"As Férias de Yahula", novo conto infantil de Kanguimbo Ananás

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Kanguimbu Ananaz, psicóloga e escritora, nasceu no Namibe, é autora de várias obras publicadas: "Seios do Deserto", "O Avô Sabalo", "Soba Kangueia e Palavra", "O Regresso de Kambongue". O conto "AS FÉRIAS DE YAHULA" é a sua quinta obra.

"As Férias de Yahula" Novo conto infantil de Kanguimbo Ananás

O contexto da sua obra nasceu como um eco da sua infância, o campo inspira-a em toda a sua obra. A arena, a aldeia e a sua deficiência infantil são símbolos de um passado modesto nas origens, transportado até ao cotidiano.

O "Calpe" é sinal da dinâmica da vida, tudo vem do campo, a beleza da natureza, a sua serenidade e os seus exemplos de vida são assumidos ao longo do conto "Ah como a natureza nos invade. Sem ela, certamente não haveria vida".

Encontramos um mundo ligado à sua infância e aos espaços em que ela decorreu: o Namibe, as praias, as lavras e Luanda. A pureza do campo é essencial no sentimento de expressão imagística de árvores, flores, rios, os insetos ­ o pirilampo.

A retórica destinada a crianças produz um efeito simples e encantador; com uma sintaxe própria, o seu discurso é fluente e marcado por aliterações: "Olha abelha agarra"; "Olha abelha agarra"; "Não vou agarrar ela ferra"; "Não vou agarrar ela ferra"; "Olha cigarra ela canta"; "Olha cigarra ela canta," "Eu me lembro", "Eu me lembro", e interjeições de admiração "Ahmm".

A insistência temporal na sexta-feira e a noite do luar, tudo isto exalta a sensação nítida de sensibilidade definida e revelada: a função emotiva, poética e moralista da linguagem no discurso literário do conto traduz a captação do real através das sensações (visuais tácteis e auditivas), "fazer o senhor galo falar e cantar".

Logo, podemos descrever a sua ideologia: os valores da antiguidade clássica, a "bucólica", a harmonia, a crença pela religião, a higiene, a graciosa afetividade, o trabalho cooperativo, a prevenção das doenças como: a malária, o sarampo, a cólera e o VIH.

As personagens Tchimuku, Tchipumu, Yahula, Mama Kamané, Tchinina e Kanina fruem da alegria na Aldeia Imbondeiro e na Aldeia Esperança, e cantam na noite de luar. A primeira, aldeia sem sinal televisivo, mas com uma grande jovialidade e livre da poluição sonora.

Na Aldeia Esperança, em Luanda, a Mamã kamané, mãe da jovem Yahula, pratica o comércio. Não sendo rica, possui entretanto uma riqueza imaterial: no seu estabelecimento há um cuidado com os alimentos, os meninos tem a delicadeza em observar a validade dos produtos expostos no estabelecimento comercial.

Kanguimbu Ananaz iliba o campo do seu estereótipo depreciativo de ser mato; pelo contrário, no campo há euforia e, sobretudo, um enorme bem-estar. Nisto se aproxima muito de Cesário Verde, para quem escreveu: "o Campo é saúde, a Cidade doença".

Também Hans Cristian Andersen, o celebre autor mundial da literatura infantil, filho de um sapateiro, recolheu os seus contos nas aldeias, outros ilustres escritores da literatura infantil como Charles Perrault, os Irmãos Grimm, Luís-Jacob e Guilherme-Carlos Grimm, (esses destacam-se por terem feito a sua recolha "in loco" no folclore de todos os povos, o que representa toda a bagagem do seu "fantástico ­ imaginário").

Nas aldeias, em vez de reis e rainhas, as suas personagens são modestos camponeses e lenhadores; assim, a pedagogia infantil concretiza mais amplamente o princípio de aprendizagem, constituindo, portanto, esta obra um ensejo convencional para os alunos realizarem experiências de aprendizagem ativas, significativas, diversificadas e socializadoras, trabalhando com a interdisciplinaridade: Estudo do Meio, Língua Portuguesa, Matemática, Educação para a Cidadania, Educação Religiosa, Física e Moral, Tecnológica e Ambiental.

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