Acções, Livros & Outros Quejandos

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Com esta nota finalizamos uma série de crónicas, em jeito de reportagem, escritas a propósito de uma estadia em terras lusas onde tivemos o grato prazer de conviver, ver e viver vida literária com distintos confrades doutras paragens mundanas pois, dividir «copos» com o Patraca poeta do Índico, com o Zetho, um nganguela nas europas e andarilho à volta da poesia, com o Menel da Lena, com o Juca da editora, com o Eduardo da livraria ou mesmo com o Zezé dO HERÓI do nosso cinema angolano, não acontece todos os anos e muito menos todos os dias.

Apesar dos afazeres é lá, no Solar das Galegas ao Largo da Misericórdia, que, de quando em quando, acontece o palco onde os do Índico e os do Atlântico acabam por confluir com regular sede de canecas e saber.

Entretanto, começo agora por reportar a oportunidade que tivemos de compartilhar uma mesma mesa e num treze de Maio ­ dia sagrado para católicos ­, com o Historiador Fernando Correia a apresentar e a autografar dois importantes títulos da sua lavra investigativa: 1 - O PROCESSO DOS CINQUENTA, Tempo e Memória (1940-1962), Considerações Históricas. 2 - AMÉRICO BOAVIDA, Tempo e Memória.

Na mesa estava igualmente a Historiadora Aida Freudenthal, do Centro de Estudos Africanos e Asiáticos-IICT, e Mestre em História contemporânea que, por demais irradiante, apresentava e autografava os dois volumes das ANTOLOGIAS DE POESIA DA CASA DOS ESTUDANTES DO IMPÉRIO –1951-1953, Angola, S. Tóme e Príncipe e Moçambique.

Aida Freudenthal, enquanto membro da coordenação, apresentou e autografou também o número especial da REVISTA MENSAGEM. Tanto este como os dois volumes antológicos de poesia foram editados pela Associação Casa dos Estudantes do Império em Lisboa em 1994 e 1997 respetivamente em primeira edição.

Estes títulos não são só de importância indubitavelmente artístico-literária mas são também de valor histórico-político e sociológico pois, no que toca a poesia, conforme o Prof. e estudioso Alfredo Margarido no prefácio, «a reedição em um único volume das Antologias que a CEI consagrou, entre 1951 e 1963, à produção poética de alguns países africanos de língua o oficial portuguesa permite considerar, mesmo se de maneira um tanto apressada, a relação que se teceu entre a problemática estritamente literária e os diferentes projetos políticos, sejam eles portugueses, sejam sobretudo africanos».

Quanto à MENSAGEM, publicada entre 1948 e 1964 em Lisboa e cuja edição especial contou, dentre outros, com o prestimoso apoio do historiador africano Elikia Mbokolo, ilustre conhecedor dos associativismos da diáspora africana na Europa, cumpre-nos dizer, conforme o editorial, que, ao ultrapassar o círculo das suas preocupações, foi longe de mais na sua época, projetando mesmo, «uma imagem facetada dos problemas que as sociedades coloniais iriam mais tarde transferir para as novas nações africanas».

Assim foi e hoje, mesmo passadas cerca de cinco décadas, vivemos ainda problemas gravíssimos herdados do colonialismo, sendo o mais visível o problema do analfabetismo bem como o da fuga dos cérebros africanos para outras paragens do atual universo geopolítico na busca de condições de vária índole.

Consideramos, estes quatro títulos de leitura obrigatória e consulta permanente para qualquer jovem intelectual que se preza pois é História, é política, é sociologia, é literatura e particularmente poesia dos Países Africanos de Língua Portuguesa.

Uma ferramenta de trabalho inolvidável! Ainda nesta mesa coube-nos auto grafar LEX & CAL DOUTRINA e as MARCAS DA GUERRA..., nossos dois mais recentes títulos poéticos cuja apresentação ficou por conta do nosso confrade Luís Kandjimbo ali presente em representação da CPLP. Sobre isso, mais não escrevo!

Odivelas, Maio/2012

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