Paz Literatura & Cultura

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Nasci no interior do país. Vivi a experiência dos horrores da guerra. Anelava o momento de um dia poder andar livremente nesta Angola imensa. É já realidade.

Todo o ser consciente desejará a paz em vez de a guerra pois ela, a guerra, e todas as suas motivações devastam o tecido social e cultural de qualquer nação.

Mas o que é, na verdade, a paz? Como a literatura pode promover a cultura da paz? Que ganhos para a cultura, a arte e a educação? São questões para levar-nos à reflexão e o exercício desta abordagem será mera opinião.

Dentre as várias aceções da palavra paz, este vasto conceito, quero reter a seguinte: ela é a liberdade sem guerras, é segurança pública, harmonia, concórdia, serenidade, reconciliação. Já “Cultura” é um conceito de dimensões mais amplas e complexas para o entendimento. O Homem se humaniza produzindo o seu mundo, gera a sua marca cultural ou as diferentes manifestações culturais.

O homem é intrinsecamente “homo cultaralis”. Podemos arriscar que a ideia de Cultura, se refere à literatura, ao cinema, à arte, à dança, à música, dentre outras manifestações do génio humano, porém, o seu sentido é bem mais abrangente.

Podemos olhá-la ainda como o desenvolvimento, melhoria e refinamento da mente, emoções, interesses, maneiras e gostos, ideias, costumes e habilidades de um dado povo em um dado período.

Sendo assim, devemos buscar uma cultura de paz que se fundamenta na criação, mediação e transferência de valores, ideias, informação e costumes.

Uma cultura de paz, encaramo-la como força tanto produtiva quanto reprodutiva que transmite padrões culturais do presente e do passado e uma influência educacional e criativa importante por meio do seu poder de inculcar novos valores, normas, atitudes, comportamentos e é aí que a Literatura joga o seu papel fundamental de promotora da cultura de paz.

Coma constituição da UEA- União dos Escritores Angolanos em 1975, os escritores foram convocados a permanecerem na vanguarda, face às grandes tarefas de libertação e reconstrução nacional. Foi assim com os predecessores dos novos escritores na altura que, na sua época, exprimiram os anseios das camadas sociais mais vulneráveis, que mais sofreram a exploração do então regime colonial.

Hoje, os escritores angolanos têm direcionado as suas obras para a tomada de consciência da paz. Ricardo Riso, ao criticar a obra de Roderick Nehone, escritor que se revelou nos anos 90, considera que a literatura angolana passou da “euforia comunista dos primeiros anos do país à grave crise que se espalhounasdécadasde1980/90, motivadapela guerra civil”, realçando que com “o fim do sangrento conflito no início deste século e a entrada desenfreada do capital estrangeiro, consequência da estabilidade política, Angola, mais precisamente Luanda, com suas peculiaridades e contradições, sempre foi um terreno fértil para os escritores”.

Todos nós, escritores, poetas, músicos, intelectuais, ativistas cívicos e o povo em geral, somos hoje chamados a promover a cultura de paz. O Estado é o maior responsável pela viabilização da cultura de paz.

O executivo angolano deverá empenhar-se cada vez mais na criação de escolas pois, um país com a educação em dia ganha maior consciência de paz.

No âmbito da formação artística e cultural, dever-se-ão garantir maiores apoios e a criação de infra-estruturas apropriadas para a promoção da cultura como bibliotecas comunitárias, salas de teatro e o apetrechamento dos museus bem como a preservação dos lugares e sítios.

É deveras a paz que o povo chama. É graças à paz que tenho a liberdade de me expressar diante dessa “malta” vibrante que dinamiza a cultura.

Viva a paz e a cultura.

Mulemba waxa Ngola, 07 de Abril de 2012.

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