Nzinga Mbandi e Kimpa Vita na constelação do mundo negro

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É o posicionamento bem cosmogónico das duas heroínas angolanas feito pelo antigo futebolista francês, de origem antilhana, Lilian Thuram, na sua obra “As minha ­estrelas negras. De Lucy a Barack Obama".
Verdadeiro best-seller, este livro que se esgotou rapidamente, ­acaba de ser reeditado, em Paris, pelas edições Philippe Rey.

Nzinga Mbandi e Kimpa Vita na constelação do mundo negro
Etoiles noires

Selado em 400 páginas, o ensaio, que beneficiou da colaboração do historiador Bernard Fillaire, repertoria desde a venerável Rift Valley até a Casa Branca, personalidades de proveniência africana, que constituem, para o campeão do mundo em 1988, luzes para a Humanidade.
Redimindo-se do quase desconhecimento dos seus antepassados célebres, o oriundo de Guadalupe, que cresceu na periferia de Paris, alinha no seu penteão literário uma cinquentona de astros niger, no quadro da sua Fundação Lilian Thuram “Educação contra o racismo”.
São, entre outros:
- 0 Faraó negro Khephren, que reinou em 2570 antes da nossa era;
- O escritor grego Esope, (VI século antes da nossa era), escravo de Iadmon. Foi o pai da
fábula como género literário;
- A africana americana, Phillis Wheatley (1753- 1784), escrava que se tornou alforriada, grande poetisa de craveira mundial;
- O romancista, poeta e dramaturgo russo Alexandre Pouchkine, (1779 – 1837), descendente de Abraham Petrovitch Hanibal, escravo de Abissínia, alforriado e nobilitado.
Adolescente, era chamado, no liceu, de macaco por causa da sua pele e das suas características físicas;
- Toussaint-Louverture (1743- 1803), líder da Revolução Haitiana;
- Joseph Antenor Firmin (1850-1911), erudito antropólogo haitiano que opôs-se à teoria da superioridade das raças;
- O explorador afro-americano Mattew Henson, primeiro investigador do Pólo Norte; (1866 – 1955).

ABISSÍNIA

Repertoriou, igualmente, personalidades contemporâneas tais como Marcus Garvey, Malcom X, Patrice Emery Lumumba, Nelson Mandela, Aimé Césaire, Frantz Fanon, Cassius Clay, Billie Holiday, Mongo Beti, Cheick Modibo Diarra, Marshall Walter Major Taylor, Battling Ski e Panama Al Brown.
Como outras luminosidades, Thuram apontou, portanto, as angolanas Nzinga Mbandi e Kimpa Vita.
A Rainha que liderou uma firme resistência de quase meio século contra o expansionismo esclavagista e colonial português.
A Profetiza que dirigiu um vigoroso movimento social, humanista e religioso, visando restaurar a estabilidade do Reino do Kongo.
Padrinho da Associação “Deveres de Memória”, Lilian Thuram atingiu, visivelmente, com a sua obra, os nobres objectivos que ele tinha fixado; prova-o a recente reedição de “As minhas estrelas negras…”, livro que emocionou o Hexágono, país onde sempre foram valorizado os feitos da Dona de Santa Maria de Matamba e da Dona Beatriz do Congo.

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