Lugar da história na sociedade Africana (I)

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Desde o aparecimento dos primeiros homens, os africanos criaram ao longo de milénios uma sociedade autónoma testemunha do génio histórico dos seus autores. Essa história foi, enquanto projecto humano, concebida a priori. Ela é também reectida e interiorizada a
posteriori pelos indivíduos e pelas colectividades. Torna-se, portanto, um padrão de pensamento e de vida: um “modelo”. Mas sendo a consciência histórica um reexo de cada sociedade, e mesmo de cada fase signicativa na evolução de cada sociedade, compreender-se-á que a concepção que os africanos possuem de sua própria história e da história em geral seja marcada por seu singular desenvolvimento

O homem é um animal histórico. O homem africano não escapa a esta definição. Como em toda parte, ele faz sua história e tem uma concepção dessa história. No plano dos fatos, as obras e as provas de sua capacidade criativa estão aí sob nossos olhos, em forma de práticas agrárias, receitas de cozinha, medicamentos da farmacopeia, direitos consuetudinários, organizações políticas, produções artísticas, celebrações religiosas e refinados códigos de etiqueta. Desde o aparecimento dos primeiros homens, os africanos criaram ao longo de milénios uma sociedade autónoma que unicamente pela sua vitalidade é testemunha do génio histórico de seus autores. Essa história engendrada na prática foi, enquanto projecto humano, concebida a priori. Ela é também reflectida e interiorizada a posteriori pelos indivíduos e pelas colectividades. Torna-se, portanto, um padrão de pensamento e de vida: um “modelo”.
Mas sendo a consciência histórica um reflexo de cada sociedade, e mesmo de cada fase significativa na evolução de cada sociedade, compreender-se-á que a concepção que os africanos possuem de sua própria história e da história em geral seja marcada por seu singular desenvolvimento. O simples fato do isolamento das sociedades é suficiente para condicionar estreitamente a visão histórica. Assim, o rei dos Mossi (Alto Volta) intitulava-se Mogho-Naba, ou seja, rei do mundo, o que ilustra bem a influência das limitações técnicas e materiais sobre a visão que se tem das realidades sociopolíticas. Desse modo, pode-se constatar que o tempo africano é, às vezes, um tempo mítico e social, mas também que os africanos têm consciência de serem os agentes de sua própria história. Enfim,veremos que este tempo africano é um tempo realmente histórico.

Tempo mítico e tempo social
Num primeiro contacto com a África, e mesmo a partir da leitura de numerosas obras etnológicas, tem-se a impressão de que os africanos estavam imersos e, como que afogados no tempo mítico, vasto oceano sem margens nem marcos, enquanto os outros povos percorriam a avenida da história, imenso eixo balizado pelas etapas do progresso. De fato, o mito, representação fantástica do passado, em geral domina o pensamento dos africanos na sua concepção do desenrolar da vida dos povos. Isso a tal ponto que, às vezes, a escolha e o sentido dos acontecimentos reais deviam obedecer a um “modelo” mítico que predeterminava até os gestos mais prosaicos do soberano ou do povo. Sob forma de “costumes”vindos de tempos imemoriais, o mito governava a História, encarregando-se, por outro lado, de justificá-la. Num tal contexto, aparecem duas características surpreendentes do pensamento histórico: sua intemporalidade e sua dimensão essencialmente social.
