Pedrito do Bié e Pink Floyd: Canções por uma escola afetiva

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Que consciência adquire a criança enquanto sujeito ativo do fenómeno cultural? Esta questão trazida à tona do tema desta edição, o Dia da Criança Africana, encontra resposta paradigmática nas duas canções de Pedrito do Bié, nomeadamente "Professora", de Angola We (2007), álbum de estreia do cantor de palmo e meio e "A Gasosa", do mais recente CD lançado em 20 de Maio deste ano, com o título A Suko Yangue.

Canções por uma escola afectiva

A escola angolana e as vicissitudes de um sistema educativo atingido pela conjuntura sócio económica degradada por décadas de intenso conflito é elevada ao domínio da Arte, no que ela tem de mais problemático para a criança ­ a violência física e administrativa dos professores ­ por essa voz transparente e cativante que sai das cordas vocais de Pedrito do Bié.

Porque a violência contra as crianças nas escolas é um problema mundial, que provoca um efeito demolidor na vida de milhões de crianças a cada ano, o lançamento de A Suko Yangue levou-nos a um estudo comparativo entre as duas músicas de Pedrito que falam da escola e uma outra canção que abalou as mentes juvenis no final dos anos 70, "Another Brick in the Wall", inserido em The Wall, o décimo primeiro álbum da banda inglesa de rock progressivo Pink Floyd, lançado em 30 de Novembro de 1979.

Para ilustrar o êxito de The Wall, bastará dizer que foi um dos álbuns mais vendidos em 1980, com mais de 11.5 milhões de unidades nos Estados Unidos. A conceituada revista Rolling Stone listou The Wall na 87ª posição da sua lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.

É verdade que Pediro do Bié não se compara, nem de longe, em termos de fama universal, aos Pink Floyd.

O facto de unirmos aqui o nosso Pedrito e uma das maiores bandas do Rock de todos os tempos é simplesmente a coincidência temática das suas músicas, centradas na crítica a um sistema de ensino quase medieval, fundado ainda sob a batuta anacrónica do excessivo autoritarismo e até, da violência física.

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