Associação Tchiweka de Documentação lança: Filme sobre a luta de libertação

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Angola segue, independente, há 40 anos e esse facto torna urgente a necessidade de preservar os testemunhos dos que contribuíram para a luta pela independência.

Associação Tchiweka de Documentação lança:Filme sobre a luta de libertação
Guerrilheiros na luta de libertação Fotografia: Jornal Cultura

A ATD (Associação Tchiweka de Documentação) produziu e apresentou em Luanda o filme Independência, com duas horas de rodagem, realizado por Mário Bastos e produzidopor Paulo Lara e Jorge Cohen. A longa metragem “nasceu da necessidade de preservar a memória (e as histórias) dos que participaram na luta de libertação de Angola. O filme resultou do projecto ANGOLA – NOS TRILHOS DA INDEPENDÊNCIA, projecto que arrancou em 2010 e produziu mais de 1.000 horas de entrevistas a cerca de 600 participantes da luta pela independência e personalidades, nacionais e estrangeiras, com ela relacionadas. Quando se trata de documentar ou inventariar a História de Angola mais recente, corre-se sempre o risco de ser acusado de parcialidade. Não é este o caso. Independência, que tem como público alvo as gerações nascidas depois de 1975, pauta-se por uma bem doseada equidade no tratamento dos factos desencadeados pelos movimentos de libertação.

“HISTÓRIA E MEMÓRIA
A 11 de Novembro de 1975, Angola proclamou a independência. 14 anos depois do início da luta armada contra o domínio colonial português, o regime de Salazar recusava qualquer negociação com os independentistas, aos quais restava a clandestinidade, a prisão ou o exílio. Quando quase toda a África celebrava o fim dos impérios coloniais, Angola e as outras colónias portuguesas seguiam um destino bem diferente. Só após o golpe militar de 25 de Abril de 1974 ter derrubado o regime, Portugal reconheceu o direito dos povos das colónias à autodeterminação”, lemos no kit de imprensa distribuído pela ATD.
“Independência parte de memórias da situação colonial, revela os passos iniciais da luta e percorre alguns dos seus principais cenários. De 1961 a 1974, a guerra em Angola alastrou das matas do Norte e de Cabinda para as chanas do Leste, envolvendo inúmeras pessoas, combatentes ou apoiantes da guerrilha. Entretanto, prisões e campos prisionais enchiam-se de presos políticos. Mas, através do esforço militar e de reformas económicas e jurídicas, Portugal pôde prolongar uma guerra que não poderia vencer.
Os anos de luta evocados em Independência determinaram o rumo de Angola após 1975. Opções políticas, conflitos internos, alianças internacionais começaram a desenhar-se durante a luta anti-colonial. As principais organizações (FNLA e MPLA e, mais tarde, a UNITA) nunca fizerem um afrente comum e as suas contradições eram ampliadas pelo contexto da Guerra Fria.
Nenhuma história é “toda a História”. Independência conta a luta a partir de dentro, dando voz a protagonistas angolanos de diferentes origens sociais, regionais e políticas, cujos testemunhos são menos conhecidos. Essa opção explica a ausência de outras vozes e a escolha dos entrevistados(as), cada um representando, de alguma forma, um grupo maior, trazendo a sua vivência para uma narrativa colectiva.
A memoria de uma Nação faz-se de muitas memórias, que é urgente recolher, usando a linguagem do cinema para articular memórias pessoais e arquivos.
Independência coloca-se na linha da frente contra o esquecimento da História”, conclui o press release.

HISTORIAL DA ATD
A ATD, cuja sigla incorpora o nome de guerra de Lúcio Lara (Tchiweka), Nacionalista angolano da primeira linha e Veterano do MPLA, é uma associação sem fins lucrativos que tem como principal objectivo a promoção e divulgação de actividades que contribuam para preservar a memória e aprofundar o conhecimento sobre a luta de libertação dos povos africanos, centrando os seus esforços em Angola.
A ATD é, portanto, uma Associação principalmente vocacionada para a  classificação, organização e divulgação de arquivos da luta anticolonial tendo já editado três livros, obras documentais, cujo conteúdo é composto por cartas, fotografias e outros documentos
inéditos.

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