Será a religião um instrumento de dominação?

Envie este artigo por email

Há geralmente um credo popular segundo o qual a religião seria o "ópio do povo".

 

Devo admitir que a História apresenta as grandes religiões como suporte do comportamento das massas, e logo vem a mente a curiosidade de saber se os crentes não estariam apenas obedecer as vontades humanas dos seus líderes.

Daí a minha pergunta inicial: será a religião um instrumento de dominação? Apraz-me aqui refletir um pouco em torno dessa questão.

Contexto histórico-filosófico

Nos diálogos platónicos da República, Sócrates defende que os jovens devem ser programados pela "razão" para que a sua integridade na sociedade seja coerente. Ora, a religião programa pela "fé" a integridade do Homem em geral. Busca-se a verdade pela razão e a fé é auxiliada pela imaginação.

Na época medieval euro-ocidental, (séc. V-XV), a Igreja Católica afirmou-se e buscou no modelo religioso as ferramentas políticas para a "Cidade" romana. Nasce o catolicismo romano (Dave Hunt, págs. 231233), do qual somos herdeiros.

Razão pela qual Estado e religião mantêm suas relações inelutáveis e proporcionou uma leitura dicotómica: os infiéis/desordeiros; os fiéis/ordeiros; não e católicos/cidadãos católicos/indígenas, etc.

A predominância da religião sobre o Estado manifestou-se de várias maneiras: no monopólio do ensino, na entronização e excomunhão de monarcas pela Igreja, etc., etc. A visão teocêntrica permitiu a Igreja legitimar a relação desigual senhor-servo e exercer o controlo sobre o pensamento do homem medieval em todos os níveis, inclusive no domínio intelectual. No século XVI o Catolicismo foi perturbado com o surgimento da Reforma: o monopólio da interpretação dos textos bíblicos passou ao alcance do crente.

O pluralismo interpretativo proporcionou o liberalismo; este suportou a democratização e o fim da superioridade do dogmatismo católico (Jostein Gaarder e outros, pp. 204220). Ainda assim, a Igreja dispunha de muito poder: (i) acumulou riqueza dos reinos sob seu controle; (ii) afirmou-se como potência diplomática entre os reinos adversários; (iii) detinha ainda milhares de fiéis a sacrificar as suas "vidas" em nome da fé católica.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos