A Noção de Ser em Agostinho Neto

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Por ocasião dos 90 anos do nascimento do Dr. António Agostinho Neto,  poeta-maior e primeiro presidente de Angola, a Fundação que leva o seu nome pôs a disposição do público, no dia 14 de Maio, em Luanda, na sede da União dos Escritores Angolanos, o livro "A Noção de Ser" e o DVD "Portugueses Falam de Agostinho Neto".

O livro, com mais de 800 páginas, é uma colectânea de 65 textos analíticos sobre a poesia de Neto, assinados por 62 autores, a maioria professores universitários, escritores e jornalistas de vários países do mundo e publicados originariamente em livros, jornais e revistas ao longo dos últimos 40 anos. O DVD reúne entrevistas, produzidas pela FAAN, de políticos e intelectuais portugueses, num testemunho audiovisual sobre a trajectória e a dimensão política, cultural e humana de Agostinho Neto.
As figuras entrevistadas no DVD são Ramalho Eanes, Mários Soares, Almeida Santos, Carlos Veiga Pereira, Domingos Abrantes, Pezarat Correia, Gonçalves Ribeiro, Jaime Serra, Aurélio Santos, Fernando Rosas e Silas Cerqueira. Raul Neto Fernandes consta como convidado especial.
Dentre os autores dos textos que compõem "A Noção de Ser" estão Eugénia Neto,  Amável Fernandes, Carlos Belli-Belo, Costa Andrade, Conceição Cristóvão, David Mestre, Jofre Rocha, Jorge Macedo, José Luís Mendonça, Luís Kandjimbo, Simão Souindoula, Solange Luís, Inocência Mata, Alexandre Pinheiro Torres, Alfredo Margarido, Augusta Conchiglia, Basil Davidson, Benjamin Abdala Junior, Carmen Tindó Secco, Donald Burness, Ebenezer Adedeji Omoteso, Fernando J. B. Martinho, Fernando Mourão, Francisco Pedro Miguel, Gerald Moser, Helena Riausóva, Jorge Amado, Laura Padilha, Leonel Cosme, Manuel Ferreira, Manuel G. Simões, Marga Holness, Maria Aparecida Santilli, Michel Laban, Ossie Onuora Enekwe, Patrick Chabal, Pavla Ludmilová, Russel Hamilton, Salvato Trigo, Tania Macêdo e Xosé Lois García.
A obra "será um elo permanente de inspiração para a juventude angolana e africana", disse Maria Eugénia Neto, presidente da FAAN, que deu a conhecer a publicação, ainda este ano, de livros sobre Agostinho Neto e a sua poesia em inglês, italiano e chinês.
"O livro procura mostrar o mais amplamente possível os vários tipos de recebimento da obra de Agostinho Neto. Será um marco na história da recepção e do estudo da obra de Neto", acrescentou Pires Laranjeira, professor da Universidade de Coimbra, um dos organizadores da publicação, a par de Ana T. Rocha, igualmente académica e estudiosa da obra de Agostinho Neto.
A propósito dos que tentam diminuir o valor e a importância da poesia de Neto, Laranjeira disse: "há um grave mal entendido. As pessoas têm uma concepção de poesia nefelibata, finissecular, decadentista, existencialmente amarga e desesperante quando não completamente abstractizante (...). O que está em causa é uma concepção de uma certa cultura comercial e industrializada pós-moderna, que joga em determinados tipos de literatura, e nomeadamente na poesia, considerando que uma poesia engajada, épica, de dedicação a um povo, como foi o caso da poesia de Agostinho Neto, é uma poesia menor".
Após considerar "fundamentais e importantíssimas" as obras de António Jacinto, Mário António, Viriato Cruz, Aires de Almeida Santos, e de outros poetas da mesma geração, Pires Laranjeira defendeu que a obra de Neto é "a única que, naquele momento histórico, dá conta e  descreve a situação do povo angolano sob o regime colonial, as suas aspirações, alienações, sofrimento, as bebedeiras, as punições e a repressão nos sábados dos musseques. É a única obra que apela à reconquista da angolanidade dos pobres dos musseques e para que os pequeno-burgueses e os intelectuais assimilados consigam despir a sua excessiva influência [portuguesa e europeia] e ir beber à cultura tradicional, popular, e assumi-la".
E rematou: "a obra de Agostinho Neto é a obra poética e épica do povo angolano, e é canónica. Não há volta a dar".
Em Abril deste ano o livro "A Noção de Ser" e o DVD "Portugueses Falam de Agostinho Neto" foram lançados em Portugal, com apresentação do ex-presidente daquele país, Ramalho Eanes, e do escritor angolano Luandino Vieira.


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