Nesta situação o tempo não é a duração capaz de dar ritmo a um destino individual; é o ritmo respiratório da colectividade. Não se trata de um rio que corre num sentido único a partir de uma fonte conhecida até uma foz conhecida. Nos países tecnicamente desenvolvidos, os próprios cristãos estabelecem uma nítida demarcação entre “o fim dos tempos” e a eternidade. Isto talvez porque o Evangelho opõe nitidamente este mundo transitório ao mundo futuro, mas também porque, por esta visão distorcida e por outras razões, o tempo humano é praticamente laicizado. Ora, em geral o tempo africano tradicional engloba e integra a eternidade em todos os sentidos. As gerações passadas não estão perdidas para o tempo presente. À sua maneira, elas permanecem sempre contemporâneas e tão influentes, se não mais, quanto o eram durante a época em que viviam. Assim sendo, a causalidade actua em todas as direcções: o passado sobre o presente e o presente sobre o futuro, não apenas pela interpretação dos fatos e o peso dos acontecimentos passados, mas por uma irrupção directa que pode se exercer em todos os sentidos. Quando o imperador do Mali, Kankou Moussa (1312-1332),enviou um embaixador ao rei do Yatenga para pedir-lhe que se convertesse ao islamismo, o chefe Mossi respondeu que antes de tomar qualquer decisão ele precisava consultar seus ancestrais. Percebe-se aqui como o passado, através do culto, está directamente ligado ao presente, constituindo-se os ancestrais agentes directos e privilegiados dos negócios que ocorrem séculos depois deles. Da mesma forma, na corte de numerosos reis, funcionários intérpretes de sonhos exerciam um peso considerável sobre a acção política projectada. Esses exegetas do sonho eram, em suma, ministros do futuro. Cita-se o caso do rei ruandês Mazimpaka Yuhi III (fim do século XVII) que viu em sonho homens de tez clara vindos do leste. Armou-se então de arcos e flechas mas, antes de lançar as flechas contra eles, guarneceu-as com bananas maduras. A interpretação desta atitude ambígua, ao mesmo tempo agressiva e acolhedora, introduziu uma imagem privilegiada na consciência colectiva dos ruandeses e talvez contribua para explicar a atitude pouco combativa desse povo, tradicionalmente aguerrido, face às colunas alemãs do século XIX, semelhantes aos pálidos rostos avistados durante o sonho real dois séculos antes. Nesse tempo “suspenso”, a acção do presente é possível mesmo sobre o que é considerado passado mas que permanece, de fato, contemporâneo. O sangue dos sacrifícios de hoje reconforta os ancestrais de ontem. E até agora, os africanos ainda exortam seus próximos a não negligenciarem as oferendas em nome dos parentes falecidos, pois os que nada recebem constituem a classe pobre desse mundo paralelo dos mortos e são obrigados a viver do auxílio dos privilegiados, que são objecto de generosos “sacrifícios” feitos em seu nome.
De uma forma ainda mais profunda, certas cosmogonias atribuem a um tempo mítico os progressos obtidos num tempo histórico, que não sendo recebido como tal por cada indivíduo, é substituído pela memória histórica do grupo. E o caso da lenda Gikuyu que explica o advento da técnica de fundição do ferro. Mogai (Deus) havia distribuído os animais entre os homens e as mulheres. Mas estas foram tão cruéis com seus animais que eles escaparam e tornaram-se selvagens. Os homens então intercederam junto a Mogai em favor de suas mulheres, dizendo: “Em tua honra, nós queremos sacrificar um carneiro;mas não pretendemos fazê-lo com uma faca de madeira, para não incorrer nos mesmos riscos que nossas mulheres”. Mogai felicitou-os por sua sabedoria e,para dotá-los de armas mais eficazes, ensinou-lhes a receita da fundição do ferro.
Essa concepção mítica e colectiva era tal que o tempo tornava-se um atributo da soberania dos líderes. O rei Shilluk era o depositário mortal de um poder imortal, já que totalizava em si próprio o tempo mítico (encarnando o herói fundador) e o tempo social considerado como fonte da vitalidade do grupo. Do mesmo modo, entre os Bafulero (Zaire oriental), os Bunyoro (Uganda) e os Mossi (Alto Volta), o chefe é o sustentáculo do tempo colectivo: “O Mwami está presente: o povo vive. O Mwami está ausente: o povo morre”. A morte do rei constitui uma ruptura do tempo que paralisa as actividades, a ordem social, toda expressão de vida, desde o riso até a agricultura e a união sexual dos animais e das pessoas. O interregno constitui um parênteses no tempo. Apenas o advento de um novo rei recria o tempo social que se reanima novamente. Tudo é omnipresente nesse tempo intemporal do pensamento animista, no qual a parte representa e pode significar o todo; como os cabelos e unhas que se impede de caírem nas mãos dos inimigos por medo de que estes tenham poder sobre a pessoa.
