Os museus angolanos: E o desenvolvimento sustentável de África

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Angola realizou a 25 de Maio, o Encontro dos Museus, no contexto da comemoração da Jornada de África.

Os museus angolanos: E o seu desenvolvimento sustentável de África
Museus angolanos

Tentaremos nesta nossa contribuição, entrever as linhas de projecção e semelhanças do panorama da cadeia das instituições museológicas do nosso país com o resto do continente na temática intitulada “Os Museus angolanos e o desenvolvimento sustentável de África”.
No nosso entender, o conceito sustentável é sinónimo de duradoiro e perfeitamente renovável.
A durabilidade do impacto dos museus passa:

- pela sua influência (primeiro input) nos recursos humanos, visando o aumento da sua auto-estima histórica, o orgulho das suas civilizações, uma maior aderência à terra angolana ou africana e, consequentemente, uma melhora disposição produtiva. Nesta senda, as nossas estruturas de carácter etnográfico devem realçar o período da proto-história salientando a partida dos Grassfields, as trocas civilizacionais nilóticas com o Egipto antigo, a chegada ao actual território angolano, o surgimento no fim do primeiro milénio da nossa era de formações sociais bem estruturadas e na primeira metade do segundo milénio da nossa era, de Estados federais tais como o Kongo;

- pelo seu segundo input, através de museus temáticos, tais como o nosso Museu da Escravatura que fixa a memória colectiva, angolana e africana, da tragédia do Atlântico, das guerras de captura, das intermináveis e mortíferas caravanas, dos animalizantes barracones, das funestas travessias do Mar, a venda em leiloes, a instalação nas fazendas de cana de açúcar ou de café e nas minas.
Destaca, igualmente, as revoltas, a organização dos quilombos e palenques, assim como a participação nas guerras de independência nas Américas e nas Caraíbas.
Relembra o subterfúgio jurídico do trabalho forçado e o Wele ku Tonga, a partida para as ilhas de São Tome e Príncipe;

- pelo seu terceiro incitamento, através de museus biográficos ou relembrando a resistência ao colonialismo tais como o do Museu dos Reis do Kongo ou o Museu da História Militar.

O MRK, especificamente, embarca a história dos soberanos do antigo tecido federal hoje partilhado pela Angola, os dois Congos e o Gabão.

SINTESE E CONCLUSÃO

A contribuição do exemplo dos museus angolanos ao desenvolvimento sustentável de África pode ser examinada no domínio do turismo.
Uma das manifestações culturais mais expressivas dos museus é, indubitavelmente, o formato dos seus acervos, que representa geralmente uma referência na memória colectiva dos visitantes.
O que nos obriga a afirmar, peremptoriamente, que sem cultura não há turismo. As ofertas turísticas constituem, em certa medida, o suporte que serve, em Angola e em África, a médio prazo, de meio à regeneração das culturas, concorrendo em grande medida para a sua promoção mundial.
Com efeito, os museus angolanos vão contribuir para uma maior compreensão das civilizações proto-históricas africanas, do período do Captive Passage e da resistência contra o colonialismo.
Os museus angolanos, à semelhança dos de África, criam gradualmente uma indústria turística aplicando investimentos nos transportes, na hotelaria, informação, na gastronomia, no artesanato, nos eventos culturais.

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