O imbondeiro bonsai na mesa do meu quintal, o meu tratado da árvore

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«Cultiva, rega a jovem planta antes que ela morra: Um dia, deliciar-te-ás com os seus frutos... A cultura molda as plantas, a educação molda os homens.» Robert Dumas

Neste estar entre a árvore e o mar, aconteceu o momento áureo do alumbramento ­ "e o meu querido amigo começou a escrever, na areia, com um pau feito caneta: À beira do mar, os meus pés na areia da minha praia / os meus pés à beira do negro destino o mar na errância e a árvore sólida, no meio da obscura errância dos dedos que vagueiam/ da semente dispersa, a árvore se celebra, arrojada, no milagre da folhagem austera/ o impulso do crescimento vegetal se aponta nas alturas. A copa da árvore, última fase da elevação/ o futuro e o exílio à beira do negro destino ­ semeemos Homens!" O imbondeiro, sinal de esperança e de resistência, pode servir de ponta de junção, de médium universal, de sigla.

Aliás, entre nós, participa par e passo, na comunicação natural. Da semente da múcua, os ventos semearam-no e removem-no; e os mares, meus ares, banham-no; todas as ondas que o percorrem o ligam ao mundo inteiro.

Desde a sua germinação, a árvore é promessa. É «poderoso» como o amanhã. Citando V. Hugo: "Os amanhãs deveriam cantar, hoje no gesto de ficar, hoje no gesto de plantar/ Os amanhãs deveriam cantar, o progresso deveria governar o mundo. O vegetal, que obedecendo à paciência do tempo, se ergue no espaço e ilustra perfeitamente essa fé. A fé da árvore, que ruma para as alturas, para além das vicissitudes e das gerações.

Desde a raiz até a copa, há ondas vivas que as percorrem".
Parafraseando o mestre R. Dumas, com acréscimos poéticos do querido amigo do meu amigo: "A árvore, nascida de sementes dispersas e reunidas para sua fecundação (a árvore) só pode incitar à união das forças, vença quem vencer" ­ somos o um desta Pátria Imbondeiro. As suas musculadas ramificações vêem-se dos quatro cantos do horizonte e reúnem-nos no seu centro.

A árvore unifica constantemente o que é múltiplo. Tal como a árvore, esta crónica segue-lhe o exemplo. Pátria imbondeiro. Árvore, esse teu corpo é muito mais do que um símbolo de resistência e de compromisso político.

Árvore, a tua integridade permite salvaguardar no meio do caos os grandes princípios de vida e de sobrevivência. Árvore, a partir de ti, outros corpos, carne ou alma, poderão constituir-se; os nascimentos poderão suceder-se.

Pátria imbondeiro, que seja árvore universo, árvore cidade, árvore Homem. Que seja como o imbondeiro, uno e inumerável. Imbondeiro árvore, esse teu corpo mostra constantemente que a resolução dos contrários é que é fecunda.

E assim, o meu querido amigo caminhando pró mergulho matinal ­ já habitual, o mar era a continuação da festa diária. Porque nele, a árvore e a mão, esses dois seres, vêem-se face a face ­ para melhor suportar o peso do vento.

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