De fato, é preciso atingir uma concepção geral do mundo para entender a visão e o significado profundo do tempo entre os africanos. Veremos então que no pensamento tradicional, o tempo perceptível pelos sentidos não passa de um aspecto de um outro tempo vivido por outras dimensões da pessoa. Quando vem a noite e o homem se estende sobre sua esteira ou sua cama para dormir, é o momento que seu duplo escolhe para partir, para percorrer o caminho seguido pelo homem durante o dia, frequentar os lugares que ele frequentou e refazer os gestos e os trabalhos que ele realizou conscientemente durante a vida diurna. É no curso dessas peregrinações que o duplo se choca com as forças do Bem e do Mal, com os bons génios e com os feiticeiros devoradores de duplos ou cerko (em língua songhai e zarma). É no duplo que reside a personalidade de cada um. O songhai diz que o bya (duplo) de um homem é pesado ou leve, querendo significar que sua personalidade é forte ou frágil: os amuletos têm como finalidade proteger e reforçar o duplo. E o ideal é chegar a confundir-se com o próprio duplo, a fundir-se nele até formar uma só entidade, que ascende assim a um grau de sabedoria e de força sobre-humano. Somente o grande iniciado, o mestre (kortékonynü, zimaa) atinge esse estado em que o tempo e o espaço não constituem mais obstáculos. Era esse o caso de SI, o ancestral epónimo da dinastia: “Assustador é o pai dos SI, o pai dos trovões. Quando ele está com uma cárie, é então que mastiga cascalhos; quando está com conjuntivite, é nesse momento que, resplandecente, acende o fogo. Com seus grandes passos, ele percorre a terra. Ele está em toda parte e em parte alguma”.
O tempo social, a história, vivida assim pelo grupo, acumula um poder que é a maior parte do tempo simbolizado e concretizado num objecto transmitido pelo patriarca, chefe do clã ou rei ao seu sucessor. Pode tratar-se de uma bola de ouro conservada num tobal (tambor de guerra) associado a elementos extraídos do corpo do leão, do elefante ou da pantera. Esse objecto pode estar fechado numa caixa ou numa arca, como as insígnias reais (tibo) do rei mossi… Entre os Songhai-Zarma, é uma haste de ferro afiada numa das extremidades. Já entre os Sorko do antigo Império de Gao, é um ídolo em forma de um grande peixe provido de uma argola na boca. Entre os ferreiros, é uma forja mítica que às vezes, durante a noite, torna-se rubra para expressar sua cólera. A transferência desses objectos é que constituía a devolução jurídica do poder. O caso mais interessante é o dos Sonianke, descendentes de Sonni Ali, que possuem correntes de ouro, prata ou cobre, cada elo das quais representando um ancestral, e o conjunto simbolizando a descendência dinástica até Sonni, o Grande. No decorrer de cerimónias mágicas, estas correntes magníficas são regurgitadas diante de um público embasbacado. No momento de morrer, o patriarca sonianke regurgita a corrente pela última vez, fazendo com que o escolhido para seu sucessor engula-a pela outra extremidade. Ele morre logo após ter passado sua corrente àquele que deve substituí-lo. Esse testamento vivo ilustra com eloquência a força da concepção africana do tempo mítico e do tempo social. Poder-se-ia pensar que uma tal visão do processo histórico seria estática e estéril, na medida em que, ao colocar a perfeição do arquétipo no passado, na origem dos tempos, parece indicar como ideal para o conjunto das gerações a repetição estereotipada dos gestos e da gesta do ancestral. O mito não seria, assim, o motor de uma história imóvel? Ficará claro mais adiante que não podemos nos ater unicamente a esse enfoque do pensamento histórico entre os africanos.
