Casa dos Estudantes do Império é tema de Colóquio internacional

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Um colóquio internacional, debates, reedições de livros e uma exposição vão ser promovidas pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), a partir de Outubro, para homenagear a Casa dos Estudantes do Império (CEI).

Casa dos Estudantes do Império é tema de Colóquio internacional
Casa dos Estudantes do Império é tema de Colóquio internacional

A CEI, que reuniu em Lisboa, Coimbra e Porto entre as décadas de 1940 e 1960 estudantes universitários oriundos das antigas colónias, contou entre os seus associados com jovens que se tornariam nomes destacados da política e da cultura destes países – casos de Agostinho Neto (primeiro Presidente de Angola após a independência), Joaquim Chissano (antigo Presidente moçambicano), Amílcar Cabral (fundador do PAIGC – Partido Africano para a da Guiné e Cabo Verde), Manuel Pinto da Costa (actualAmílcar Cabral Presidente de São Tomé e Príncipe), Pedro Pires (antigo Presidente de Cabo Verde) e os escritores angolanos Pepetela e Luandino Vieira e o músico angolano Rui Mingas, entre outros.
Criada pelo regime salazarista em 1944 “como instituição de enquadramento dos estudantes oriundos das colónias”, a CEI viria a ter “um papel importante no despertar de consciências críticas entre a juventude na contestação à dominação colonial e na redescoberta das identidades culturais”, segundo a UCCLA, entidade responsável pelas acções de homenagem.
Na década de 1960, cerca de 120 desses jovens “empreenderam uma saída clandestina e organizada de Portugal para integrarem os movimentos e partidos de libertação”. A PIDE encerraria a Casa dos Estudantes do Império em 1965.
Calcula-se que tenham passado por esta Casa mais de 2.000 estudantes das ex-colónias portuguesas, na maioria de Angola.
“Há uma história única entre as ex-colónias e o povo colonizador, que não sucedeu entre nenhuns outros países colonizadores e colonizados”, disse o secretário-executivo da UCCLA, Vítor Ramalho, na apresentação da homenagem.
O responsável, que chegou a frequentar a CEI no seu período final, recorda que os portugueses eram solidários “com os povos que ansiavam a liberdade”.
“Havia uma irmandade entre os povos, o regime opressor era o mesmo”, considerou. Com esta iniciativa, a UCCLA pretende resgatar um pedaço da História que Víctor Ramalho considera ter sido esquecido.
“Não há futuro sem memória. Na versão mercantilista actual, não somos capazes de homenagear quem merece”, defendeu.
A homenagem, que conta com o apoio da Presidência da República e do Governo português, arranca no dia 28 de Outubro, com uma sessão solene de abertura na Universidade de Coimbra, com intervenções de ex-associados da CEI, entre os quais Pepetela, Luandino Vieira e Rui Mingas.
A partir de Outubro serão divulgadas as reedições das Antologias de Poesia da CEI e o número especial da Mensagem, boletim associativo publicado em Lisboa entre 1948 e 1964.
A homenagem inclui, a partir do início do próximo ano, debates “sobre a importância da CEI”, com a participação de antigos sócios.
Em Maio e Junho, a Câmara Municipal de Lisboa acolhe uma exposição, feita em parceria com a Biblioteca Nacional – Torre do Tombo, onde se encontram os documentos levados pela PIDE quando encerrou a Casa dos Estudantes do Império. Entre Outubro e Maio do próximo ano serão publicados semanalmente os 22 livros de bolso editados pela CEI, de autores como Agostinho Neto, Costa Andrade, Craveirinha, Alfredo Margarido, Viriato da Cruz, Onésimo Silveira, entre outros.
As cerimónias terminam com um colóquio internacional sobre a CEI, nos dias 22 e 23 de Maio, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, com a participação dos antigos estudantes que exercem ou exerceram funções de presidente ou primeiros-ministros – Joaquim Chissano, Pascoal Mocumbi, Mário Machungo, França Van Dunem, Miguel Trovoada, Manuel Pinto da Costa e Pedro Pires.
Está ainda em estudo a realização de um espectáculo público de homenagem aos ex-associados da CEI, com transmissão televisiva para todos os países de expressão oficial portuguesa.
A iniciativa conta ainda com o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), do Camões – Instituto da Língua e da Cooperação e dos embaixadores dos países africanos lusófonos acreditados em Portugal, bem omo de privados.

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