Cássia do Carmo traduzida para o hebraico

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A obra literária infantil “As Duas Amigas”, com a qual Cássia do Carmo se estreou no mundo das Letras, a 25 de Junho de 2009, quando a autora tinha apenas 13 anos, acaba de ser editada em Israel, em hebraico, conjuntamente como livro de Paula Russa, “Jonito, Vovó Jujú e o Arco-Íris” também do género infantil.

Cássia do Carmo

Foi no passado mês de Março que as escritoras rumaram para Tel-Avive, acompanhadas pelo secretário-geral da UEA, Carmo Neto e a escritora Kanguimbo Ananás, para o ato formal do lançamento das obras, editadas pela “Lavi P. Enterprises Ltd. – Publishing House”, como apoio incondicional da embaixada de Angola em Israel.

O périplo pela terra de Jesus Cristo contou com visitas a lugares históricos, desde Jerusalém, onde Cássia pôde entregar o seu pedido ao deus escondido no eterno Muro das Lamentações, tocar as pedras milenares da Cidade Velha, até aos confins da pequena pátria dos judeus e palestinos, onde foi aspirar a brisa salgada do Mar Morto, tocar as águas cristalinas do rio Jordão, pisar na Galileia, percorrer a Via Sacra onde caiu o sangue dos espinhos do Cristo e outros recantos não menos surpreendentes de Israel.

O ato de lançamento teve lugar no dia 14 de Março, na presença do embaixador de Angola em Israel, José João Manuel, dos embaixadores do Brasil e de Portugal, dos tradutores, Pierre Lavi, que é também o proprietário da casa editora e de Miriam Sharon, para além de outros convidados e da delegação angolana.

Com esta viagem, Cássia do Carmo acabou por conhecer e fazer uma nova amiga, ela que tanto preza a amizade, uma amiga israelita, da sua idade, Lior Edelmann, também escritora infantil, que pronunciou um discurso de saudação à amiga angolana.

Esta é a segunda tradução de “As Duas Amigas”, depois da versão inglesa, também produzida em Israel e posta à venda antes da edição hebraica.

Questionada sobre o grande impulso que motivou a produção de “As Duas Amigas”, Cássia respondeu, com aquele sorriso nos lábios que faz dela uma manhã de alegria, que “foi num sábado à tarde. A ideia era escrever uma história para o concurso ‘Quem me dera ser onda’, eu já tinha criado uma primeira história sobre um rapaz e um pirulito. Mas depois eu vi que lhe faltava estrutura para ser completa e como eu queria elaborar o tema da amizade, virei-me para uma história mais profunda, neste caso sobre duas amigas, duas meninas, por ser uma relação mais próxima da minha própria vivência. Queria que não fosse apenas mais uma história, mas que brotasse dela uma verdadeira lição de moral.”

As amigas tiveram um problema de separação momentânea. O que ocasionou essa separação foi o facto de a família de uma delas ter enriquecido. O pai dessa menina conseguiu um emprego melhor e depois ela pôde mudar para um bairro mais chique e então, a amiga do coração passou para segundo plano. Só mais tarde é que a menina agora rica se deu conta que a antiga amiga era a pessoa mais verdadeira de todo o seu círculo.

Cássia do Carmo explique que “a principal lição de moral a extrair de ‘As Duas Amigas’ é a importância da amizade. E depois, podemos ver na história que o dinheiro, por si só, não traz a felicidade. Porque, depois, a menina que era rica voltou à condição anterior de pessoa pobre e verificou que, afinal, era mais feliz indo às festas lá do bairro antigo, dançando Rap e quizomba, falando sobre os assuntos da terra.”

Eis Cássia do Carmo, para quem “a amizade verdadeira ultrapassa todas as barreiras, até mesmo a do racismo.” A autora disse que tem escrito, não com tanta frequência como antes, porque agora está numa classe mais avançada, mas tem andado a escrever uma história mais direcionada para os jovens da sua idade. “Não tenho pretensão de a lançar a público, por enquanto, porque sinto que ainda está muito imatura, ainda lhe falta alguma coisa”, acrescentou a autora. “Não quero apresentar uma obra inconclusa, vazia, apenas para dizer que tenho um segundo livro lançado, mas que fique aquém do primeiro.”

Para produzir uma segunda obra de qualidade, Cássia tem-se empenhado em descobrir novos autores, desdobra-se em novas leituras de obras de escritores angolanos, pois está convicta de que é importante ter o domínio da língua portuguesa e emprestar às obras que produz um toque de angolanidade, de africanidade, para “vincarmos a nossa própria identidade, senão, estaremos só a copiar o que os outros já fizeram.”

Uma grande dificuldade subsiste, porém. “Ainda não tenho a preparação para engendrar uma boa história, um romance. Por isso é que disse que não tenho pressa de escrever, ainda me sinto imatura. Preciso de dominar algumas técnicas de como elaborar um plano da obra, para melhor definir os personagens e guardar no papel as suas características, tanto físicas como psicológicas. Estou agora a estudar essas técnicas, felizmente,” concluiu a autora de “As Duas Amigas”.

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