”A incapacidade de ler, hoje, é a mais cerrada de todas as gaiolas. É um verdadeiro cárcere. E, amanhã, ler poderá vir a ser considerado loucura!

Maputo, 25 de Outubro de 2015

Carlos dos Santos

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