A verdade histórica: Sobre a personalidade política do Presidente José Eduardo dos Santos

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O ensaio biográfico " José Eduardo dos Santos e a Ideia de Nação Angolana", é o oitavo livro de Patrício Batsíkama, Historiador, Antropólogo, Crítico de Arte e Professor universitário.

A VERDADE HISTÓRICA:Sobre a personalidade política do Presidente José Eduardo dos Santos
Presidente José Eduardo dos Santos

O presente livro está dividido em três capítulos. No primeiro “Formação do Estado Angolano”, o Autor fez uma breve resenha histórica sobre o processo de resistência à ocupação colonial nos reinos do Kôngo, Ndongo e da Lûnda, tendo igualmente se referido à descaracterização do sistema de nomeação africana; a partir do momento em que os reis adoptavam os nomes europeus. Essa estratégia de evangelização cristã visava expandir a hegemonia política e militar portuguesa, enfraquecendo assim, o poder espiritual da cultura africana. Embora o autor não tenha enfatizado as consequências da desbantualização da onomástica africana no seu livro, vale recordar que ela, dentre outras coisas, desvirtua o destino social de um povo; o nome de um individuo é a expressão da sua cultura. A partir do nome podemos identificar o grupo etnolinguístico em que o individuo pertence.
O capital histórico dos Estados pré-coloniais supracitados terá influenciado a formação do Estado angolano moderno, forjado nas longas tradições militares dos nossos ancestrais, certo de que nada começa de nada. Esse novo Estado surgiu a 11 de Novembro de 1975 com a Independência de Angola. Para Batsíkama, nesse segmento cronológico não se podia falar de Estado-nação, visto que não havia uma mística política colectivante, despida de tribalismo e do racismo. Essa atitude política, segundo Batsíkama se reflectiu na configuração anatómica dos três principais movimentos de libertação nacional: (1) UPA/FNLA, movimento que teve muita simpatia política nacional e internacional, mas apologista ao racismo negro, regionalismo chauvinista; (2) MPLA, tido como elitista, intelectualizado, assimilacionista, distanciado das massas populares, mas portador de uma base social universalista, inclusiva, (negros, mestiços e brancos partilham o mesmo ideal político); e (3) UNITA, considerada anti-colonialista, mas igualmente apêndice do imperialismo americano na destruição de outras forças políticas internas: FNLA e o MPLA. Esse movimento é portador de uma base social tribal, exclusivista, só os autóctones têm o direito de serem membros da Direcção.
As variáveis parasitárias em apreço terão contribuído substancialmente, para o desentendimento político entre os três movimentos, provavelmente resultante de erros de perspectivas socioculturais sobre Estado-nação. Só assim, se poderá compreender as razões da proclamação de duas Repúblicas: RDA (República Democrática de Angola) proclamado na cidade do Huambo por Jonas Savimbi e Holden Roberto (UNITA e FNLA) e a RPA (República Popular de Angola). Essa desinteligência política dos líderes rebeldes gerou uma grande factura militar, social, económica e cultural para o processo de construção da Nação angolana. Acrescida à esta situação histórica de que Batsíkama descreveu e questionou com decência intelectual, isenta de paternalismo científico, teve os seus antecedentes na sociedade colonial, em que alguns movimentos como a UNITA haviam-se aliado à PIDE e a FNLA aos EUA com o intuito de destruir o MPLA.
No segundo capitulo “José Eduardo dos Santos na mira da PIDE/DGS”, Batsíkama desmistificou a ideia, segundo a qual o actual Presidente da República José Eduardo dos Santos não tinha sido perseguido pela PIDE/DGS, nem o seu nome constava dos registos dessa polícia secreta portuguesa. Patrício Batsíkama apoiou-se às fontes documentais da própria PIDE/DGS, de Arquivo Histórico Diplomático, da Fundação Mário Soares, entre outras, para debitar os seus argumentos e convencer alguns membros da classe política e da academia de que essa tese é falsa e anacrónica.
Nessa direcção de raciocínio de Batsíkama, importa lembrar que os jovens José Eduardo dos Santos, (na época tinha apenas 19 anos de idade), Afonso Van-Dúnem “Mbinda”, Brito António Sozinho, Mário Afonso Santiago, Tomás Sebastião dos Santos, Luís Gonzaga e Artur Silvério, no dia 7 de Novembro de 1961 partiram de Luanda a bordo da embarcação Zaire com destino ao Congo Léopoldville chegaram à Matadi no dia 14 de Novembro do mesmo ano, a fim de se juntarem aos nacionalistas angolanos, para participarem da luta de libertação do jugo colonial fascista. A representação do MPLA em Léopoldville (Setembro de 1961) acabava por ser instalada dois meses antes da fuga de JES (José Eduardo dos Santos).
