"A Fauna e as Finalidades Didácticas em Alguns Provérbios Bakongo", de Benjamim Fernando

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Benjamim Fernando teve a iniciativa de trazer à luz estes provérbios que, para lá de tudo, vêm provar e comprovar a atualidade das nossas tradições, mesmo no contexto de globalização que vivemos.

Com efeito, os provérbios condensam as normas de conduta das comunidades socioculturais e, como frequentemente refiro, os mesmos não vêm do nada, nem são citados por um tolo.

Dito doutra maneira, os provérbios emergem da prática social reiterada, sendo por conseguinte preceitos que, ao longo da vida, as comunidades comprovaram e assumiram como normas sociais.

Angola, o nosso país, é uma realidade sociocultural fortemente marcada pela oralidade e, se tivermos em conta os acelerados processos migratórios vividos que, em alguns casos nos revelam, em cidades como Luanda, uma população com uma proporção de 1/6 entre naturais e imigrados, compreenderemos facilmente a presença da tradição, da oralidade, das instituições e, com elas, dos provérbios.

Assim, em caso ou em circunstância alguma, as normas consagradas nessas comunidades, expressas através dos provérbios, podem ser ignoradas.

Estamos em presença de uma obra de investigação, "A fauna e as finalidades didáticas em alguns provérbios bakongo", da autoria de Benjamim Fernando e vale lembrar nesta circunstância que, em última instância, o conhecimento e o domínio dos provérbios constitui a etapa final no processo de ensino e de aprendizagem.

Por tal facto, por mérito do seu autor, a obra de 96 páginas, está inserida na coleção Estudos e Documentos do INIC, vindo juntar-se a obras de outros renomados autores.

Felicitamos, pois uma vez mais, Benjamim Fernando, ao editar este livro que se justifica não só pela necessidade de preservarmos e promovermos para a contemporaneidade os nossos valores culturais matriciais, mas também pelo facto de que os provérbios que ele contem expressarem elementos essenciais que dão corpo e sentido à angolanidade e à nação e trazem-nos normas de conduta que têm toda a sua pertinência nos dias de hoje e no contexto atual.

Com efeito, as normas chamadas virtudes e as práticas tidas como defeitos que encontramos nestes provérbios gerados no tempo são as mesmas nos dias de hoje e que, a serem observadas, seguramente nos darão uma sociedade melhor.

Diz-nos Benjamim Fernando, neste livro, que "embora cantem, os galos vêm do ovo" ou, ainda que "por muito que o sapo se inche jamais se tornará um boi".

Pergunto a todos vós se os mais velhos tinham ou não razão ao fazer estas afirmações?

São verdades axiomáticas, comprovadas, verificadas e que têm o seu lugar hoje como o tiveram ontem e terão amanhã. São ensinamentos, são lições que, como os demais provérbios contidos neste livro, o nosso distinto autor, Benjamim Fernando, teve o mérito de os trazer para os dias de hoje em que, com exagerada frequência, vamos recebendo hábitos e normas que nada têm a haver connosco e causam à sociedade prejuízos graves no plano ético, moral e cívico.

Fica, pois, aqui, o nosso desafio para que a exemplo desta obra e do autor, possamos definitivamente e sem o mínimo de constrangimento, mergulhar no saber ancestral, no rebuscar das normas de vida em sociedade expressas nos provérbios e, com estas ferramentas, criarmos uma sociedade de bem estar geral.

Para já, professores, pais, educadores e todos nós podemos dispor desta obra que, pela sua natureza, constitui um valioso instrumento para o processo de ensino/aprendizagem e de educação ética moral e cívica.


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