As memórias do nacionalista Manuel Pedro Pacavira Angola e o Movimento dos Capitães de Abril

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O escritor e político Manuel Pedro Pacavira lançou (13/08), numa concorrida gala realizada num hotel da cidade Luanda, o livro “Angola e o Movimento Revolucionário dos Capitães de Abril em Portugal – Memórias (1974-1976)”, com prefácio de Aldemiro Vaz da Conceição e chancela editorial da Mayamba

As memórias do nacionalista Manuel Pedro Pacavira Angola e o Movimento dos Capitães de Abril
Pacavira com o general Ndalu Fotografia: Paulino Damião

Com 319 páginas, o livro segundo o prefaciador, “é uma peça preciosa para melhor se compreender o período conturbado entre a queda do fascismo em Portugal e a proclamação da independência de Angola (…)”.
Ainda segundo Aldemiro da Conceição, o livro “revela igualmente factos até agora desconhecidos e que vão ajudar a clarificar algumas etapas do
processo de descolonização e, sobretudo, a evolução do MPLA, desde o momento em que foi dilacerado pelas chamadas ´revoltas', até à conquista
do poder político”.
O mesmo articulista sublinha que a obra é “um testemunho vivo de alguém que se sacrificou por um ideal e que venceu todos os desafios e todas
as batalhas; que superou todas as provações; e que conheceu por dentro todos os meandros, actores principais e jogos de bastidores, que tornaram
possível ao povo angolano derrotar o colonialismo e conquistar a sua independência”.
Precedido pelas actuações da orquestra sinfónica Kapossoka, do grupo de teatro Horizonte Nzinga Mbande e do músico Celso Mambo, o historiador
e secretário de Estado da Cultura, Cornélio Caley, encarregou-se da apresentação do livro, ao qual e ao autor não poupou encômios.
“A obra vem engrandecer o mundo acadêmico angolano e oportunamente vem preencher um vazio que se faz sentir na historiografia angolana”,
disse. “Trata-se de uma obra de História quer pela metodologia como pelo conteúdo sobre os acontecimentos de Angola pós-25 de Abril, onde encontramos referido de uma forma exaustiva os nomes dos protagonistas políticos angolanos e, particularmente, os oficiais do antigo regime, os oficiais fiéis ao Movimento dos Capitães, os ex-presos políticos, os oportunistas, os militantes saídos da clandestinidade, os guerrilheiros saídos das regiões político-militares, os agentes da ex-Pide/ DGS, os intelectuais angolanos e portugueses, funcionários, taxistas, comerciantes e operários, todos apanhados de surpresa por uma revolução sobre a qual não tinham em comum a mesma ideia”.
No dizer de Cornélio Caley, o autor “foi bastante corajoso e mestre da narrativa oral-memorial, ao citar nomes e lugares, sobre acontecimentos ainda vivos na mente de alguns angolanos (…)”, além de que “ao desenterrar heróis e enterrar traidores, indicando nomes, lugares e momentos (…) a obra se apresenta como única (…)”.
O secretário de Estado confessouse bastante agradado “com a frontalidade do autor ao assumir-se como militante de topo do MPLA, a forma subtil de unir sensibilidades políticas e o conhecimento profundo que tem do país e das populações, numa linguagem oral cujo fundo das construções frásicas nos remete subtilmente para a língua materna do autor”.
Manuel Pedro Pacavira “escreve a história sendo ele a própria história, facto que o torna um herói vivo, incontestável, um homem militante e inteligente do MPLA”, enfatizou Cornélio Caley.
Pacavira dedicou muito especialmente o seu livro “à juventude dos 20 aos 30 anos de idade, que não tem uma ideia exacta dos caminhos ínvios percorridos pela gesta heróica”. Dizendose consciente de não ter esgotado a temática da obra, apelou aos seus companheiros de rota e de geração, muitos dos quais presentes na sala, a apresentarem obras “iguais ou superiores” à sua, “sobretudo no aspecto militar”.
A gala contou também com as intervenções dos músicos Elias dya Kimuezo e Filipe Mukenga e da poetisa e declamadora Ngonguita Diogo.
Manuel Pedro Pacavira, nascido aos 14 de Outubro de 1939 no Golungo Alto, é um político veterano, militante de primeira hora do MPLA. Começou por notabilizar-se na luta clandestina pela independência de Angola, o que o levou várias vezes à cadeia. Esteve preso no Campo do Missombo e depois no Tarrafal de Santiago, em Cabo Verde.
Segundo Aldemiro da Conceição, “antes do 25 de Abril de 1974, Pacavira tinha vivido já mais anos preso do que em liberdade”.
Com altos cargos exercidos na direcção do MPLA e do Governo, Manuel Pacavira distinguiu-se no pósindependência sobretudo como embaixador.
Nesta condição representou a República de Angola em Cuba, Nicarágua, México, Guiana, Itália e Nações Unidas.
É autor dos livros: “Gentes do Mato”, “Boneca”, “Nzinga Mbande”, “Ndalatando em Chamas”, “O 4 de Fevereiro pelo Próprios” e “JES – Uma Vida em prol da Pátria”. Em 2013 foi-lhe atribuído o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Literatura.
Presentemente é deputado à Assembleia Nacional e membro do Bureau Político do MPLA.

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