A guerra e os cogumelos da salvação

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Esta obra A Guerra e os Cogumelos da Salvação é da autoria do tenente general Américo José Valente, das Forças Armadas Angolanas.

Esta obra A Guerra e os Cogumelos da Salvação é da autoria do tenente general Américo José Valente, das Forças Armadas Angolanas. Este oficial generalé detentor dos graus académicos de Doutor em Ciências Militares (Rússia) e em Ciências Políticas (Cuba). Com esta obra, o tenente general Américo José Valente estreia-se no mundo das letras. Outrossim, esta obra sai a público com a chancela da Editora Acácias. A presente obra A Guerra e os Cogumelos da Salvaçãopossui duas partes. Elas contêm um conjunto de informações que o seu autor achou por bem levar ao nosso conhecimento. Também no corpo da obra há mais duas peças apensadas, as quais atestam a importância das informações descritas pelo autor e ajudam a compreender tudo o que o autor narrou. Na parte final da obra há mais considerações que reputamos comoúteis. No geral, este livro tem apenas noventa e sete páginas. Também há que destacar o facto de que esta obra -A Guerra e os Cogumelos da Salvação -tem um prefácio da autoria do general-de-exército João Baptista de Matos, que foi o primeiro chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Angolanas. O prefácio empresta outra mais-valia a obra porqueo mesmocontém algunspontos de vista sobre os factos que o autor narra no contexto da guerra.De resto, o general-de-exército João Baptista de Matos era, na altura em que os factos sucederam, a entidade militar mais alta em termos da condução da estratégia operacional das Forças Armadas Angolanas, sem esquecer, como é óbvio, a direcçãoda guerra no nível estratégico por parte do então Comandante-em-Chefe José Eduardo dos Santos.
Com esta obra, o tenente general Américo José Valente deseja tão-somente explicar certos factos de índole militar que ocorreram no contexto da guerra que Angola viveu no período de 1992-2002. Quer dizer, o interesse é informar aos angolanos o que as Forças Armadas Angolanas fizeram, no contexto das operações militares que se levaram a cabo e não só, a fim de fornecer meios às suas tropas que operavam em condições extremas e acorrerpopulações, de certas localidades do país, que se encontravam carentes de tudo um pouco. Estas acções das Forças Armadas Angolanas, consubstanciadas em desembarques de pára-quedas com diversos meios, são o que o tenente-generalAmérico José Valente designa como Cogumelos da Salvação. A ideia impregnada neste título é de grande alcance e atesta o que se fez a fim de assegurar a indivisibilidade do território nacional, bem como para fornecerbens às populações face à s0ituação que elas enfrentavam naquele momento de guerra. O tenente general Américo José Valente descreve nesta obra pioneira o período dos desembarques, desde o seu começoaté as etapas subsequentes no espaço de tempo de 1993 a 2001. Conforme relata o autor, as Forças Armadas Angolanas realizaram mais de mil desembarques aéreos de cargas no período de 1993 a 2001. Estes desembarques permitiram fornecer 13 000 toneladas de cargas. Para melhor esclarecer, ele destaca:
Dentre as províncias que viram a sua salvação cair do céu, as mais beneficiadas e ao mesmo tempo as mais martirizadas e que também resistiram graças a este método de abastecimento foram o Cuito e o Cuando-Cubango.
Entre as localidades que muitas vezes viram as nuvens a serem rasgadas pelos enormes cogumelos da salvação destacamos: Cuito, Kunje, Chitembo, Cuemba, Munhango, Luando, Menongue, Cuchi, Mavinga, Licua, Malange, Cambundi-Catembo, Sautar, Quirima, Luquembo, Cafunfo, Luzamba, Cacolo, Alto-Chicapa, Xassengue, Balombo, Tchingenje, Ukuma, Longonjo, Cuima, Quilengues e Maquela do Zombo, dentre outras (A. J. Valente, p.36).As cargas destinavam-se às Forças Armadas Angolanas e às populações nas localidades acima descritas. Tanto mais que o autor explica como as Forças Armadas Angolanas mais alguns órgãos da Administração Central do Estado coordenaram acções no sentido de mitigar o sofrimento das populações. De resto, o tenente general Américo José Valente sublinha «que não estavam cercados apenas os militares. Havia população civil nas mesmas condições e clamando por tudo e mais alguma coisa.»
Na guerra em que se encontrava mergulhado o país, a decisão tomada pelo Comando das Forças Armadas Angolanas, sob liderança estratégica do então Comandante-em-Chefe José Eduardo dos Santos, permitiu colmatar de maneira pontual as insuficiências das tropas que se encontravam isoladas no teatro da guerra e fornecer os mantimentos. O mesmo se passou quando as Forças Armadas Angolanas desencadearam operações militares pontuais. Elas penetraram nas linhas das forças contrárias e asseguraram, pelo sistema de desembarque aéreo, os meios para o cumprimento dos objectivos militares fixados pelo Comando Superior.
O tenente general Américo José Valente descreve como se estruturou o sistema dos abastecimentos por desembarque aéreo eavaliou, ao mesmo tempo, os seus resultados. Tendo para o efeito destacado:A introdução deste meio de abastecimento alterou significativamente a situação a nosso favor.O sucesso deste programa esteve também na base de um sistema de direcção centralizado, flexível, oculto e seguro.
Este programa tornou-se tão célebre, cuja fama ultrapassou as nossas fronteiras e chegou a beneficiar os nossos vizinhos do norte que contavam com a nossa ajuda e também as forças aliadas da SADC em missão na República Democrática do Congo (A.J.Valente, p.36).
O autor narrou os factos com um duplo sentido. Primeiro, descreve como as Forças Armadas Angolanas se estruturaram para o efeito e como elas montaram o sistema de apoio às suas unidades que se encontravam isoladas. Relatando também a forma como os meios eram preparados e enviados às tropas e os seus resultados finais. Segundo, narra os custos gerais das acções desenvolvidas como um todo e culmina com uma reflexão sobre «formas e métodos de direcção» de operações desta natureza na perspectiva de lições a reter pelas Forças Armadas Angolanas.
Na esteira da narração do tenente general Américo José Valente, o prefaciador, general-de- exército João Baptista de Matos, esclarece o seguinte:
Em 1992, após a não-aceitação dos resultados das eleições por parte da UNITA, a guerra recomeçou. As FAA, ainda em criação, estavam longe de ter a capacidade de garantir o controlo de todo o território nacional contra as forças armadas que não tinham desarmado – as FALA.
O erro estratégico de Savimbi, ao não definir um objectivo principal e ao dispersar as suas forças, simplificou a resposta. Não tínhamos de medir forças de imediato e directamente contra um inimigo experimentado e coeso, mas ao mesmo tempo era nosso dever ajudar os nossos, também dispersos pelo imenso território nacional.Então, já como chefe do Estado Maior General das FAA, recordei-medo passado e decidi criar uma resposta eficaz e que não passasse pela apelidada “retirada estratégica”, usada e abusada pelas FAPLA. Assim, os Cogumelos da Salvação foram a resposta (J.B.de Matos, in Prefácio, p.12).Finalmente, o mundo das letras aplaude esta iniciativa do autor e encoraja-o a prosseguir nesta senda porque esta é a melhor forma de nós enriquecermos a literatura nacional e darmos corpo cada vez mais a literatura militar angolana.

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