Nos meses que antecederam a fuga do grupo de José Eduardo dos Santos, a atmosfera política e militar era conturbada, devido a Revolta do 4 de Fevereiro de 1961, um dos marcos do início da luta pela emancipação total dos angolanos. Por isso, José Eduardo dos Santos já era perseguido pela PIDE/DGS, enquanto estudante do Liceu Nacional Salvador Correia.
Patrício Batsíkama conseguiu provar através da memória arquivística da PIDE/DGS, que o Presidente de todos os angolanos esteve “na mira da Polícia secreta colonial e o seu nome nos registos aparecia assim: (I) José Eduardo; (II) DOS SANTOS, José Eduardo; e (III) Eduardo dos Santos, Baku; e que às vezes, se confundia com o do médico Eduardo Macedo dos Santos. Nós subscrevemos essa verdade histórica, que Angola, África e o Mundo precisava de conhecer. Subscrevemos esta tese, por que temos cumplicidade científica nos estudos sobre a personalidade social e política do Estadista Angolano que marcou a História Universal com prudência e sabedoria, que caracteriza uma entidade espiritual.
No último capitulo “José Eduardo dos Santos e a consolidação da nação angolana”, o autor vai debitando algumas noções sobre “estado-nação”, apoiando-se às várias perspectivas de abordagem desde à política, jurídica, sociológica, antropológica e cultural, para sustentar o seu paradigma. Nesse entendimento, Batsíkama discorda com a perspectiva do Professor Doutor Victor Kajibanga, segundo a qual Angola não é ainda uma Nação. Batsíkama reconheceu que em determinadas etapas da historicidade do povo angolano, por exemplo, nas décadas de 1980 à de 1990, períodos difíceis da governação de Angola, devido a intensa ingerência dos E.U.A. nos assuntos internos do País e a internacionalização da guerra civil, tendo à testa a UNITA como consequência da Guerra Fria.
Para o Historiador o território precede do Estado-nação. Cabe ao Estado criar a Nação, através da qual cada ente-jurídico manifeste à sua vontade política nela pertencer. Batsíkama, parafraseando outros autores, admitiu que o capital humano, a constituição, o parlamento (no nosso caso, a Assembleia Nacional), o exército (p.ex.as FAA), a integridade territorial una e indivisível, mobilidade socioprofissional e cultural são alguns elementos definidores de um Estado-nação; que no contexto de instabilidade política, militar, económica e social (1975-1999) não se podia admitir a existência da nação angolana, Batsíkama denominou de “nação utópica platónica”. Essa abordagem romântica do conceito “nação” como consequência de algumas variáveis parasitárias supracitadas, contribuíram para a desaceleração da tomada de consciência nacional com vista à harmonização das micronações que se revem na pátria angolana.
O pesado legado herdado pelo Presidente José Eduardo dos Santos, aquando da morte do Primeiro Presidente de Angola, Dr. António Agostinho Neto (1922-1979) em condições históricas extremamente adversas em todos domínios da vida nacional; facto que lhe terá levado a afirmar que não era uma substituição fácil, mas necessária, aquando a tomada de posse como Presidente da República, Presidente do MPLA-Partido do Trabalho e Comandante- em-chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) a 21 de Setembro de 1979 no Salão Nobre do então Comissariado Provincial de Luanda. Esse sentido de humildade e de responsabilidade diante de novos desafios estaduais: (a) manter a integridade territorial; (b) preservar a independência nacional; (c) criar um Estado Democrático e de Direito; (d) desenvolver o capital humano indispensável para o relançamento económico do país; (e) defender e consolidar as instituições democráticas saídas das primeiras eleições gerais de 1992; (f) conquistar a paz douradora; foram materializados. No entanto, o Presidente José Eduardo dos Santos quer queiramos ou não é o “pivot” do processo de pacificação e de reconstrução social e económica de Angola.
Como podeis observar, ao longo do nosso prefácio escrito em linhas gerais, a ideia de Nação está devidamente factualizada nesse livro de Patrício Batsíkama, apreendida a partir do segmento cronológico 2002-2012, caracterizado pelo fim da guerra histórica e culturalmente infundada, pelas realização de segundas e terceiras eleições gerais (2008 e 2012), crescimento económico exponencial, do Simpósio sobre a Cultura Nacional, entre outros eventos que influenciaram e consolidaram a “ideia da Nação angolana” na acção política do Nacionalista, Independentista, Democrata, Humanista, Estadista José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, que já deu mostras de um Grande Líder, Gestor de conflitos, Pacificador da África, graças a performance do seu Software Mental, aqui entendido como o seu sistema de crenças, de ideias, de convicções, habilidades, aptidões, emoções, sentimentos, que formatam à sua personalidade nas relações interpessoais, intrapartidária, interpartidárias e estaduais.

António Panguila

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