Por outro lado, o enfoque mítico – é preciso reconhecê-lo – está na origem da história de todos os povos. Toda história é originalmente uma história sagrada. Do mesmo modo, esse enfoque acompanha o desenvolvimento histórico, reaparecendo de tempos em tempos sob formas maravilhosas ou monstruosas. Entre elas está o mito nacionalista, que faz com que um determinado chefe de Estado contemporâneo se dirija ao seu país como a uma pessoa viva, e o mito da raça, sob o regime nazista, concretizado por rituais cujas origens remontam a um passado longínquo, que condenou milhões de pessoas ao holocausto.
Os africanos têm consciência
de ser os agentes de sua história?

Certamente, durante alguns séculos o homem africano teve razões de sobra para não desenvolver uma consciência responsável. Excessivas imposições exteriores e alienantes domesticaram-no a tal ponto que mesmo quando ele vivia longe da costa onde se dava o aprisionamento de escravos e da área de influência do comandante branco, ele guardava num canto qualquer de sua alma a marca aniquiladora da escravidão.
Do mesmo modo, no período pré-colonial, numerosas sociedades africanas elementares, quase fechadas, dão a impressão de que seus membros só tinham consciência de estar fazendo história numa escala e numa medida bastante limitadas, em geral na dimensão da grande família e no quadro de uma hierarquia consuetudinária gerontocrática, rigorosa e pesada. Entretanto, mesmo (e quem sabe sobretudo) nesse nível, o sentimento da auto-regulação da comunidade, da autonomia, era vivo e poderoso. O camponês lobi e kabye na sua aldeia, quando “senhor da casa”1, acreditava ter amplo controle de seu próprio destino. A melhor prova disso é que nessas regiões de “anarquia” política, onde o poder era a coisa mais bem distribuída do mundo, é que os invasores e em particular os colonizadores tiveram maior dificuldade em se impor. O apego à liberdade atestava aqui o gosto pela iniciativa e o repúdio pela alienação.
Em compensação, nas sociedades fortemente estruturadas a concepção africana de chefe dá a este último um espaço exorbitante na história dos povos dos quais ele literalmente encarna o projecto coletivo. Assim,não é de admirar que a tradição relembre toda a história original dos Malinke no Elogio a Sundiata. O mesmo acontece com Sonni Ali entre os Songhai da curva do Níger. Isto não significa, em absoluto, um condicionamento “ideológico” que destrói o espírito crítico, ainda que, nas sociedades em que o único canal de informações é a via oral, as autoridades que controlam uma sólida rede de griots praticamente monopolizem a difusão da “verdade” oficial. Mas os griots não constituíam um corpo monolítico e “nacionalizado”.
Por outro lado, a história mais recente da África pré-colonial demonstra que a posição dedicada aos líderes africanos nas representações mentais das pessoas provavelmente não é superestimada. É o caso, por exemplo, de Chaka, que realmente forjou a “nação” Zulu na tormenta dos combates. O que os testemunhos escritos e orais permitem perceber da actuação de Chaka deve ter-se reproduzido várias vezes durante o desenvolvimento histórico africano.cDiz-se que a constituição dos clãs mande remonta a Sundiata; e a acção de Osei Tutu ou a de Anokye na formação da “nação” Ashanti parece corresponder à ideia de nação que os Ashanti têm até hoje. Tanto mais que a ideia de um líder que actua como motor da história quase nunca se reduz a um esquema simplista, creditando a um só homem todo o desenvolvimento humano. Geralmente trata¬-se de um grupo dinâmico, celebrado como tal. Os companheiros dos chefes não são esquecidos, mesmo os de condição inferior (griots, porta-vozes, servos). Eles frequentemente entram para a história como heróis.
