Angola representada na " Biblioteca Mundial" na Roménia

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A Gociante Patissa e Luciano Canhanga representam Angola e África

Angola representada na
Gociante Patissa Fotografia: Jornal Cultura

Os escritores angolanos Gociante Patissa e Luciano Canhanga representam Angola e África na antologia poética organizada pela revista cultural da Roménia Horizont Contemporary Literay que conta com colaboradores dos cinco continentes e que se expressam nas mais diversas línguas.
Patissa, estreante na revista, participa com os textos "Por que existimos" e "Preguiça da cabaça" traduzidos e publicados em Romeno e Português, na edição de Novembro-Dezemvbro 2016, ao passo que a edição de Janeiro e Fevereiro vai trazer os mesmos poemas traduzidos em Umbundu, sua língua nativa.
Por seu turno, Luciano Canhanga, Soberano de nome artístico, vem sendo traduzido e publicado em Português, Inglês e Romeno desde 2010 pela mesma revista e weblog (http||contemporaryhorizon.blogspot.com), participando na última edição de 2016 com o poema "Satircóph".
Patissa é natural e residente em Benguela, ao passo que Canhanga nasceu no Libolo e reside em Luanda.

PORQUE EXISTIMOS

São doridas por hábito as linhas que lembram o amor. Não é justo, amor, como se a flecha quebrada, a flor que secou, o pombo correio que perdeu a rota, sei lá, fossem o tudo. Teimo em cantar vigorosa poesia até sobre crateras eternas que parimos. Que seja curto ou longo, agora não importa. Maresia é que não. Para todos os efeitos, existimos.

OMO ETU TWAKALELE
 
Vasyata okutamba kevalo atayo vaivalwisa ocisola. Ka cikatave, a cisola cange, seti mbi usongo wateka, onelehõ yakukuta, o pomba kapitiya yanelenlã vonjila, vakwê, ovyo ño lika. Nditongeka lokwimba ovihaso vyapama ndaño kovikungu vyenda ñõ hu twakoka. Nda cisõnvi, nda cimbumbulu, kaliye cikale mwenle ndoto. Enyumãlõ syo. Cinene ño okuti, eteke limwe twakalele.

 Gociante Patissa. In «Almas de Porcelana», 2016.
Penalux. São Paulo. Brasil. Pág.55

SATIRCÓPIH
(texto de Canhnaga)

Manhã cedo, iam domingueiros à igreja
(joelho dobrado)
Onde diziam: ser todos irmãos
Minutos depois, faziam-se à embala
(caçadeira ao ombro)
Onde rusgavam preto-objecto em vossas mãos
Assim construístes vossas nações
À custa de sangue e suor alheios
Dizeis hoje: "pretos-sem-noções"
Deixai-nos, não mutilem nossos anseios!
HIPÓCRITAS


PREGUIÇA DA CABAÇA
 
O deserto tem sua pressa
parece que passa
parece que pára
 
O céu vai sem gotas
há muito
a vegetação
absorta escapa
bebendo dos meus olhos
 
e o deserto
parece que passa
parece que pára
brincando aos tempos
 
Mas tinha já que passar
não sobra muito mais
na cabaça
das lágrimas
 
 
OWESI WA MBENJE
 
Ekalasoko likwete onjanga yalyo
Oku seti lipita
Oku seti litãi
 
 
Ilu letosi lakamwe
Osimbu yo yipita
Ovikulã lensanda lyavyo
Visupuka
Lokunywã vovaso vange
 
Ekalasoko likwete onjanga yalyo
Oku seti lipita
Oku seti litãi
Vokupapala lolotembo
 
Pwãi nda yapitile yapa
Ka mwasupile ño vali calwa
Vombenje yaswelenlã

Gociante Patissa. In «Guardanapo de Papel», 2014.
NósSomos, Lda. Vila Nova de Cerveira, Portugal

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