Cunene recorda bravura e coragem de Mandume

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Cunene recordou no passado dia 6 de Fevereiro a bravura e coragem do rei Mandume ya Ndemufayo.

Cunene recorda bravura e coragem de Mandume
Túmulo do Rei Mandume Yandemufaiyo

A população da província do Cunene recordou no passado dia 6 de Fevereiro a bravura e coragem do rei Mandume ya Ndemufayo, aquele que foi o último soberano do povo Cuanhama e que defendeu o seu povo contra a ocupação colonial na região sul de Angola.
As comemorações dos 99 anos da morte de Mandume tiveram lugar em Oihole, município de Namacunde, local onde foi morto em combate e sepultado a 6 de Fevereiro de 1917. A cerimónia foi antecedida de uma romagem ao túmulo do rei, onde foram cumpridos alguns rituais como a deposição de folha de Onfiati, que simboliza a resistência do povo kwanhama.
Estiveram presentes figuras governamentais da província e central, diplomatas, autoridades tradicionais, estudantes e a rainha Cláudia Fudeni.
Pertencente ao reino mais poderoso da tribo Ambós, o rei Mandume-ya-Ndemufayo comandou os destinos do povo Cuanhama num dos períodos mais difíceis da história da região sul, de 1911 a 1917.
Durante o reinado de Mandume, as guerrilhas entre os povos africanos acabaram e passaram a ser apenas contra os portugueses que, a todo custo, tentavam ocupar a parte sul de Angola. Antes da ocupação colonial, os Ambós estavam divididos pelos reinos Cuanhama e Kuamatuis, os dois estados do Evale e Cafima. Estes estados viviam unidos e sem guerras entre si.
A sua coragem e bravura, baseada no pensamento de nunca se vergar diante dos portugueses, deve ser o espírito a emanar nas mentes dos jovens, para a construção de uma Angola cada vez melhor.
Na ocasião o vice-governador da província do Cunene, António dos Santos Candeeiro, disse que a sociedade, principalmente o povo da província do Cunene deve moldar-se na bravura e coragem do Rei Mandume ya Ndemufayo, que ainda muito jovem defendeu os Cuanhama na defesa do seu espaço nesta região sul de Angola e Namíbia contra a ocupação colonial dos portugueses e dos ingleses.

Biografia

Mandume Ya Ndemufayo assumiu os destinos do reino Kwanhama, o mais forte e poderoso dos reinos Ambós (sul de Angola e norte da Namíbia). Nascido em 1884, e morreu a 6 de Fevereiro em Oihole, estava destinado a ser um herói trágico. Na primeira parte do seu reinado (1911 – 1915), dedicou-se a revolucionar as regras que regiam a vida do seu povo. Mudou a capital dos Kwanhamas da Embala Grande para Ondjiva, e emitiu decretos reais inovadores. Um deles, anotam vários historiadores, permitiu às mulheres serem proprietárias de gado.
Foi o último rei dos Kwanhama, povo pertencente ao grupo etnolinguistico dos ovambo que ocupa o sul de Angola e norte da Namíbia.
Reza a história que Mandume, foi escolarizado por missionários protestantes alemães, na altura o Sudoeste Africano, hoje território integrado boa parte pela população kwanhama e chegou no poder em 1911 e seu reinado durou até 1917, coincidindo com o período em que o poder colonial português se concentrou na ocupação efectiva de Angola.
Mandume-ya-Ndemufayo foi um dos símbolos máximos da luta angolana contra a invasão estrangeira. Face à superioridade militar dos europeus, acabou vencido. Segundo a tradição oral angolana, Mandume, ao notar que já não tinha outra saída, preferiu suicidar-se ao ter que se render. Em 2009, é constituída a universidade pública no Lubango, que recebeu o nome "Mandume Ya Ndemufayo”.

Túmulo do Rei
No sul de Angola há um marco de resistência. Em Ohiole, Cunene, a terra abraça o corpo de um dos mais conhecidos e temíveis pesadelos das forças coloniais europeias.
Em 2002, reconhecendo o simbolismo do rei dos Kwanhama, abria portas o Complexo Memorial do Rei Mandume, inaugurado pelo Presidente José Eduardo dos Santos, na presença do seu homologo namibiano Sam Nujoma.
O lugar é simples, mas altamente representativo. Arcos verdes cruzam-se, protegendo o último leito do rei, que está rodeado de paus de Onfyati. É o lugar sagrado para os Kwanhama, e ponto de visita obrigatório para quem quer conhecer melhor as histórias e lendas que formaram o nosso país.
O Memorial localiza-se 14 quilómetros a sul de Namacunde, o local conta com restaurante, sala de conferências, e de exposição, quartos, e piscina e pausada, estando actualmente inoperante por obras de requalificação iniciadas em 2012.
Trata-se de um gigante turístico adormecido que bem explorado traria volumes de receitas para o Estado, uma vez reunir inúmeros requisitos capazes de atrair qualquer turista.

Regionalismo
Transfronteiriço
“Regionalismo Transfronteiriço, o caso da Fronteira Sul de Angola” foi o tema da palestra, realizada a margem da cerimónia na localidade de Oihole, proferida pelo académico Ezequiel Israel Jonas.
Segundo o palestrante, o Workshop teve como objectivo, cartografar os regionalismos nas províncias junto à fronteiro sul de Angola, narrar a construção, a reconfiguração dos regionalismos resultantes da fronteira sul e articular as iniciativas micro-regionais na província do Cunene e outras abrangentes, bem como contribuir para o desenvolvimento dos estudos do Regionalismo na área de estudos africanos.
Consta igualmente dos objectivos, o papel do Estado, as oportunidades económicas, o desenvolvimento das comunidades locais e a segurança transfronteiriça.
Na palestra foram debatidos os principais autores do regionalismo transfronteiriço como, Santa-Clara (Angola) e Oshicango (Namibia), envolvendo as instituições públicas que operam na fronteira, agentes económicos e financeiras, despachantes oficiais facilitadores dos agentes económicos, agentes informais que exercem actividades de conversão monetária vulgo kinguila e abulantes facilitadores de transportação.
De acordo com Ezequiel Jonas a investigação visa compreender as dinâmicas de construção dos micro-regionalismos envolvendo a fronteira sul de Angola com vista à integração regional, sua articulação com os macro-regionalismos abrangendo directamente a área geográfica.
Ezequiel Israel Jonas é natural do município do kwanhama, Cunene, e fez o mestrado em economia, e doutorando em estudos africanos. Fala fluentemente português, ingles, Oshiwambo, Umbundu, e Ngangela. Exerceu vários cargos tais como chefe do departamento do protocolo do Governo do Cuando Cubango, representante em Luanda do governo da mesma província e assessor do vice-governador do Cunene para área Política. Actualmente é secretário do Governo provincial do Cunene.

QUINITO KANHAMENI|
ELAUÉRIO SILIPULENI|
Venâncio Amaral |

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