A mesma observação vale para as mulheres que, ao contrário do que se tem dito e repetido à saciedade, ocupam na consciência histórica africana uma posição sem dúvida mais importante que em qualquer outro lugar. Nas sociedades de regime matrilinear isto é facilmente compreensível. Em Uanzarba, perto de Tera (Níger), onde a sucessão na chefia era matrilinear, durante o período colonial os franceses, no intuito de reunir os habitantes dessa aldeia aos de outras aldeias songhai, haviam nomeado um homem para comandar essa aglomeração. Mas os Sonianke2 não deixaram de conservar sua kassey (sacerdotisa), que continua até hoje a assumir a responsabilidade do poder espiritual. Também em outros lugares as mulheres são vistas como protagonistas na evolução histórica dos povos. Filhas, irmãs, esposas e mães de reis, como essa admirável Luedji, que foi tudo isso sucessivamente e mereceu o título de Swana Mulunda (mãe do povo Lunda), ocupavam posições que lhes permitiam influir nos acontecimentos. A célebre Amina, que, na região haussa, no século XV, conquistou para Zaria tantas terras e aldeias queainda levam o seu nome, é apenas um exemplo, entre milhares, da ideia de autoridade histórica que as mulheres impuseram às sociedades africanas. Esta ideia permanece viva até hoje na África, na actuação das mulheres na guerra da Argélia e nos partidos políticos durante a luta nacionalista pela independência ao sul do Saara. É claro que a mulher africana é utilizada também como objecto de prazer e de decoração, como nos sugerem as que são mostradas envoltas em tecidos de exportação ao redor do rei do Daomé ao presidir uma festa tradicional. Mas do mesmo espectáculo participavam as amazonas, ponta de lança das tropas reais contra Oyo e os invasores colonialistas na batalha de Cana (1892). Pela sua participação no trabalho da terra, no artesanato e no comércio, pela sua ascendência sobre os filhos, sejam eles príncipes ou plebeus, por sua vitalidade cultural, as mulheres africanas sempre foram consideradas personagens eminentes da história dos povos. Houve e ainda há batalhas para ou pelas mulheres. Porque as próprias mulheres muitas vezes desempenharam
o papel de traidoras ou sedutoras. Como no caso da irmã de Sundiata ou das mulheres enviadas pelo rei de Segu Da Monzon às bases inimigas. Apesar de sofrer uma segregação aparente nas reuniões públicas, todos sabem na África que a mulher está omnipresente na evolução. A mulher é a vida. E também a promessa de expansão da vida. E através dela que os diferentes clãs consagram suas alianças. Pouco loquaz em público, ela faz e desfaz os acontecimentos no sigilo de seu lar. E a opinião pública formula este ponto de vista no provérbio: “As mulheres podem tudo comprometer, elas podem tudo arranjar”.
Neste clã, o poder se transmite “pelo leite”, ainda que se admita que o laço de sangue contribua para reforçá-lo. Entre os Cerko, porém, é unicamente através do leite que o poder é transmitido. Em suma, tudo se passa como se na África a permanência das estruturas elementares das comunidades de base através do movimento histórico tivesse conferido a todo processo um carácter popular bastante notável. A frágil envergadura das sociedades tornou a história uma questão que diz respeito a todos. Apesar da mediocridade técnica dos meios de comunicação (ainda que o tan-tã assegurasse a telecomunicação de aldeia para aldeia), a estreita amplitude do espaço histórico media-se pela apreensão mental de cada um. Daí a inspiração “democrática”incontestável que anima a concepção africana da história na maioria dos casos! Cada um tinha o sentimento de poder, em última instância, subtrair-se à ditadura, mesmo que fosse através da secessão, para refugiar-se no espaço disponível. O próprio Chaka passou por essa experiência no fim de sua carreira. Este sentimento de fazer a história mesmo na escala microcósmica da aldeia, assim como a sensação de ser somente uma molécula na corrente histórica criada pelo rei visto como demiurgo, são muito importantes para o historiador. Porque constituem em si mesmos fatos históricos e porque contribuem por sua vez para criar a história.

(Continua na próxima edição)

(Capítulo 2, do Volume 1, Metodologia e pré História da África)

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