Lusofonia “Nunca se fez tanto nesse país…”

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Quem tem o costume de ouvir os líderes de um dos nossos maiores partidos da oposição há-de ter notado que na sua fala ocorrem poucas transgressões às normas gramaticais.

Lusofonia “Nunca se fez tanto nesse país…”

Sei que eles são zelosos da sua fala e corrigem-se, quando não acertam. Por isso, este artigo não tem outro propósito senão o de colaborar com eles. A frase acima é de um líder partidário de um dos maiores partidos da oposição, a propósito dos 12 anos de Paz. Dado o desconto por tratar-se de uma afirmação, uma crítica, deve-se chamar a atenção: ESTE PAÍS e NESTE PAÍS referem-se ao país em que vivemos, a República de Angola. ESSE PAÍS e NESSE PAÍS, por sua vez, referem-se a um outro país, como, por exemplo, o Brasil, Portugal, os Estados Unidos, etc. Por isso, quando esse líder partidário diz «Nunca se fez tanto nesse país…», obviamente ele fala de um outro país e não de Angola. Ora, sendo assim, resta perguntar e exigir uma resposta convincente: Será o Brasil? Ou será os Estados Unidos?
NESTE PAÍS (a República de Angola, evidentemente) realmente já se fez tanto, em todas as províncias (como, por exemplo, estradas, hospitais, escolas, etc.); já “nesse país” (que não sabemos se é africano e/ou europeu) nunca se fez tanto em todas as províncias.
Quem ouve esses líderes partidários está condenado. Condenado a desaprender. O problema, como se vê, é desconhecimento mesmo, e não lapso ocasional.
Gostaria de saber qual foi a escola que ensinou a esse líder partidário que esse é pronome que se usa para designar o tempo no qual se está ou objecto próximo. Boa escola certamente não foi. E eles ainda se esforçam por passar para os militantes que são profundos conhecedores da língua, o que só agrava o quadro. Prestam, em verdade, desserviço à causa do ensino e da Educação.
Volte à escola, senhor! Volte a esquentar os bancos escolares! Seu aprendizado está incompleto. O retorno só lhe fará bem. Aproveite enquanto há tempo!
É este que designa o tempo no qual se está ou objecto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou a ler), este século (o século 21).
(Vide Manual de Redação do jornal OESP, 1997; Manual de Redação e Estilo, de  Eduardo Martins.)
Ir contra o uso de qualquer dessas formas é dar murro em ponta de faca.
Se nos referimos a Portugal, aceito a expressão “nesse país”, pois claro. São coisas de instrução primária. E se esse líder partidário voltasse para lá? Olhe que não perdia o tempo.
Todo o ser humano tem realmente o direito de errar. Ninguém é perfeito. Mas usar neste país por nesse país já é quase loucura!… Acaso, referindo-se a Angola, pode o leitor dizer “nesse país”? Só mesmo quem fugiu da escola pode dizer nesse país referindo-se a Angola.
Eu tenho um sonho (parodiando um líder negro americano): nunca mais ter de escrever nada neste jornal (por já não me darem chance alguns líderes da oposição) …

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