Conferência na Liga Africana amizade Angola-Cuba

Envie este artigo por email

Cuba veio depois de 75, mas que afinal já estiveram muito antes.

Conferência na Liga Africana amizade Angola-Cuba
Oramas (antigo Embaixador de Cuba em Angola) e Mariano (Presidente da Liga Africana) num gesto de manifestada amizade Fotografia: Jornal Cultura

Cubanos e angolanos estiveram juntos na Liga Africana na tarde do dia 6 de Novembro, sexta-feira, cumprindo o objectivo de marcar presença na conferência sobre a amizade destes povos amigos, realizada pela Liga Africana para saudar os 40 anos da independência, cujo acto central se realizaria 5 dias depois (11). Figuras ilustres quiseram trocar memórias e objectivos que os une desde anos antes da independência, realçando a participação de Cuba para as realizações políticas de Angola. O anfitrião, Carlos Mariano Manuel, presidente da restabelecida Liga Africana, cujo sócio honorário número um é o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, fez, no seu discurso de abertura, recordar nomes e momentos de luta pelo ideal angolano que estão perenemente ligados à instituição que dirige, ao referir que “graúdas figuras do nacionalismo angolano forjaram-se e forjaram outros na Liga Nacional Africana, pelos ideais cujo triunfo constitui o substracto da celebração que aqui hoje nos junta; seria prolixo fazer recordar Vossas Excelências o lugar na História do nosso País, do Cônego Manuel Joaquim Mendes das Neves, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da forma organizativa que nos precedeu, pelo menos de 1948-1956 e a quem se deve a realização das principais diligências junto das autoridades de então, para que este edifício fosse edificado e inaugurado em 1956; de Assis Júnior, Presidente da Direcção eleita em 1930, relator em livro da sublevação dos Acontecimentos de Ndala-Tando e posteriormente degredado por exílio para Portugal e finalmente do Doutor António Agostinho Neto, a quem a Liga pretendia formalmente constituir seu representante em Portugal, quando alí estudava medicina, e sobre quem cada cidadão angolano sabe da sua inapagável obra pela libertação do nosso País, proclamação “perante a África e o Mundo da independência de Angola” e assumpção da Suprema Magistratura nos primeiros 4 anos de existência do nosso Estado soberano”.
Pela sua experiência na política e participação directa em momentos decisórios dos destinos do país, coube a Lopo do Nascimento a introdução da relação Cuba-Angola e a apresentação do palestrante, Oscar Oramas Oliva, sobre o qual iniciou dizendo ser um acto prazenteiro falar deste cubano, seu velho amigo que quando chegou aqui era apenas embaixador, mas, quando saiu, foi como embaixador e amigo dos angolanos.
Lopo que, à época dos acontecimentos, 1975, era o Primeiro-Ministro de Angola, revelou na sala da Liga um dos seus virtuosos velhos hábitos, de sempre ao fim do dia fazer uma espécie de diário onde exprime a sua opinião sobre os encontros que mantém. Assim, começou a apresentação contando-nos sobre o seu diário de 1974 e nos informa que a surpresa é que tem aí apontado o primeiro encontro mantido com a delegação cubana que veio a Angola para analisar a situação e ver qual era o tipo e a possibilidade de ajuda que a Cuba deveria dar a Angola. Acertando a História, foca em consideração que muitas vezes só se fala que a Cuba veio depois de 75, mas que afinal já estiveram muito antes de Angola ser independente: “Já ajudaram o MPLA antes da independência. Toda a gente ouviu falar no Che que esteve em Brazzavile e já se ouviu falar dos cubanos que nos ajudaram em Cabinda durante a luta para a independência. E em 1975, pouco antes da independência, o presidente Neto pediu ao presidente Fidel para ajuda-lo, porque o MPLA tinha criado vários Centros de Instrução Revolucionária, onde se preparava os militares”, frisa.
Assim vem a primeira delegação para análise, e encontrou exactamente o bloco de nota desta reunião, adiantando que discutiram mais ou menos sete ou oito pontos. E como tinha dificuldade em escrever em espanhol, pedia às pessoas, cubanos, que escrevessem os seus nomes, ficando grafada as letras destas figuras do frutífero corpo diplomático dos dois países.
“O tempo passa e nós esquecemos algumas coisas. Mas o amigo e colega Oramas esteve aqui nos primeiros momentos, que foram muito difíceis”, pontua Lopo, que logo depois nos descreve que Oramas é doutorado em História e mestre em Artes. Foi director dos assuntos africanos no Ministério das Relações Exteriores de Cuba; de 64 a 65 foi o primeiro secretário da Embaixada de Cuba na Argélia; de 66 a 72 foi Embaixador de Cuba na Guine Conacry e simultaneamente embaixador não residente na República do Mali e Guine Equatorial; foi Embaixador de Cuba em Angola de 75 a 77; de 82 a 84 foi Vice-Ministro das Relações Exteriores do governo cubano; de 84 a 90 foi Embaixador de Cuba na ONU. Entre outros títulos, publicou ´Amílcar Cabral - Para Além do seu Tempo´, ´Angola - Nasceu uma Nova Geração´, ´As personalidades Políticas mais Destacadas no Processo de Descolonização de África´, ´Estado Unidos – A Outra Cara´, ´A Alma do Cubano - A sua Música´, ´Os Desafios do Século XXI´, ´Mel da Vida- O Bolero ´, ´Os Anjos Também Cantam´ e ´Pelos Caminhos de África´.

Comentários

Newsletter


Colabore com o Jornal Cultura - Envie-nos os artigos da sua autoria.

Colaboradores Ver todos