CHE GUEVARA MORREU HÁ 50 ANOS

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A acção e as reflexões de Ernesto Che Guevara marcaram incontornavelmente a história do século XX. Hoje, mantém-se controversamente como um herói revolucionário, ícone da esquerda e inspiração para a mudança e justiça social.

Che capturado.jpg Fotografia: Arquivo

O Exército boliviano participou pela primeira vez numa cerimónia oficial em homenagem a Ernesto 'Che' Guevara, que abateu a 9 de Outubro de 1967, no sul da Bolívia.
“As nossas forças armadas vão participar nesta homenagem ao lado das famílias dos antigos combatentes”, anunciou o vice-ministro da coordenação, Alfredo Rada, citado pela agência noticiosa oficial, ABI.
“Queremos que seja um momento de expressão da unidade do povo boliviano”, dado que o contexto é agora “diferente”, acrescentou, em alusão à época onde o guerrilheiro foi capturado e executado pelos soldados deste país andino com a autorização do presidente René Barrientos (1964-1969), um feroz anticomunista.
Há 50 anos, em 8 de Outubro de 1967, o exército boliviano, acompanhado de dois agentes da CIA cubano-norte-americanos, capturou o ‘Che’, que encabeçava um punhado de guerrilheiros que tinham sobrevivido aos combates, à fome e às doenças.
Ferido em combate, Ernesto Guevara foi conduzido a uma escola abandonada na aldeia de La Higuera, onde passou a sua última noite. No dia seguinte, ao início da tarde, o revolucionário foi executado sumariamente por Mario Teran, um sargento boliviano.
Com 39 anos, ‘Che’, com um rosto crístico, cujo cadáver descarnado foi exibido como um troféu na localidade vizinha de Vallegrande, entrava na lenda.

Herói revolucionário
Che Guevara chegou à Bolívia, clandestinamente, em Novembro de 1966. Na altura, este país da América-Latina encontrava-se sob o jugo de uma ditadura militar, chefiada por René Barrientos. Depois de uma longa e mal sucedida campanha na selva boliviana (durante a qual os guerrilheiros acabaram derrubados pelas tropas do governo, depois de implacavelmente perseguidos e muitas vezes denunciados, falhando na busca do apoio dos camponeses pressionados pelo exército e pela fome, e não contando com o apoio do Partido Comunista Boliviano, então liderado por Mario Monje), a sua "revolta" na Bolívia acabou abruptamente. A 7 de Outubro de 1967, Che e os membros sobreviventes de seu grupo foram emboscados e capturados. Dois dias depois, no dia 9 de Outubro, Che Guevara foi mandado executar pelo exército boliviano, que agia sob ordens e o treinamento da CIA. Tinha 39 anos.
O documentário biográfico, Che Guevara - Hasta la Victoria Siempre, de Ferruccio Valerio conta com várias contribuições de estudiosos e filósofos da vida do revolucionário. Em “A memória e a tradição dos oprimidos”, o filósofo Michael Löwy resgata o pensador inovador do marxismo latino-americano. Numa entrevista, a cubana Celia Hart fala sobre o recém-publicado livro de Che, Apontamentos Críticos ao Manual de Economia Política da URSS, que permaneceu inédito por quase 40 anos. O coordenador do MST do Brasil, João Pedro Stédile, escreve sobre o legado de Guevara, e a filha, Aleida, recorda o pai nos seus Diários de Motocicleta. Numa suprema ironia da história, o soldado que, há 50 anos, matou Che Guevara recuperou a visão graças a uma equipa de médicos cubanos..
O filme de Steven Soderbergh, CHE (2008) , com Benicio Del Toro a interpretar o papel de Ernesto Che Guevara, é um longo filme, dividido em duas partes, e baseia-se sobretudo nos dois textos-diários que o guerrilheiro escreveu em dois períodos fundamentais do seu percurso, publicados e disponíveis em tradução portuguesa, a saber, Che, o Argentino. Relatos da Revolução Cubana (Tinta da China, 2009) e Che - Guerrilha. Diário da Bolívia (Tinta da China, 2009).

Homenagens em Cuba
Cerca de 70 mil cubanos prestaram no dia 8 uma homenagem ao guerrilheiro argentino Ernesto 'Che' Guevara, em celebração aos 50 anos de sua morte. Foi a primeira vez que a cerimónia não contou com a presença do ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, seu amigo e líder durante a Revolução Cubana morto em Novembro de 2016, que instituiu o dia 8 de Outubro como dia do "Guerrilheiro Heróico", apesar de Che ter morrido um dia depois.
A celebração ocorreu em Santa Clara, a 300 km de Havana, e teve a presença do chefe de Estado cubano, Raúl Castro. Ele participou do evento vestido com uniforme militar.
Na Bolívia, onde Che morreu, uma comitiva oficial cubana foi enviada para participar de uma série de actos comemorativos realizados com apoio do presidente Evo Morales.
O argentino Ernesto Guevara, ao lado de Castro, liderou a revolução que destituiu o ditador Fulgêncio Batista do poder em Cuba. Che faleceu em 1967, aos 39 anos, quando foi capturado e morto pelo Exército boliviano.

Mostra na Itália
Do dia 6 de Dezembro até Abril de 2018, a cidade de Milão receberá uma exposição sobre a vida do guerrilheiro, que contará com mais de dois mil documentos, entre fotos, cartas e discursos.
O objectivo da mostra é relembrar a história do comandante que simbolizou a Revolução Cubana.

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