"Cátedra Agostinho Neto" promove Literatura e Cultura angolana na Itália na Universidade Roma Três

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"Saibamos nós, agora, utilizar a literatura e a cultura como um veículo de aproximação entre os nossos povos".

Com estas palavras, a escritora Maria Eugénia Neto, na qualidade de presidente da Fundação Dr. António Agostinho Neto (FAAN), definia a essência do acordo tripartido que instituiu, no passado dia 24 de Março, na Universidade Roma Três, uma cátedra com o nome do Poeta-Presidente, destinada exclusivamente à divulgação e à promoção da Literatura e da Cultura angolana.

Com o apoio financeiro e institucional da Fundação Dr. António Agostinho Neto (FAAN), esta iniciativa permitirá, a cada ano, que um especialista angolano vá a Roma ministrar um curso de Língua, Literatura e Cultura angolana durante 6 semanas aos alunos da Universidade italiana. Além disto, serão organizados colóquios e publicações conjuntas e haverá intercâmbio académico entre investigadores italianos e angolanos, com base num acordo assinado por Giuseppe Grilli, director do departamento de Língua, Literatura e Cultura Estrangeira da Universidade Roma Três, e Carmo Neto, secretário-geral da União dos Escritores Angolanos (UEA).

O acordo de cooperação é válido por três anos renováveis e comporta a mobilidade de membros das duas instituições; o intercâmbio de material científico e cultural; e a participação comum nos programas promovidos pela Comissão Europeia ou por instituições e fundações, bem como na coordenação de propostas encaminhadas à aquisição de recursos financeiros para a realização de estruturas ou para o desenvolvimento de projectos de pesquisa e/ou formação.

A abertura do evento contou ainda com as presenças de Mario Panizza, Reitor da Universidade de Roma Três, Luís Saraiva, primeiro secretário da embaixada de Angola em Itália, Irene Neto, presidente do conselho de administração da FAAN e Giorgio de Marchis, organizador geral do encontro e Rodolfo Ribaldi, editor de La Nuova Frontiera, para além de professores e estudantes italianos e angolanos.

Colóquio
O acto abriu a porta para o colóquio internacional sobre Literatura angolana hoje, que foi uma ocasião de debate entre figuras de destaque do meio cultural angolano e o mundo académico italiano que, desde sempre, se tem dedicado com muito interesse ao estudo da literatura e da cultura angolana. Além das palestras proferidas pelos convidados, o Colóquio foi também a ocasião para lançar a edição italiana da antologia do conto angolano Balada dos Homens que Sonham, publicada no país de Cícero pela prestigiada editora La Nuova Frontiera.

António Quino, professor de Literatura no ISCED, ao apresentar a comunicação Faces da prosa narrativa angolana, disse que "é recorrente na prosa narrativa angolana presenciar-se as experiências e as imagens de tradição e modernidade, dor e amor, a denúncia de clivagens e variações no funcionamento da língua portuguesa em Angola a coabitarem com frequência. (...) Consciente ou inconsciente, (o narrador angolano) espera contribuir para a formação do eu Nacional."

Carmo Neto, secretário-geral da União dos Escritores Angolanos, falou sobre Literatura angolana aos olhos da União dos Escritores Angolanos e destacou a instituição que hoje conta com mais de cem membros, e "assume o legado de ter sido a primeira associação criada na Angola independente e a primeira a realizar um acto democrático no nosso jovem país nascido a 11 de Novembro de 1975, consignado na eleição do seu corpo directivo. Por isso, a UEA tem tido um papel fundamental no desenvolvimento cultural e intelectual de Angola, nomeadamente no campo literário e não só".

José Luís Mendonça, apresentou uma comunicação intitulada ILiteratura, nação e história (a escrita como leitura e agente do processo histórico angolano), Idurante a qual referiu que no actual contexto histórico-cultural e social da Nação Angolana, considera "a literatura angolana mais funcional no seu papel de palavra intercultural e planetária, palavra viajante, vaivém entre as pátrias, estabelecendo aquele diálogo ou polígolo entre países e populações de que nos dá conta Stéphane Santerres-Sarkany. Nessa função, ela apresenta-se ao mundo como uma espécie de embaixadora da angolanidade, ela vai mostrar aos leitores do mundo, através da língua portuguesa, a história de Angola e dos angolanos." Pela parte italiana, ouviram-se as comunicaçãoes de Giorgio de Marchis, Simone Celani (Sapienza Università di Roma), Mariagrazia Russo (Università di Viterbo) e Francesco Genovesi (Università Roma Tre).





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